sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Operação mira suposto esquema de rachadinha de vereador em São Leopoldo (RS)

 Um secretário municipal e um diretor de autarquia também estão sendo investigados pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco)

Houve o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão, além de sequestros de veículos, imóveis e contas bancárias 

A Polícia Civil realizou na manhã desta quinta-feira a operação Consiglier para apurar, em tese, os delitos de concussão contra o erário municipal de São Leopoldo, tendo como alvo um vereador, um secretário municipal e um diretor de autarquia. Houve o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão, além da comunicação dos afastamentos das funções públicas do parlamentar e da companheira dele, que atualmente exerce cargo em entidade paraestatal, bem como para com as testemunhas.

A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, sob comando do delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior. Segundo ele, quatro ordens judiciais foram executadas nas residências de investigados, além de uma no gabinete do vereador e de outra na Secretaria Municipal de Administração.

Sequestros de veículos, imóveis e contas bancárias também foram determinados por medidas cautelares. O bloqueio financeiro dos investigados chegaria a R$ 100 mil. Documentos, mídias, HDs e outros materiais foram recolhidos na ação para posterior análise.

Chantagem 

As investigações começaram depois que denúncias chegaram à Polícia Civil. Conforme apuraram os agentes, o vereador teria exigido valores de servidores ocupantes de cargos comissionados, sob pena de exoneração e futura perseguição política para quem se recusasse a realizar pagamentos mensais, ato conhecido como "rachadinha”, relacionada ao poder de indicação de cargos na administração pública. Trata-se da primeira legislatura do vereador que, anteriormente, teria exercido cargo de secretário municipal.

O trabalho investigativo apontou que o parlamentar e a companheira dele receberiam mensalmente, em dinheiro, ou via transferências Pix, valores extorquidos que variavam de R$ 600 a R$ 2,5 mil em dinheiro, a depender do cargo exercido pelo servidor em cargo em comissão e cuja indicação política teria sido do investigado. Conforme a equipe da Draco de São Leopoldo, o chefe de gabinete do vereador e responsáveis pela Secretaria Municipal de Administração e Serviço Municipal de Água e Esgoto também estão sendo investigados.

Os policiais civis constataram ainda a suposta evolução patrimonial abrupta do vereador a partir do ingresso dele nos cargos políticos. Durante a investigação, os agentes verificaram também denúncias sobre exigências de valores para liberação de alvarás junto à secretaria, quando supostamente o mesmo vereador e um cúmplice teriam exigido R$ 8 mil para liberação de alvará de funcionamento para empreendimentos comerciais.

Tentativa de intimidação 

Conforme a equipe policial, o vereador teria tentado intimidar testemunhas, dizendo-se “poderoso”, com “amigos policiais e delegados” e que perseguiria politicamente quem colaborasse com a instrução. Está ainda na mira da investigação um indivíduo que há 30 anos exerce cargos comissionados e funções de confiança na administração municipal, sendo considerado por muitos como o “padrinho” político do vereador.

Nota

A prefeitura de São Leopoldo emitiu nesta quinta uma nota referente à operação da Polícia Civil. "A Prefeitura de São Leopoldo comunica que na manhã desta quinta-feira, 22 de dezembro a Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão da Operação Consiglieri no gabinete do secretário municipal da Administração, e o servidor em questão foi exonerado."

Conforme a prefeitura, a administração municipal está contribuindo com todos os processos de investigação para que os fatos sejam apurados. "Com relação às denúncias envolvendo alvarás, referidas na Operação, a Administração Municipal informa que nunca houve registro oficial envolvendo este tema e determinou a imediata abertura de processo administrativo para apurar tais fatos, do período 2017/2020". 

A reportagem do Correio do Povo aguarda manifestação oficial da Câmara de Vereadores de São Leopoldo.

Correio do Povo

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