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quarta-feira, 13 de março de 2024

Covid-19 e dengue: procura por atendimento eleva e causa risco de sobrecarga nos hospitais do RS

 Maior preocupação é com os serviços de urgência e emergência da rede pública de saúde


O crescente número de casos de dengue e Covid-19 no Rio Grande do Sul ainda não reflete em aumento de internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS). Contudo, autoridades e especialistas na área monitoram os indicadores com atenção e mantêm estruturas de pronto atendimento preparadas, pois é crescente a demanda por atendimento de urgência e emergência.

Desde o início do mês de março, o avanço do coronavírus é expressivo. O levantamento mais atualizado da Secretaria Estadual da Saúde (SES) aponta 7.687 novos diagnósticos positivos, sendo 1.303 novos registros apenas no início desta semana. E, atualmente, 8.792 pacientes estão em acompanhamento no Estado.

Escalada semelhante é verificada com os casos de dengue. São 17.726 pacientes confirmados para a doença no Rio Grande do Sul, sendo que 17 morreram neste ano em função da doença. O vírus está presente em 466 dos 497 municípios gaúchos.

A SES acompanha a evolução das doenças e adota medidas preventivas com o objetivo de evitar sobrecarga na rede SUS. Conforme Roberta Vanacor, diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), não houve até o momento elevação das internações, mas está comprovada demanda acima do normal por atendimento nas emergências hospitalares e pronto atendimento.

“Estamos em franca epidemia de dengue. Nas últimas quatro últimas semanas tivemos crescimento superior a 1.000 % na comparação com o mesmo período de 2023”, destaca.

Roberta cita outros vírus respiratórios, como a influenza, pressionando para cima os indicadores das emergências. Para evitar sobrecarga nas internações, a especialista afirma que o Estado trabalha em ações para o fortalecimento da rede assistência. “Repassamos R$ 13,8 milhões aos municípios para ações de enfrentamento da dengue, pois 2024 deve superar o pior ano já verificado no Rio Grande do Sul, que foi 2022.

Em Porto Alegre, as emergências dos principais hospitais já estão lotadas. O mesmo ocorre com as Unidades de Pronto Atendimento (Upas). Os leitos das emergências adulto e pediátrica dos hospitais Conceição, Santa Casa, São Lucas, Restinga, Vila Nova e Materno Infantil Presidente Vargas também apresentavam ocupação superior a 100% da capacidade na tarde de ontem. A UPA Moacyr Scliar, na Zona Norte, e as unidades de pronto atendimento da Bom Jesus, Cruzeiro e Lomba do Pinheiro também atendem acima da capacidade projetada, a exceção de leitos pediátricos.

Nesta terça-feira, todos os 56 leitos adultos e os nove pediátricos do HPCA estavam ocupados. Destes, 12 adultos e dois pacientes pediátricos estavam internados com covid e um paciente pediátrico com dengue recebia tratamento.

Segundo a coordenadora do Centro de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Caroline Deutschendorf, a instituição monitora o número de internações, que é considerado dentro da média habitual nas últimas semanas. “Com relação a dengue, aumentaram os diagnósticos do fim de fevereiro para cá, mas temos tido poucas internações”, afirma.

Devido à superlotação UPA Moacyr Scliar está sem previsão para atendimento. Devido à superlotação UPA Moacyr Scliar está sem previsão para atendimento. | Foto: Fabiano do Amaral

Plataforma para atendimento

A Secretaria da Saúde (SES) anunciou na última segunda-feira duas ações para reforçar o atendimento a pacientes suspeitos de dengue no Rio Grande do Sul. Um painel online passa a partir de hoje a estar disponível como suporte aos profissionais de saúde. Além disso, profissionais de enfermagem estão autorizados a requisitarem exames, principalmente hemogramas, nos casos suspeitos da doença.

A plataforma para manejo clínico de casos permite a identificação do estado de saúde e tratamento de cada paciente através de características, sinais e sintomas. Pela internet (em dengue.saude.rs.gov.br/manejoclinico), é possível verificar se o caso se enquadra em um dos quatro grupos (A, B, C e D) da classificação de risco ao apontar na página os sintomas como febre, cefaleia e vômitos persistentes, entre outros. A aplicação indica então o tratamento adequado para evitar o agravamento do estado de saúde, evitando o risco de óbito.

É uma ferramenta que vai nos ajudar de forma concreta e objetiva a identificar com mais agilidade os casos de dengue”, explicou a secretária da Saúde, Arita Bergmann. “A partir de agora temos mais um apoio no combate à dengue”, acrescentou.

Ela ressaltou que os profissionais de saúde devem ficar mais atentos aos e sintomas da dengue nos casos que chegam à Atenção Primária. “Não estamos valorizando os sinais entre os profissionais e a população”, destacou a secretária. “Temos que ressaltar para os profissionais da rede e à população sobre a importância de dar atenção aos sinais para evitar que tenhamos mais óbitos”.


Correio do Povo

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