quinta-feira, 22 de julho de 2021

Convidado para ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira seria substituído no Senado pela própria mãe

 


O senador Ciro Nogueira (PP-AL), convidado pelo presidente Jair Bolsonaro a assumir a Casa Civil, tem como primeiro suplente sua própria mãe, Eliane Nogueira. Caso Ciro se licencie do cargo para comandar o ministério, Eliane assumiria o mandato.

Ciro confirmou para caciques do Centrão e integrantes de seu partido que aceitou o convite para assumir a Casa Civil. O convite foi feito por Bolsonaro para conter insatisfações de aliados com a articulação política do governo.

Eliane Nogueira também é filiada ao PP, partido presidido pelo seu filho. Ela nunca havia disputado uma eleição. Ao registrar sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eliane disse trabalhar como administradora e declarou um patrimônio de R$ 3,6 milhões. A maior parte do patrimônio vem de uma empresa da qual ela é sócia ao lado do filho e de outras pessoas.

O segundo suplente de Ciro é Gil Paraibano, também do PP, que foi eleito no ano passado prefeito de Picos (PI). Gil Paraibano já havia sido prefeito entre 2005 e 2012, pelo MDB.

Um dos principais líderes do Centrão, Ciro Nogueira aproximou-se de Bolsonaro em 2020 e desde então é um dos principais interlocutores do presidente no Congresso. Após se aliar ao governo, conseguiu emplacar indicações em órgãos como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).

Atual titular da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos pode ser deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência, que hoje é ocupada por Onyx Lorenzoni. E Onyx iria para um ministério a ser recriado, que abrigaria as áreas do emprego e da previdência. As mudanças ainda não estão definidas.

Bolsonaro

Em quatro anos, Nogueira, escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o comando da Casa Civil, passou de alguém que chamava o chefe do Executivo de fascista para, agora, ocupar uma sala ao lado dele, dentro do Palácio do Planalto.

Até 2018, o senador era ligado aos principais adversários de Bolsonaro. Nas eleições presidenciais, Nogueira apoiou Fernando Haddad (PT) desde o primeiro turno, inclusive com a participação de comícios do petista no Piauí.

A decisão de apoiar o PT contrariou a própria legenda dirigida pelo parlamentar. Isso porque o Progressistas fez parte da coligação do então candidato Geraldo Alckmin (PSDB).

Apesar de ter apoiado Haddad, Nogueira participou das reuniões que sacramentaram o apoio ao tucano. Durante a eleição de 2018, após a candidatura de Lula ter sido barrada pela Justiça Eleitoral, o senador declarou que ficaria com o ex-presidente “até o fim”.

Críticas a Bolsonaro não faltaram. “O Bolsonaro, eu tenho muita restrição, porque é fascista, ele tem um caráter fascista, preconceituoso, é muito fácil ir para a televisão e dizer que vai matar bandido”, afirmou Nogueira em 2017.

O Sul

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