terça-feira, 24 de maio de 2022

Revista Time elege dois brasileiros entre 100 mais influentes: líder indígena Sônia Guajajara e pesquisador Túlio de Oliveira

 Ranking ainda conta Volodymyr Zelensky, Vladimir Putin, Gabriel Boric e outros líderes



Revista Time divulgou nesta segunda, 23, sua lista das 100 pessoas mais influentes do mundo no último ano, com dois brasileiros: a líder indígena Sônia Guajajara e o pesquisador Túlio de Oliveira. Guajajara é coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil pela Amazônia (Apib) e foi candidata a vice-presidente em 2018, na chapa de Guilherme Boulos (PSOL). Boulos, inclusive, é quem assina o texto sobre ela, no qual destaca que os pais de Sônia eram analfabetos e ela saiu de casa aos 10 anos para trabalhar, mas ainda conseguiu se formar na faculdade (ela tem graduações em letras e enfermagem). Ainda relembra a participação da líder indígena na COP26, que levou à criação de um fundo de US$ 1,7 bilhão para auxílio aos povos tradicionais da Amazônia que ajudam na preservação da floresta, e os protestos contra o governo Bolsonaro e mudanças legislativas que considera ser prejudiciais aos povos nativos. “Sônia é uma inspiração não apenas para mim, mas para milhões de brasileiros que sonham com um país que acerte suas dívidas com o passado e finalmente acolha o futuro”, escreve Boulos.

Oliveira, por sua vez, foi citado ao lado de Sikhulile Moyo, por uma descoberta fundamental para o combate à pandemia: o da circulação da variante Ômicron. O pesquisador brasileiro é diretor do Centro de Resposta Epidêmica e Inovação da África do Sul e, ao lado de Moyo, foi um dos primeiros a identificar e informar sobre a nova variante, que se tornou a dominante no mundo inteiro pouco tempo depois. John Nkengasong, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África, assina o texto, com críticas à resposta dos países, que limitaram voos de países africanos após a informação, e diz que Oliveira e Moyo ainda irão contribuir para a ciência e podem inspirar pessoas a trabalhar com saúde pública.

Além dos brasileiros, a lista foi marcada principalmente por presidentes. Da América Latina, o representante foi Gabriel Boric, eleito presidente do Chile. O texto assinado pelo economista vencedor do prêmio Nobel Joseph Stiglitz afirma que a vitória de Boric “representa uma troca de guarda, mas algo mais importante: marcou uma mudança na direção da economia do Chile e possivelmente do mundo”, e que ele demonstrou empatia, capacidade de comunicação e grande conhecimento da história do país. Outro que aparece nas primeiras posições é Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, que foi descrito como um “líder digno da bravura e resiliência do povo ucraniano” pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Vladimir Putin, da Rússia, tem um perfil assinado por Alexei Navalny, um de seus maiores opositores, que diz que “se alguém destrói a mídia independente, organiza assassinatos políticos e se apega às suas ilusões imperiais, então ele é um louco capaz de causar um banho de sangue no centro da Europa no século 21”. Navalny hoje está preso, condenado a nove anos de prisão por casos de fraude. Outros líderes que aparecem na lista são o primeiro-ministro da China, Xi Jinping e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Jovem Pan

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