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sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Áreas revitalizadas ganham valor

 Evento em Luxemburgo debate inovação em cidades e parques tecnológicos de todo o mundo

Guilherme Baumhardt, enviado especial

Entre outros conceitos, novo e antigo convivem em harmonia 

Em Barcelona, é o Distrito 22@. Uma antiga área industrial, abandonada após a migração das empresas para outras localidades e regiões. A região degradada, com baixo valor imobiliário, serviu de base para o nascimento da inovação, abrigando companhias criativas, startups e incubadoras de novos negócios. A área passou por uma profunda transformação e, após anos de trabalho e investimento, tornou-se uma das mais desejadas e procuradas da cidade. Algo muito semelhante ocorre em outros países do mundo, como França, Estados Unidos e Reino Unido.

Em Luxemburgo, o receituário se repete. A região de Belval fica a pouco mais de 20 quilômetros da capital, quase na fronteira com a França. Durante anos, abrigou uma unidade da Arcelor-Mittal, uma das gigantes do aço, com alcance global. Degradada, a área passa por um processo de transformação, que já dura 30 anos. Ao longo deste período, o poder público investiu 2 bilhões de euros (mais de R$ 10 bilhões) em obras e melhorias.

Ao todo, foram projetados 30 novos edifícios, sendo que 27 já estão prontos. O novo e o antigo convivem em harmonia. Estruturas novas foram erguidas, enquanto antigos edifícios da empresa foram recuperados. São construções que abrigam uma universidade, laboratórios de inovação, startups, dentro de estruturas conhecidas como “Cidade das Ciências”, “Casa do Conhecimento” e outras.

É o que vem construindo Porto Alegre a partir do chamado Quarto Distrito, uma região que abrigou grandes indústrias no passado, como AJ Renner, Neugebauer, Wallig e tantas outras, e que há muito busca encontrar uma nova vocação. O caminho parece ter sido encontrado, a partir das experiências de outros lugares do mundo.

Não se assuste caso este mundo novo, com vocabulário próprio, pareça coisa de outro mundo. O próprio setor ainda busca aprimorar conceitos. Foi o que ocorreu em uma reunião dos associados da Associação Internacional de Parques Científicos e Áreas de Inovação (Iasp), na manhã desta quinta-feira, com integrantes da Alemanha, Suécia, Espanha, Brasil, Argentina, entre outros. De maneira curta e simples, em um glossário básico, temos o seguinte: “Hub” é um espaço que estimula a interação entre atores de diferentes áreas, em prol de ideias inovadoras (em Porto Alegre, o Instituto Caldeira é um bom exemplo); “Parques” podem ser científicos, tecnológicos ou de inovação e muitos deles são, inclusive, mistos; “Áreas” são pequenas regiões em torno de parques ou hubs; “Distritos” são grandes áreas urbanas, destinadas à inovação, concentrando empresas e profissionais de diversas áreas (em Porto Alegre o Quarto Distrito é o melhor exemplo).

Home office para retenção de talentos

O alerta foi feito por Roland Sillmann, diretor da WISTA Management, grupo que construiu e opera o principal parque tecnológico da Alemanha, em Adlershof. “O home office veio para ficar. Na Alemanha, já observamos uma queda na oferta de mão de obra qualificada, e a possibilidade de trabalhar em casa se transformou em um objeto de desejo de muitos. As empresas que não entenderem isso correm sério risco de perder os melhores profissionais, que poderão, inclusive, migrar de país”, disse Sillmann. Uma pesquisa apresentada durante o evento mostrou um acréscimo de 13% na produtividade de algumas empresas com a adoção do home office.

Negacionistas do calor

Se você pretende visitar Luxemburgo nos meses mais quentes do ano, saiba que parcela considerável dos hotéis não têm ar-condicionado. O mesmo ocorre com alguns (não todos) trens e ônibus, que não dispõem de refrigeração a bordo. Isso em uma cidade cujos termômetros marcaram 35 graus nesta semana, na reta final do verão. Em compensação, para suportar o frio e a neve, os radiadores utilizados na calefação são generosos.

Correio do Povo

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