quarta-feira, 27 de julho de 2022

Drone cai durante show e corta supercílio de mulher no Distrito Federal

 Empresa responsável pelo evento e a banda que contratou o equipamento apresentam contradições quanto à permissão do uso

Mulher ficou ferida após queda de drone 

Uma mulher sofreu um ferimento no supercílio direito após ser atingida por um drone durante um show no Festival Na Praia, no Distrito Federal, no último sábado (23). A médica veterinária Natália Nina Guidi, 31 anos, afirmou que havia percebido movimentos incorretos no equipamento, como baixa altitude, e que o aparelho sobrevoava próximo à cabeça do público, chegando a atingir o cabelo dela.

Segundo a vítima, antes de ser atingida, ela trocou de local três vezes, mas a tentativa de se proteger não surtiu efeito. Num determinado momento, o drone atingiu um coqueiro e caiu sobre ela, causando o ferimento. "Por milímetros não pegou meu olho em cheio. Por sorte, eu consegui o mínimo me proteger".

"Quando tudo aconteceu eu não conseguia enxergar, achei por um instante que tinha ficado cega", continuou. O susto fez com que o marido da vítima tirasse sua própria camisa durante o evento para estancar o sangue até a chegada dos brigadistas.

Naquela mesma noite, ela foi atendida num hospital particular e recebeu alta. A médica veterinária entrou com um processo extrajudicial contra o grupo R2 Produções, responsável pelo evento.

De acordo com a nota veiculada pela R2 (confira a íntegra abaixo), a empresa disse ter se solidarizado com a vítima e prestado socorro imediato, levando-a de ambulância para o hospital e prestado a assistência necessária, mesmo diante do fato de o equipamento não ser de responsabilidade da empresa.

A versão da banda

Se o aparelho operando durante o show pela empresa – que não quis se manifestar – já estivesse com defeitos, ele não poderia ter sido executado pelo piloto. E de acordo com a banda Migana, que contratou o serviço, ele parecia operar bem até os primeiros momentos do show.

O músico e assessor da banda, Leandro Borges da Silveira, disse que conseguia ver do palco o drone operando bem, mas que minutos depois chegou a ver o aparelho batendo em algumas superfícies. "Lá de cima eu pude ver os bombeiros socorrendo a moça, mas não sabia que tinha sido o nosso drone o causador do acidente. Fui saber disso só depois", contou.

Leandro afirmou que o advogado da banda, juntamente com os advogados do Grupo R2 Produções e da vítima, estão dialogando para poder reparar os danos e custear quaisquer despesas e anseios de Natália.

Contradições

A R2 Produções informou que não autoriza que as atrações contratadas levem seus próprios drones e que não tinha conhecimento de que a banda Migana estava com um equipamento aéreo de filmagem.

Entretanto, Leandro declarou o contrário. "A gente não sabia da informação de que não era permitido, tanto que avisamos a R2 que levaríamos uma equipe de filmagem e de drone para o evento, e constatamos durante o credenciamento os nomes de todas as pessoas envolvidas, inclusive o 'piloto de drone'", afirmou.

Confira a íntegra da nota do Grupo R2:

"Sobre o acidente no último sábado, 23 de julho, o Grupo R2, responsável pelo Na Praia Festival, lamenta o ocorrido e informa que o drone não era operado pelos organizadores do evento e sim por uma empresa terceirizada contratada por um grupo musical que se apresentava no local sem que tenha havido autorização da produção para a utilização do mesmo, já que não há permissão para as atrações se utilizarem do equipamento para captação de imagens durante a apresentação.

O Grupo R2 se solidariza com a vítima e informa que tão logo foi comunicado do ocorrido no evento prestou socorro, levando-a de ambulância para o Hospital DF Star e prestando toda a assistência necessária, mesmo o equipamento não sendo de responsabilidade da empresa.

Atenciosamente,
Grupo R2"

R7 e Correio do Povo

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