quinta-feira, 21 de julho de 2022

Vandalismo em monumentos: crime é registrado com frequência na Praça da Alfândega em Porto Alegre

 Mais recente pichação na estátua de Mario Quintana e Carlos Drummond de Andrade soma-se a outros episódios de furtos e depredações



Praça da Alfândega, no Centro Histórico de Porto Alegre, contabiliza 14 esculturas dos mais variados tamanhos e homenageados, segundo levantamento da prefeitura. São pessoas diversas, cujos bustos estão eternizados por toda parte neste que é um dos principais espaços públicos e de circulação de pessoas na Capital. Ali, ocorrem eventos como a Feira do Livro, evento cultural e social de importância inquestionável. No entanto, um visitante mais incauto pode não saber quem é a maioria destas personalidades, em razão dos atos de vandalismo registradas de forma recorrente em todas as peças.

A mais recente pichação na estátua de Mario Quintana e Carlos Drummond de Andrade, registrada na manhã desta quarta, soma-se aos episódios anteriores. Placas estão faltando, parafusos estão soltos, nomes ilegíveis ou inexistentes.

“É preciso uma reação a todos estes tipos de dano que acontecem. Temos este problema que é bastante cotidiano e corriqueiro, infelizmente”, afirma o escritor e historiador da arte José Francisco Alves, autor do livro “A escultura pública de Porto Alegre”, que mapeia as obras na Capital.

De acordo com Alves, o vandalismo gera um grande prejuízo inclusive para o turismo local. “A cultura sempre é importante. Vi este dado, mas custo a acreditar, de que cada cinco pessoas que desembarcam no Aeroporto Salgado Filho, três vão para a Serra. Precisamos também segurar em Porto Alegre este público, ainda mais com toda esta arquitetura e urbanismo. É preciso ter um espaço como a nossa casa. Mas é uma vergonha ver assim os nossos símbolos”, disse.

Ele se apresenta de diferentes formas, mas, em geral, a retirada das placas e outros itens tem paralelo na busca pelo valor agregado dos metais, que podem ser trocadas por entorpecentes, por exemplo. Há, ainda, a possibilidade aventada de “simples desejo ou vontade”, segundo relata Alves. “A pessoa passa ali e tem a ideia de jogar tinta, para dar um exemplo. Esta complexidade do espaço urbano é muito grande, e os monumentos se tornam anteparos para todas estas insatisfações”.

Em que pese a Guarda Municipal reconhecer a falta de efetivo na Praça da Alfândega e afirmar que fará o reforço de equipes de dia e principalmente à noite, monumentos como os bustos de Caldas Júnior, fundador do Correio do Povo, instalada ainda em 1913, Barão do Rio Branco, de 1916, de Arnaldo Balvé, a Herma de Leonardo Truda, a Carta-Testamento de Getúlio Vargas, entre diversos outros, sofrem com a depredação e a falta de cuidado. O espelho d’água junto do Monumento ao General Osório está também mal conservado.


Monumentos como os bustos de Caldas Júnior, fundador do Correio do Povo, sofrem com a depredação e a falta de cuidado | Foto: Alina Souza

A diretora de Patrimônio e Memória da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (SMCEC), Ronice Giacomet Borges, afirma que a Praça da Alfândega, tombada pelos patrimônios federal e estadual, necessita de um projeto maior de restauro, e há a proposta de organizar um encaminhamento dele. Ainda não há prazo, mas segue uma sequência de restaurações em espaços públicos, iniciada pelo Laçador e Praça da Matriz.

O trabalho de renovação dos bustos e outras peças danificadas tem sido “sistemático”, diz Ronice, e alguns ainda hoje estão guardados na Diretoria de Patrimônio. “Existe, é claro, um grau de dificuldade em realizar alguns projetos, como verificar com o artista que fez a obra, quando possível, ou autorização das pessoas da família”.

A Prefeitura mantém o movimento “A gente vive, a gente cuida”, coordenado pela Comunicação Social e que visa conscientizar a população da importância da conservação dos espaços, trabalho que precisa iniciar desde a infância.



Correio do Povo


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