Após demissão de diretor técnico da Procempa, empresas de ônibus contratarão monitoramento por GPS

Sócio de empresa responsável por testes de monitoramento via GPS em coletivos da Carris, Michel Costa é alvo de investigações

Por: Carlos Rollsing


Após demissão de diretor técnico da Procempa, empresas de ônibus contratarão monitoramento por GPS Félix Zucco/Agencia RBS

Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Diretor-técnico da Procempa e presidente do Conselho de Administração da Carris, Michel Costa entregou nesta quarta-feira carta de demissão ao prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Junior. A saída ocorre 26 dias após reportagem do Grupo de Investigação da RBS (GDI) revelar que a Safeconecta, empresa da qual Michel é sócio, era a única a fazer testes de monitoramento de ônibus via GPS na própria Carris. Essa fase precede o lançamento de licitação para aquisição definitiva do serviço. Em um contrato de cinco anos, a prefeitura estimou que o negócio deve variar entre R$ 9 milhões e R$ 12 milhões.

A aquisição de GPS para a frota e de serviços de câmeras de vigilância, reconhecimento facial nos coletivos e adoção de meios virtuais de pagamento das tarifas estavam entre as prioridades da gestão. A coordenação dos projetos era de Costa, que agora deixa a função "a fim de garantir transparência nas avaliações do município e de seus órgãos de controle", informou a prefeitura em nota.

Leia mais:
Diretor da Procempa é sócio de empresa que realiza teste de GPS na Carris
MP abre inquérito para investigar conduta de diretor da Procempa
Ministério Público de Contas vai apurar atuação de diretor técnico da Procempa

O governo ainda anunciou que "a diretoria-técnica da Procempa será acumulada pelo presidente da companhia, Paulo Roberto Miranda. No Conselho de Administração da Carris, assumirá, neste momento, o suplente Cássio Mattos".

— Ele vinha fazendo um serviço de TI importante para o município, uma série de aplicativos. Mas o mercado tem outras pessoas qualificadas para tocar esses projeto — avaliou o vereador Clàudio Janta (SD), líder do governo na Câmara.

A prefeitura disse que a contratação do monitoramento de ônibus por GPS será feita diretamente pelas empresas de ônibus da cidade — uma mudança ao plano anterior à publicação das reportagens, quando a ideia era fazer licitação única pelo Executivo para todo o sistema de transporte.

Empresário da Tecnologia da Informação, especializado em meios de pagamento e monitoramento, Costa é sócio de mais de uma dezena de startups do ramo. Ele conquistou a confiança de Marchezan ainda durante a campanha de 2016, quando a OWL Gestão e Tecnologia, que o tinha como sócio, coordenou as redes sociais do então candidato. Depois, a mesma empresa desenvolveu e registrou o Banco de Talentos, uma das principais vitrines de Marchezan. Vencido o pleito, o prefeito entregou a Costa uma das tarefas prioritárias da gestão: avaliar e contratar tecnologias que modernizassem a cidade. As pressões sobre o empresário e gestor público se agravaram quando outra reportagem do GDI revelou que a OWL, no segundo semestre de 2016, prestou um serviço de protocolo ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). O contrato, apontou a Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (Cage), teria sobrepreço de R$ 422 mil. A seleção de prestadora de serviço, via cartas-convite, foi feita com a participação de cinco empresas dos mesmos proprietários — incluindo Costa.

Ele passou a ser, desde a revelação de que a Safeconecta fazia testes na Carris, investigado pelo Ministério Público (MP), Ministério Público de Contas (MPC) e por uma comissão da Procuradoria Geral do Município (PGM). No caso do Daer, também há apurações do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e uma sindicância do governo estadual. Um depoimento de Costa, com o objetivo de prestar esclarecimentos, havia sido marcado para acontecer na Câmara de Vereadores para o próximo dia 17. Com o pedido de demissão, Janta acredita que a sessão não será mais necessária. O mesmo não ocorrerá com o MP e o MPC, que asseguraram o prosseguimento das investigações para averiguar se Costa incorreu em conflito de interesse e eventual improbidade administrativa.

— O projeto de tecnologia do Marchezan e a sua relação com empresários do ramo estão sob suspeita. As empresas desse senhor (Costa) vão continuar trabalhando para o governo? Seria uma saída conveniente. Ele (Costa) não era qualquer um, foi a Paris junto com o Marchezan. O governo ainda deve explicações — avaliou o vereador Roberto Robaina (PSOL).

Em reunião com Marchezan, Costa entregou a carta de demissão. Após o almoço, fez a última reunião com chefes da área técnica da Procempa. Procurado pela reportagem, disse que estará à disposição para falar a partir da próxima terça-feira.



Zero Hora


Reforma políticaComissão da Câmara aprova "distritão" para eleições de 2018 e 2020

Inflação do aluguelIGP-M acumula queda de 1,83% em 12 meses, mostra primeira prévia de agosto


Segue para CâmaraSenado aprova PEC que torna estupro crime imprescritível

Após depoimento

JBS agiu de forma padronizada na véspera da delação de Batista, diz advogado

Economia

Planejamento prevê impacto de 0,6 ponto percentual no PIB com FGTS inativo

Lava Jato

TRF4 nega pedido de soltura de João Vaccari Neto

PeculatoMPF ratifica denúncia contra ex-deputados no caso da “farra das passagens"

InternacionalPresidente da Constituinte da Venezuela critica novas sanções dos EUA

Medida provisóriaReunião sobre mudanças em renegociação de dívidas com a União termina sem acordo

InternacionalCoreia do Norte diz que tem quatro mísseis para atacar bases dos EUA em Guam

JapãoBomba da 2ª Guerra Mundial é encontrada perto da Central Nuclear de Fukushima

Fiocruz

Transmissão de zika por pernilongo pode explicar incidência em algumas regiões

Nenhum comentário:

Postar um comentário