sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Araújo afirma que Bolsonaro vai à Assembleia da ONU "expor verdade sobre a Amazônia"

Ministro das Relações Exteriores afirmou que se a realidade ofende a determinadas pessoas, o problema é delas

Chanceler também defendeu postura de Bolsonaro perante críticas

Chanceler também defendeu postura de Bolsonaro perante críticas "infundadas" ao Brasil | Foto: Raylson Ribeiro / MRE / CP

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O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, que o presidente Jair Bolsonaro vai à Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) defender a soberania brasileira e “expor a verdade sobre a Amazônia". Questionado se há temor de que o discurso do chefe de Estado seja recebido com hostilidade devido a suas críticas a autoridades de outros países, o chanceler negou. “Não temos preocupação porque ele vai falar a partir das verdades dos fatos e cativa muito essa importância da liberdade, da democracia como um caminho para verdade. Se ela ofende a determinadas pessoas, o problema é delas. Chegamos a um ponto em que um líder falar a verdade é sinônimo de rejeição, acho o problema não é nosso, é de quem tem essa visão distorcida”, argumentou.

O evento ocorre entre os dias 17 e 30 de setembro e reúne representantes dos 193 países-membros na sede da Organização em Nova Iorque. Nesta quinta, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, confirmou que o presidente reassumirá suas funções amanhã e que a viagem para os Estados Unidos está mantida, mesmo com Bolsonaro se recuperando de cirurgia. A data de sua ida não foi informada, mas, conforme a agenda oficial, ele deve discursar na sessão de abertura do Debate Geral, marcada para o próximo dia 24.

Falando especificamente sobre a Amazônia, cujas queimadas se tornaram o centro das atenções nas últimas semanas, o titular do Itamaraty garantiu que as críticas feitas pela comunidade internacional não conferem com o que acontece. “Existe uma falta de interesse, de dedicação da mídia em estudar calmamente esses fenômenos de acordo com os dados. Então, tiram conclusões diretas antes de conhecer qual a realidade. Parece que é uma crise sem precedentes, mas é uma situação sazonal, que acontece todos os anos. Estamos na média, mas teve períodos, sobretudo durante o governo PT, em que o número de incêndio e extensões era o dobro do que é hoje e não houve gritaria, nada”, afirmou. Para ele, isso deixa claro a politização da questão.

O ministro citou este caso como um exemplo de globalismo e climatismo, mentalidades que, segundo ele, “justificariam questionar a soberania de um país sobre seu território”. “Existem dois aquecimentos globais. Um é o fenômeno, que está registrado cientificamente, tem que estudar as causas e as maneiras de lidar com isso. E existe o outro que é a narrativa de que o planeta vai desaparecer amanhã, de uma catástrofe, que não é amparado pelo próprio relatório das Nações Unidas”, afirmou, garantindo que essas ideologias são contra o princípio democrático. “Elegemos um governo, um congresso, que deve governar de acordo com sua própria Constituição, em cooperação internacional quando for necessário, mas ninguém votou para se desfazer da soberania e entregá-la”, completou

Araújo ainda defendeu as falas de Bolsonaro contra o presidente francês Emmanuel Macron e Alta Comissária da ONU – a ex-presidente chilena Michelle Bachelet . Segundo o chanceler, o posicionamento do chefe de Estado brasileiro demonstra que “ele não se deixa intimidar por falsidades que dizem contra o Brasil” e isso faz com que seja admirado. “O presidente reage. Acho que isso é muito bom, porque mostra que não temos medo do debate, queremos expor a realidade. Outros tipos de líder recuam na primeira crítica, começam a pedir desculpas, e isso cria um clima de falsidade. Outros líderes se deixaram intimidar no passado, mas o presidente deixa claro que ele não se deixa. Isso faz Bolsonaro respeitado no mundo, porque ele defende suas ideias e defende seu povo”, finalizou.

Eduardo Bolsonaro seria "excelente embaixador"

Em viagem aos Estados Unidos, onde cumpre agenda internacional, o chanceler também voltou a defender a nomeação de Eduardo Bolsonaro como embaixador no país. "Seria um excelente embaixador. Vemos que o grau de profundidade que ele vem colocado na relação. Alguém com seu dinamismo, capacidade de atuação seria ótimo para consolidar esse momento muito especial da relação. Tudo que estou vendo aqui reforça minha convicção que seria bom não para o governo, mas para o Brasil. Teria capacidade de consolidar esses acordos, fazer o nome e as ideias do Brasil conhecidos", afirmou.

Contudo, informou que suas reuniões não tratam diretamente sobre o assunto. "A parte do governo norte-americano já foi feita, falta a aprovação pelo Senado do Brasil". Eduardo ainda não foi indicado formalmente pelo pai, e só pode assumir a embaixada se passar em sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado e ter o nome aprovado no plenário da Casa. Parlamentares têm relatado dificuldades ao presidente para apoiar a indicação, argumentando desgastes e também que querem ser "ouvidos" pelo Planalto.


Correio do Povo


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