quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Intenção de Consumo das famílias tem queda e atinge o nível de 60,1 pontos em outubro

 A edição de outubro da Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou 60,1 pontos, o que representou um recuo de 5,8% frente ao mês passado e de 32,9% em relação ao mesmo período de 2019. Os dados foram divulgados pela Fecomércio-RS nesta terça-feira (3/11). Desde março, mês em que se adotaram as primeiras medidas de distanciamento social, a perda acumulada foi de 39,4%. No mês de outubro todos os componentes analisados tiveram queda na margem, exceto o indicador de "acesso a crédito" que apresentou estabilidade (0%). Vindo de uma queda de 4,8% o ICF intensificou as perdas no mês e segue sem dar sinais de recuperação.


Na análise da situação atual, os indicadores de confiança quanto a permanência no emprego atual e em relação ao nível de renda atual atingiram, respectivamente, 78,6 pontos e 79,7 pontos, após variação de -8,5% para o primeiro e -1,7% no segundo caso.

 

Embora a crise tenha tido maior impacto no grupo de famílias que possui renda de até 10 salários mínimos (SM) no que diz respeito a segurança em relação ao emprego, passados sete meses desde o início das medidas de distanciamento social, a situação das famílias com renda superior a 10 SM também se agravou. Enquanto o primeiro grupo sofreu um impacto forte de imediato, desde junho se observa uma contração mensal mais intensa no segundo grupo relativamente ao primeiro, indicando a piora na situação das famílias de maior renda. Com retração mensal de 9,4% (88,9 pontos) no indicador para esse grupo de famílias, e queda de 8,3% no grupo de renda menor (76,2 pontos), o índice de emprego atual caiu para os 78,6 pontos, o menor desde o início da série histórica em janeiro de 2010.

 

Já na renda atual, a queda de 1,7% no mês interrompeu uma sequência de duas altas consecutivas, estando o indicador 31,1% abaixo de seu nível em março de 2020. O resultado nesse indicador, porém, foi praticamente em função da diminuição da percepção da renda atual pelo grupo das famílias com mais de 10 SM (88,9 pontos), tendo variado -5,9%, ao passo que o grupo de renda inferior (77,5 pontos) apresentou contração de 0,5%.

 

Os indicadores de nível de consumo atual, acesso a crédito e momento para duráveis servem como um termômetro para avaliar a situação geral do consumo. Embora as condições atuais de crédito estejam melhores do que períodos anteriores, fruto das taxas de juros menores em decorrência da Selic em mínimos históricos, a disposição de famílias cautelosas para comprometer seu orçamento com compras parceladas é pequena diante de uma insegurança quanto aos próximos meses. O nível de consumo atual e momento para duráveis reforçam esse contexto ao registrar em outubro a sétima taxa mensal negativa consecutiva, caindo para patamares muito baixos historicamente.

 

“Os resultados do ICF apontam para a cautela das famílias em consumir diante de um cenário de incerteza quanto à pandemia, quanto ao ritmo da retomada econômica e, portanto, do mercado de trabalho, ao se considerar a proximidade do encerramento dos programas governamentais que foram e têm sido tão fundamentais para a recomposição de renda das famílias. Precisamos continuar unindo esforços e agindo com responsabilidade para que a retomada possa continuar ganhando força e os caminhos para a saída dessa crise possam se tornar cada vez mais claros para todos”, comentou o presidente da federação, Luiz Carlos Bohn.

 

No que se refere a expectativas, a perspectiva profissional atingiu o pior patamar desde o começo da série histórica, em janeiro de 2010. Aos 52,8 pontos, o indicador teve a sétima queda consecutiva ao se contrair 14,1%. Em relação ao mesmo mês de 2019 houve recuo de 37,1%. A perspectiva de consumo para os próximos meses, aos 44,8 pontos teve nova queda e se encontra muito próximo aos menores níveis já registrados.


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