quinta-feira, 21 de julho de 2022

Monumento de Carlos Drummond de Andrade e Mario Quintana é vandalizado em Porto Alegre

 Uma tintura amarela foi lançada sobre as esculturas, descaracterizando as imagens


Os frequentadores do Centro Histórico foram surpreendidos na manhã desta quarta-feira com mais um ato de vandalismo praticado contra o monumento a Carlos Drummond de Andrade e Mario Quintana, uma homenagem à literatura brasileira. Uma tintura amarela foi lançada sobre as cabeças e corpos das esculturas, descaracterizando as imagens. A atitude dos vândalos causou indignação aos frequentadores do espaço público. Não foram poucos os que pararam para observar o ato de vandalismo neste, que é um dos locais mais visitados e fotografados por quem passa pela Praça da Alfândega.

Esta não foi a primeira vez que foram vandalizadas. Em 2017, uma tintura alaranjada foi colocada nos rostos das esculturas. Em outubro de 2007, o livro de bronze de três quilos que integrava a escultura de Drummond de Andrade foi furtado. Depois de encontrado e devolvido ao monumento, em março de 2015, Drummond de Andrade deixou de ler para o amigo Mario Quintana.

A estátua do escritor novamente virou alvo de vandalismo e o livro que estava em suas mãos desapareceu e até hoje não reapareceu. Em 2011, foi a estátua de Drummond que sumiu da Praça da Alfândega. Todos pensavam tivesse sido levada por ladrões, mas na verdade, houve uma falha de comunicação entre a Secretaria Municipal da Cultura e os responsáveis pelo projeto Monumenta, que retirou a escultura em bronze para conserto da base.

O Monumento à Literatura, como é conhecida a obra, foi criado por Eloisa Tregnago e Xico Stockinger e inaugurado em 2001, por encomenda da Câmara Riograndense do Livro. E desde lá a obra é visada por ladrões e vândalos, devido ao material utilizado: o bronze. Os poetas são representados em tamanho real. O gaúcho Quintana está sentado e olhando para Drummond, que é representado em pé, e que um dia teve um livro pregado em uma de suas mãos.

Limpeza

Por volta das 10h15min, uma equipe do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) chegou ao local e efetuou a limpeza com pano, água e solvente. As esculturas em tamanho real são de bronze, o que chama a atenção dos criminosos dado o valor agregado do material. O pintor Reinaldo Rosin passava pelo local e parou para observar a tinta no monumento. “Deveria ir para a cadeia quem faz este tipo de coisa. Infelizmente muitas pessoas acabam não dando valor”, desabafa. A tinta utilizada para as pichações, segundo ele, foi a PVA, facilmente retirada com água.


Correio do Povo

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