quinta-feira, 15 de julho de 2021

HISTÓRIAS DE NINAR PARA FILHOS E NETOS - Gilberto Simões Pires

 


POVO NAS RUAS

Pelos vídeos que recebi nestes últimos dias, tudo leva a crer que o povo cubano está disposto a permanecer nas ruas até que o GOVERNO DITATORIAL entenda de uma vez por todas que não há mais espaço para o REGIME COMUNISTA, que simplesmente arrasou com a economia daquele que já foi considerado como um dos mais prósperos países da maravilhosa região caribenha.


PÉSSIMAS HISTÓRIAS

Como já tive a oportunidade de visitar, por duas vezes a Ilha de Cuba, ambas na condição de comunicador credenciado para participar de MISSÕES OFICIAIS DE GOVERNO tenho -péssimas- histórias para contar sobre o que vi e muito do que me foi contado nos mais variados ambientes que os turistas em geral não têm acesso.


GROSSA MENTIRA

A propósito, dentro do exemplar modelo que foi bastante utilizado pelo manipulador Joseph Goebbels, que afirmava sempre que MENTIRAS REPETIDAS VÁRIAS VEZES ACABAM SENDO VISTAS E ENTENDIDAS COMO VERDADES, não são poucos aqueles que ACREDITAM PIAMENTE que Cuba é uma referência mundial em SAÚDE E EDUCAÇÃO. Esta GROSSA MENTIRA eu vi nas VISITAS OFICIAIS, guiadas por funcionários destacados pelo governo. 


SAÚDE PÚBLICA

Pois, para quem não sabe, em Cuba funciona o MÉDICO DE QUARTEIRÃO, que tem em mãos os prontuários de todos os habitantes da jurisdição que atende. Porém, quem procura o médico, é atendido num ambiente que fere completamente aquilo que significa SAÚDE. Todos os postos de saúde que visitei mostram o mesmo quadro fétido e sujo, muitas vezes sem água e energia.


EDUCAÇÃO

No que diz respeito à EDUCAÇÃO, na conversa que tive com professores, perguntei sobre os livros que os cubanos tinham acesso. A resposta, mais do que óbvia: quem decide o que o povo deve ou não ler é o governo. Isto comprovei - in loco- nas duas livrarias que existem na Calle Obispo, no centro de Havana. Ao perguntar, em ambas, se havia algum livro de economia do Milton Friedman, a resposta NÃO era enfática, como se o economista fosse o próprio demônio... 


PEQUENA HISTÓRIA CUBANA

Como o título deste editorial faz referência a HISTÓRIAS DE NINAR PARA FILHOS E NETOS, aí vai uma que me foi contada ontem pelo renomado jornalista gaúcho Ricardo Azeredo:


PEQUENA HISTÓRIA CUBANA QUE EU VIVI


No final dos anos 90 eu tinha uma sobrinha estudando radiologia em Cuba. Os avós bancaram a viagem. Ela morava em Camaguey, um centro universitário.


Como eu era o único na família que falava bem espanhol, cabiam a mim os contatos com as centrais telefônicas cubanas e outros canais estatais obrigatórios pelos quais ela se comunicava comigo e a família.


Nas conversas, muito cuidado para evitar críticas à vida que levava por lá. Os e-mails, limitados, passavam por um endereço oficial e os conteúdos eram checados pelas autoridades. Telefonemas DDI eram monitorados e cartas postais abertas antes de chegarem ao destinatário.


Como todo cubano, ela tinha uma “caderneta” com a qual acessava uma quantidade de víveres determinada pelo governo. Enfrentava sempre longas filas para adquirir sua cota básica.


Periodicamente a família enviava do Brasil alguns itens que o governo cubano permitia. Eu tinha que negociar as remessas com as autoridades de lá. Algumas peças de roupa, algum enlatado. Ela me pedia: ”Tio, manda papel higiênico, por favor!”


E assim eu rompia o famigerado e impenetrável bloqueio imperialista apenas enviando a carga formalmente pelos meios postais regulares. 


Durante o curso, ela casou com um cubano colega de faculdade. Tiveram um filho. O marido era filho de um economista com posição importante. Moravam numa casa muito simples, cheios de privações.


A grande diversão era alugar de vez em quando um aparelho de videocassete (o mundo há anos no DVD) e assistir os poucos filmes disponíveis nas raras locadoras. Era a única opção contra a programação da TV, tomada pelos discursos intermináveis do Fidel e outras “atrações” oficiais.


Os dois se formaram. Queriam morar no Brasil. Mas ele não tinha permissão para sair de Cuba, muito menos com o pequeno filho cubano. Ela veio na frente, mas tinham um plano: tentariam uma autorização especial para que ele visitasse a família dela no Brasil, com compromisso de voltar para Cuba em poucos dias.


Depois de muita peleia contra a burocracia cubana, conseguiram. Chegaram a Porto Alegre alguns meses depois. Nunca vou esquecer o olhar embasbacado do cubano ao sair do avião no Salgado Filho.


No começo passaram alguns dias na minha casa. O marido médico passava o dia no sofá, hipnotizado com o controle remoto na mão, zapeando maravilhado pelos canais da TV a cabo se lambuzando com milhares de conteúdos que na terra dele eram inimagináveis. Forno de micro-ondas? Parecia coisa de ficção científica. Geladeira cheia? A visão do paraíso!


Nunca mais voltaram para a “Ilha”. Com diplomas validados, os dois passaram a exercer a medicina por aqui e tiveram mais uma filha.


Daqueles tempos restou uma lembrança que ele me trouxe de Cuba: uma edição do Granma, o jurássico jornal símbolo do comunismo. O conteúdo nem preciso descrever.



Pontocritico.com

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