Michel Temer perde força após votação, avaliam analistas

Economia brasileira pode ser afetada e desacelerar com mais impostos

Com menor influência política, economia brasileira pode ser afetada e desacelerar com mais impostos | Foto: Marcos Corrêa / PR / CP

Com menor influência política, economia brasileira pode ser afetada e desacelerar com mais impostos | Foto: Marcos Corrêa / PR / CP

Especialistas avaliam que, apesar da vitória do presidente Michel Temer na Câmara, ele terá menos força política do que antes. Isso pode afetar a economia, que poderá desacelerar com mais impostos - até as reformas estariam em risco.

O professor Leonardo Pantaleão, do Centro Preparatório Jurídico (CPJUR), lembra que o arquivamento é uma espécie de suspensão, e que o processo pode ser reaberto depois do fim do mandato, passando então para o âmbito da Justiça comum. Professor de Ética e Filosofia da Unicamp, Roberto Romano acredita que Temer, agora, será um presidente mais fraco, reduzindo ainda mais a confiança do eleitor. O descontentamento, avalia Romano, leva a população a buscar candidatos autoritários ou messiânicos e isso é grave, porque, em geral, são oportunistas.

Para ele, não bastava ao presidente ganhar a votação, mas ter uma vitória expressiva para mostrar ao mercado financeiro força na base de deputados, para garantir a aprovação dos projetos que estão em andamento, como a reforma da Previdência.

Na visão de Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais, o mercado financeiro tem se ajustado à situação atual do País, de altas e baixas, de acordo com as condições das notícias que surgem sobre o país. Contudo, Bandeira alerta para índices como a inflação, déficit em conta corrente e o nível de endividamento, que devem subir até o final do ano. Ele afirma que o governo corre o risco de desacelerar a economia, que começa a apresentar uma leve reação nos últimos meses, ao aumentar tributos, como no caso do combustível, ou com a chegada de um novo imposto para garantir que cumprirá a meta fiscal.

O economista também acredita que o empresariado local só vai investir no país novamente no curto e médio prazos, se as reformas que foram prometidas saírem. Por outro lado, avalia que os investidores estrangeiros se aproveitam do momento em que o Brasil se tornou muito "barato", seja para compra, fusões ou investimentos, para ficar 30 ou 50 anos por meio de uma concessão.

O cientista político Bruno Souza, por sua vez, afirma que a classe política sabe que o custo político é alto, enquanto a Operação Lava Jato continuar. "Haverá mais dificuldade para negociar com suas bases eleitorais para tentar uma reeleição", diz.

Na sua análise, Souza avalia que o processo político atual está complexo, porque mesmo os deputados da oposição estão envolvidos em denúncias. Então, diz ele, não há projeto político e há uma perda de referencial por parte do eleitorado, que continua distante dos políticos.


Estadão Conteúdo e Correio do Povo

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