PF descobre ‘grupo de inteligência’ que vazava informações secretas a políticos e prende prefeito de Florianópolis

Operação 'Chabu' cumpre 30 mandados em Santa Catarina nesta terça, 18, e mira inclusive agentes da própria corporação e também da Polícia Rodoviária Federal que alertavam investigados com antecedência; Gean Loureiro, ex-MDB, é alvo da missão

Pepita Ortega

O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro. Foto: Eduardo G. de Oliveira / Agência AL

A Polícia Federal deflagrou nesta terça, 18, a Operação ‘Chabu’ para desarticular uma organização que violava sigilo de operações policiais em Santa Catarina. O grupo contava com uma rede de políticos, empresários e agentes da PF e da Polícia Rodoviária Federal. Além de vazar informações, contrabandeava equipamentos de contra inteligência. A PF prendeu o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, que deixou recentemente o MDB. Um delegado e um ex-secretário da Casa Civil também são alvos da ‘Chabu’.

Agentes cumprem ao todo 30 mandados, sendo 23 de busca e apreensão e sete de prisão temporária, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região.

Os crimes foram descobertos a partir da análise dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018.

A PF identificou que a organização criminosa teria formado uma rede de políticos, empresários e servidores da própria corporação e também da Polícia Rodoviária Federal lotados em órgão de inteligência e investigação.

Segundo a PF, o grupo ‘embaraçava investigações policiais em curso e protegia o núcleo político em troca de vantagens financeiras e políticas’.

A investigação apurou ainda que a quadrilha vazava sistematicamente informações sobre operações policiais que ainda seriam deflagradas e também contrabandeava equipamentos de contra inteligência para montar ‘salas seguras’, à prova de monitoramento, em órgãos públicos e empresas.

A PF investiga associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa e tentativa de interferir em investigação penal que envolva organização criminosa.

‘Chabu’

A Polícia Federal indicou que o nome da operação, ‘Chabu’, significa ‘dar problema, dar errado, falha no sistema’.

“O termo é utilizado em festas juninas quando falham fogos de artifício e era empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a acontecer”, destacou a PF.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS

Em nota, a prefeitura de Florianópolis informou que Gean Loureiro concordou em prestar todas as informações e comparecer à PF para depor. “As informações preliminares dão conta de que não há nenhum ato ou desvio de recursos públicos relacionados à Prefeitura”, afirma a assessoria de Loureiro.

A reportagem busca contato com a defesa do ex-secretário de Estado da Casa Civil, Luciano Veloso Lima, atualmente ocupando função na Biblioteca da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, e também alvo da Operação ‘Chabu’.

NOTÍCIAS RELACIONADAS


Estadão


PROJETO DE MORO

Câmara quer limitar MP em pacote anticrime

APÓS DERROTAS NO CONGRESSO

Rogério Marinho pode assumir coordenação política

JUAREZ CUNHA

Demitido dos Correios, 'sindicalista' estampa até selo

MONITOR BOLSONARO

Relator entrega parecer da Previdência; acompanhe projetos do governo

BASÔMETRO

Quanto apoio o governo de Bolsonaro tem na Câmara dos Deputados?

ESPECIAL

Uma história que incomoda o Planalto: 6 meses do caso Queiroz

Eliane Cantanhêde

Eliane Cantanhêde

O poder sobe à cabeça

Carlos Pereira

Carlos Pereira

Executivo e estabilidade

Vera Magalhães

Vera Magalhães

E se fosse o juiz do Flávio?

Fausto Macedo

Fausto Macedo

Ação contra limitação de honorários a procuradores do Paraná terá rito abreviado

Gestão, Política & Sociedade

Gestão, Política & Sociedade

Inovação nas políticas públicas: o desafio de construir capacidades inovadoras

José Nêumanne

José Nêumanne

As carpideiras de Levy


Imagem de player

Joaquim Levy pede demissão do BNDES

Nenhum comentário:

Postar um comentário