segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Taxistas de Porto Alegre têm metade da frota parada e observam retomada lenta

Presidente do Sintáxi salienta impacto da pandemia enquanto categoria se adapta à concorrência de aplicativos

Redução de movimento na Rodoviária é um dos problemas

O presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), Luiz Nozari, pontua que a situação nunca foi tão ruim, mas que a categoria está sobrevivendo. “Alguns estão trabalhando mais de 15 horas por dia para conseguir garantir o alimento, outros estão vivendo de ajuda de amigos ou da família, mas mais da metade da frota de 3,8 mil táxis está parada”, destaca. Conforme Nozari, aqueles que efetivamente precisam trabalhar seguem nas ruas, mas enfrentam muitas dificuldades com o movimento ainda baixo.
O aplicativo do Sintáxi, de acordo com Nozari, tem demonstrado um fluxo considerável em comparação com aquele observado nas ruas ou nos pontos fixos dos táxis. “Tivemos aumentos, principalmente pelo uso por parte das empresas, muitos estão descobrindo que o táxi está ficando mais barato que o ônibus e acabam optando por transportar os funcionários desta forma”, explica.
Segundo Nozari, isso deve trazer uma mudança positiva pós-pandemia. “Vamos tentar fazer do limão uma limonada”, enfatiza. Um dos principais prejuízos está na queda do movimento da Estação Rodoviária de Porto Alegre. “Eram 380 carros somente naquele ponto fixo, então isso prejudicou bastante”, afirma. Os taxistas que não conseguem trabalhar e não têm apoio de amigos ou familiares estão sendo ajudados pelo Sintáxi com cestas básicas. “Nossa expectativa é que isso passe logo para voltarmos a trabalhar, pois a missão é manter o táxi vivo”, reitera.
A partir de 2015, conforme Nozari, o táxi passou a ter a concorrência dos aplicativos de transporte. “Até estávamos nos adaptando, melhorando o nosso serviço e aí veio a pandemia, uma situação que jamais imaginamos passar, mas desde agosto o movimento já é maior”, pondera. Além disso, Nozari ressalta que é preciso que os taxistas continuem se adaptando às tecnologias, principalmente a aplicativos como o do Sintáxi. “Acho que não tem outra saída, quem não se adaptar à nova realidade está fadado ao fracasso”, comenta.
Nozari afirma que ainda há muita resistência por parte da categoria. “A maioria deve se adaptar, os que não se adaptarem continuarão com o carro estacionado no ponto ou esperando por passageiros na rua, mas não vai dar pra viver como vivíamos antes dos aplicativos, temos que oferecer o que o mercado quer, mas muitos ainda são contra o fato de que hoje a realidade é outra”, assinala.
Correio do Povo

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