segunda-feira, 18 de julho de 2022

Europa ocidental luta contra incêndios e se prepara para temperaturas recordes

 Segundo os cientistas, existe uma relação direta entre as ondas de calor e a mudança climática



Vários países da Europa Ocidental, entre eles França e Espanha, continuam lutando, neste domingo (17), contra devastadores incêndios florestais, deflagrados por uma onda de calor que pode bater recordes de temperatura nos próximos dias.

Segundo os cientistas, existe uma relação direta entre as ondas de calor e a mudança climática, já que as emissões de gases de efeito estufa aumentam sua intensidade, duração e frequência.

Na Espanha, cerca de 20 incêndios florestais ainda estavam ativos e fora de controle em diferentes pontos do país, do sul ao norte.

Na Galícia (noroeste), os incêndios destruíram cerca de 4.500 hectares durante a semana, segundo as autoridades. E, na província de Málaga, na Andaluzia (sul), os bombeiros conseguiram estabilizar um incêndio na na serra de Mijas, que destruiu pelo menos 2.000 hectares, relataram autoridades locais.

Além disso, as chamas forçaram cerca de 3.000 pessoas a deixarem suas casas. Em torno de 2.000 já conseguiram retornar.

"Não paramos de trabalhar a noite toda", disse a conselheira andaluza da Agricultura, Carmen Crespo, à televisão pública, referindo-se ao trabalho dos bombeiros.

A agência meteorológica prevê temperaturas "significativamente altas" na maior parte do território espanhol neste domingo (17). A localidade de Don Benito, perto de Badajoz (oeste), registrou a mais alta do país até o momento, com 43,4ºC.

Em Madri, um funcionário de limpeza faleceu no sábado, por causa do calor, enquanto trabalhava, disseram autoridades locais.

Mais de 12.000 hectares arrasados em Portugal

Em Portugal, país vizinho, apenas um grande incêndio é considerado ativo, perto do município de Chaves, no extremo-norte. Está "praticamente controlado" em 90% de seu perímetro, segundo a Defesa Civil.

Quase todo território português apresentava um risco "máximo", "muito alto", ou "elevado" de registrar incêndios neste domingo, especialmente nas regiões centro e norte. Ainda assim, nenhum alerta vermelho pelo calor foi emitido neste domingo pelo instituto meteorológico português.

É a primeira vez desde 8 de julho que as temperaturas em Portugal não devem ultrapassar os 40°C.

Os incêndios da última semana deixaram dois mortos e cerca de 60 feridos, conforme o último balanço das autoridades. As chamas destruíram entre 12.000 e 15.000 hectares, segundo cálculos oficiais.

Na Grécia, outro país onde foram declarados incêndios nos últimos dias, as autoridades decidiram evacuar sete povoados, preventivamente, em uma zona de Retimno, na ilha de Creta. A Defesa Civil local já informou que o incêndio declarado na sexta-feira nesta ilha está controlado.

"Onda de calor se espalha"

Na França, a situação é crítica. No sudoeste do país, os bombeiros continuam lutando contra dois incêndios que já devastaram em torno de 11 mil hectares desde terça-feira na região de Bordeaux, uma área equivalente à de Paris, relatou à AFP o engenheiro Guillaume Rozier.

Segundo a agência meteorológica Météo-France, as temperaturas podem chegar a 40ºC nessa área. No domingo, 51 departamentos estavam sob vigilância laranja, 15, sob a vermelha, a mais alta, devido à escalada dos termômetros. "O calor está aumentando, a onda de calor está se espalhando pelo país", advertiu a mesma agência.

As autoridades preveem que segunda-feira (18) será o "dia mais quente para o oeste do país", com temperaturas que podem ultrapassar os 40ºC nas regiões da Bretanha, Baixa Normandia, Aquitânia e Occitânia ocidental.

Na turística Baía de Arcachon, às margens do Atlântico, os bombeiros conseguiram deter o avanço do fogo, embora na madrugada de domingo "vários novos incêndios ameaçassem os acampamentos da duna de Pilat, os quais tiveram de ser evacuados", disse a prefeitura da região de Gironde no Twitter.

Na área de Teste-de-Buch, as chamas avançaram durante a noite e já destruíram 3.400 hectares. Mais para o interior, perto de Landiras, os incêndios perderam intensidade, graças a uma "estratégia eficaz" que consiste em provocar "incêndios táticos e criar corta-fogos", explicou um porta-voz dos bombeiros. Pelo menos 7.100 hectares já foram queimados.

As temperaturas também não estão caindo no Reino Unido, onde as autoridades emitiram a primeira emergência nacional por calor extremo. Este alerta "vermelho" implica um "risco de vida", segundo a agência meteorológica local. No sul da Inglaterra, as temperaturas podem passar dos 40°C pela primeira vez na segunda ou na terça-feira.

E, na Holanda, os organizadores de uma trilha de quatro dias cancelaram, por causa do calor extremo, o primeiro dia do evento que começaria na terça-feira (19). Em algumas áreas do país, a temperatura poderá chegar a 38ºC neste dia.

AFP e Correio do Povo

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