sexta-feira, 25 de março de 2022

Tribunal Superior Eleitoral sugere ao Telegram adesão imediata a programa contra fake news nas eleições

 


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o aplicativo de mensagens Telegram fizeram nesta quinta-feira (24) a primeira reunião para falar sobre o enfrentamento da disseminação de conteúdos falsos durante as eleições.

O TSE vinha buscando contato com a plataforma há meses, mas todas as tentativas de contato das autoridades brasileiras haviam sido ignoradas. O cenário mudou depois que a empresa se viu sob ameaça de perder o direito de operar no Brasil. Diante do risco de suspensão das atividades, o aplicativo escalou o advogado Alan Campos Elias Thomaz, especialista em Direito Digital, como representante no País. Foi ele quem participou da reunião virtual com os membros do tribunal.

A Corte informou que o encontro serviu para debater “formas de colaboração para eleições legítimas e seguras”. A intenção do TSE é formalizar uma parceria nos moldes já firmados com as principais redes sociais e aplicativos de mensagem no mês passado para combater notícias falsas sobre o processo eleitoral. O foco de atenção serão os ataques ao sistema eletrônico de votação, capitaneados por apoiadores do governo e pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com o TSE, o advogado do Telegram sinalizou que a plataforma está empenhada no combate à desinformação e se comprometeu a levar a proposta aos executivos. O Estadão entrou em contato com o escritório de Thomaz, mas a banca informou que “não comenta os casos envolvendo os seus clientes”.

O termo de adesão já foi, inclusive, disponibilizado ao aplicativo. O tribunal propôs a assinatura imediata do documento. A parceria tem viés administrativo e colaborativo e não passa por regulação ou sanção em caso de descumprimento.

“Esse ato significa a concretização de um trabalho em parceria para tornar o ambiente digital mais saudável para a sociedade e pela democracia”, afirma o TSE.

Maior canal

Com 1,2 milhão de seguidores, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem o maior canal do Telegram no Brasil. O levantamento foi feito como base em dados das plataformas Telegram Analytics e Telemetrio.

Bolsonaro é o 3º político mais seguido no mundo, ficando atrás só do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (1,5 milhão), e do líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov (1,4 milhão), segundo o Telegram Analytics. O Telemetrio não oferece um bom filtro sobre políticos.

No Telegram Analytics, do próprio Telegram, o canal de Bolsonaro aparece como o 35º maior do mundo. No Telemetrio, o presidente está na 135ª posição. A 1ª plataforma atualiza dados mais rápido que o Telemetrio.

O Sul

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