terça-feira, 19 de julho de 2022

Após falas de Bolsonaro, presidente do Tribunal Superior Eleitoral pede “basta à desinformação e ao populismo autoritário”

 


Minutos após o presidente Jair Bolsonaro (PL) fazer uma apresentação para embaixadores com uma série de ataques ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, rebateu as acusações feitas pelo presidente e chamou o episódio desta segunda-feira de “encenação”.

Sem citar o nome de Bolsonaro, mas em um discurso bastante duro, que durou cerca de 40 minutos, Fachin disse que é preciso dar um “basta à desinformação e ao populismo autoritário”. O presidente do TSE classificou a apresentação do presidente, que divulgou informações sobre um suposto ataque hacker às urnas, como uma tentativa de “sequestrar a ação comunicativa e sequestrar a opinião pública e a estabilidade política”.

“Há um inaceitável negacionismo eleitoral por parte de uma personalidade importante dentro de um País democrático, e é muito grave a acusação de fraude (má fé) a uma instituição, mais uma vez, sem apresentar provas”, afirmou Fachin na abertura de um evento da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná.

Segundo o presidente do TSE, no caminho rumo às eleições de outubro criam-se “encenações interligadas” como “o país está a assistir”, em referência ao evento de Bolsonaro, que foi transmitido em cadeia nacional.

“São eventos órfãos de embasamento técnico e pobres em substância argumentativa, e que violam as bases históricas do contrato social da comunicação, assim como premissas manifestas da legalidade constitucional”, disse.

Fachin ainda falou:

“Essa é a manipulação: tentar sequestrar a ação comunicativa e, desse modo, a opinião pública e a estabilidade política expõem-se a riscos contínuos”, apontou.

Em seu discurso, Bolsonaro voltou a fazer acusações infundadas sobre a segurança e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Bolsonaro decidiu se encontrar com embaixadores depois que Fachin fez uma reunião com algumas representações e, segundo o presidente, ter atacado à Presidência da República de forma indireta. Ele chegou a chamar a iniciativa do ministro de “estupro à democracia”.

“Não é o TSE que conta os votos, é uma empresa terceirizada. Acho que nem precisava continuar essa explanação aqui. Nós queremos obviamente, estamos lutando para apresentar uma saída para isso tudo. Nós queremos confiança e transparência no sistema eleitoral brasileiro”, disse o presidente.

Aos embaixadores, Bolsonaro falou com base em um inquérito aberto pela Polícia Federal em 2018, com autorização do STF, sobre a invasão de um hacker ao sistema do TSE. Ainda segundo o presidente, o voto impresso seria mais seguro que as urnas eletrônicas e somente dois países em todo o mundo usavam urnas eletrônicas.

Fachin rebateu todas essas afirmações e disse ser grave “o envolvimento da política internacional e também das Forças Armadas” em acusações de fraude.

O Sul

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