Felipe Amorim
Do UOL, em Brasília
Bruno Santos/Folhapress

O deputado afastado Rocha Loures
A defesa do deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) entrou nesta segunda-feira (5) com um pedido de habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) para que seja revogada a prisão do peemedebista.
Loures foi preso este sábado (3) por ordem do ministro do STF Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato na Corte.
O pedido de prisão foi feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República) ao STF na noite da quinta (1º) após Loures perder o foro privilegiado. Ele deixou de ser deputado federal após Osmar Serraglio – de quem era suplente -- deixar o comando do Ministério da Justiça e voltar para Câmara dos Deputados.
No pedido, o advogado Cezar Bitencourt afirma que a ordem de prisão do deputado foi baseada em "erros crassos" do processo.
"Lamentável, profundamente lamentável erros crassos dessa natureza para fundamentar uma prisão preventiva do paciente, absurdamente fundada em erros e equívocos", diz o documento da defesa.
Como exemplo, Bitencourt contrapõe a afirmação feitas no pedido de prisão de que Loures vinha cometendo crimes "há longa data" com o depoimento do empresário Joesley Batista ao afirmar que teria conhecido o deputado no dia seis de março.
VÍDEO MOSTRA DEPUTADO LIGADO A TEMER RECEBENDO PROPINA
O "homem da mala"
Loures foi preso às vésperas do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que começa nesta terça-feira (6), que pode fazer com que Temer tenha o mandato cassado.
O deputado é apontado pela PGR como o "homem de total confiança" do presidente Michel Temer e foi flagrado em abril correndo por uma rua no bairro dos Jardins, zona oeste de São Paulo, com uma mala entregue das mãos de Ricardo Saud, um dos executivos do frigorífico JBS que fez acordo de delação premiada.
Eram 10 mil notas de R$ 50, que somadas davam R$ 500 mil. A mala e os valores foram devolvidos por Loures à PF.
Segundo os delatores da empresa, Loures atuaria como intermediário de Temer junto à JBS, atendendo aos interesses da empresa no governo. Em conversa gravada por Joesley Batista, um dos donos da JBS, Temer teria dito ao empresário que Loures era quem Joesley deveria procurar para tratar de assuntos da companhia junto ao governo. A defesa do presidente nega que a gravação corresponda "à realidade do diálogo".
A prisão aprofunda a crise que afeta o governo Temer desde a divulgação da delação da JBS, que inclui a gravação de uma conversa com Joesley Batista em que o presidente supostamente dá aval para que o empresário comprasse o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso e condenado na Operação Lava Jato.
O presidente tem afirmado que não participou de atos ilegais e que tem pressa na tramitação do inquérito para que os fatos sejam esclarecidos.
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