Por Alex Pipkin, PhD em Administração
Pare e observe. O que você chama de “normal” é, na verdade, crime reincidente governando sob o aplauso silencioso de uma sociedade que escolheu não confrontar a verdade.
O verdadeiro espanto não está no retorno do poder, mas na aceitação quase automática daqueles que poderiam reagir, na complacência que se transforma em cumplicidade silenciosa e destruidora.
Não se trata de ignorância, mas de psicologia. O ser humano não é movido pela verdade, mas pela necessidade de coerência consigo mesmo. Uma vez que alguém afirma algo em público, defende, repete e constrói identidade em torno disso, recuar deixa de ser racional e se torna ameaça pessoal. Repensar dói, revisar convicções fere o ego, admitir erro exige coragem intelectual rara, quase subversiva.
Repensar é, portanto, sinal de inteligência, e talvez um dos mais escassos. Não porque faltem informações, mas porque sobra apego emocional às próprias narrativas. Quando a realidade entra em choque com aquilo que alguém disse, pensou ou defendeu por anos, a mente não corrige o erro, ela se protege. Surge a cegueira motivada, fazendo com que só se veja o que preserva a autoimagem, e o resto se transformando em exagero, contexto ou perseguição.
Há quem não enxergue porque o projeto de poder se encaixa perfeitamente na sua dissonância cognitiva ideológica. Admitir que uma organização condenada governa exigiria desmontar toda uma arquitetura moral cuidadosamente construída. É mais fácil relativizar o crime do que confrontar a própria consciência. Absolutamente.
E há quem veja, mas prefira não ver, porque está acomodado, beneficiado, anestesiado. O Brasil desenvolveu um sistema de dependência moral assistida: auxílios, bolsas, subsídios que não apenas aliviam carências reais, mas anestesiam o julgamento crítico.
O poder corrupto não compra apenas apoio; compra silêncio. Enquanto isso, a mesma população é esmagada por uma tributação difusa, permanente e escorchante — paga em tudo, o tempo todo — sem ligar a conta ao projeto que defende. O benefício imediato pesa mais que o custo diluído.
Governos corruptos e autoritários, travestidos de progressismo, governam também pelo medo. O medo de falar, de discordar, de questionar, medo institucionalizado por tribunais que intimidam em vez de arbitrar. A toga, quando abandona o limite, torna-se instrumento de coerção simbólica, e o medo disciplina mais do que a força. A atual, composta de políticos disfarçados de ministros é emblemática.
Nesse ambiente, o crime não precisa se esconder. Ele se normaliza, se verbaliza, se institucionaliza. Transforma-se em rotina, vira paisagem. Quem aponta o óbvio é tratado como ameaça, enquanto a corrupção reincidente governa protegida por ritos e silêncios.
Organizações criminosas governam plenamente quando encontram uma sociedade incapaz — ou indisposta — a repensar.
Quando a coerência com o passado vale mais que a honestidade com a realidade, o escândalo se esgota, e o crime governa em paz.
Se queremos verdade, se queremos mudança, o preço é despertar, questionar, repensar e enfrentar.
Ser verdadeiro não é confortável. É urgente. Começa em você.
Pense nisso!
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