Na véspera do início dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, cerca de 64% dos ingressos foram vendidos. Segundo a Rio 2016, organizadora dos Jogos, das 2,5 milhões de entradas disponíveis, 1,6 milhão foram vendidas até hoje (6).
Para a cerimônia de abertura, marcada para as 18h15 de amanhã (7), no Maracanã, já foram vendidos quase todos os 45 mil ingressos disponíveis, mas ainda é possível comprar algumas entradas a preços mais caros. As finais de algumas modalidades, como o basquete em cadeira de rodas, o rugby e o futebol de 5, já estão esgotadas. O objetivo da Rio 2016 é vender pelo menos 80% das entradas, o que significa 2 milhões de ingressos.
O Comitê Paralímpico Brasileiro fez uma grande campanha nas redes sociais convocando o público para prestigiar o evento, porque a venda de ingressos estava baixa. A 15 dias dos jogos,apenas 20% dos ingressos tinham sido vendidos.
As primeiras disputas da Paralimpíada 2016 estão marcadas para a próxima quinta-feira (8). O CPB espera que o Brasil chegue em 5º lugar no quadro de medalhas, com desempenho melhor do que em Londres, em 2012, quando ficou em 7º lugar, com 43 medalhas no total (21 de ouro, 14 de prata e oito de bronze). O evento, que ocorre de 7 a 18 de setembro, terá a presença de 4.350 atletas de 160 países, competindo em 22 modalidades.
Atletas surdos não participam de Paralimpíada
Sabrina Craide - Repórter da Agência Brasil
Entre os mais de 4,3 mil atletas com algum tipo de deficiência que estarão participando da Paralimpíada do Rio de Janeiro a partir de amanhã (7), não há deficientes auditivos. Os surdos não participam dos Jogos Paralímpicos e têm uma competição específica, que é a Surdolimpíada (Deaflympics). A próxima edição está marcada para julho do ano que vem, na Turquia.
Atualmente, o Comitê Internacional de Desportos de Surdos (ICSD) não é filiado ao Comitê Olímpico Internacional (COI) nem ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC) . A presidente da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), Deborah Dias, conta que, em 1990, houve grande confusão nos comitês olímpicos nacionais sobre os jogos para atletas surdos. “Muitas das organizações nacionais desportivas de surdos, que antes tinham vínculos diretos e harmoniosos com o seu Comitê Olímpico Nacional, perderam essas ligações e foram forçadas a se unirem a uma organização desportiva nacional de deficientes, perdendo a autonomia e grande parte do financiamento”, diz.
Depois disso, em 1995, o ICDC, por decisão da maioria dos delegados, decidiu se retirar do IPC. No início deste ano, o Comitê Internacional de Desportos de Surdos e o Comitê Olímpico Internacional assinaram um memorando de reconhecimento com o objetivo de fortalecer as relações entre as organizações de desporto para pessoas com diferentes capacidades.
Para Deborah, apesar de continuar realizando seus próprios jogos mundiais, a falta de visibilidade e de reconhecimento dificulta a obtenção de financiamento do esporte para surdos por empresas públicas e privadas. “Com essas dificuldades, os surdoatletas, quando não estão motivados, acabam desistindo de seus sonhos. Outros conseguem realizar, arcando com as despesas de treinamento e das competições de seu próprio bolso e de doações de alguns amigos e familiares”, diz a presidente da CBDS.
Saiba Mais
Apesar disso, ela acredita que não haverá uma integração dos atletas surdos na Paralimpíada. “Nos Jogos Surdolímpicos, os atletas são capazes de competir e interagir entre si livremente, sem a necessidade de intérpretes de língua de sinais. Se os atletas surdos forem competir nos Jogos Paralímpicos, será necessário um grande número de intérpretes de língua de sinais para evitar as barreiras de comunicação”, explica. Ela também lembra que nos Jogos Paralímpicos há uma restrição no número de competidores e, se a paralimpíada tivesse que absorver os cerca de 2,5 mil surdoatletas que participam dos jogos Surdolímpicos, poderia haver cortes em modalidades esportivas de atletas com outras deficiências, prejudicando tanto os paratletas quanto os surdoatletas.
Segundo ela, os surdos não se consideram pessoas com deficiência. “Pelo contrário, nós nos consideramos parte de uma minoria linguística e cultural. Em esportes de equipe e alguns individuais, a perda auditiva pode trazer algumas dificuldades ao atleta. No entanto, isso desaparece nos Jogos de Surdos”, diz. Segundo Deborah, as regras nos esportes para surdos são idênticas às de atletas sem deficiência, e a única adaptação que deve ser feita é a substituição da sinalização auditiva por visual. Entre os atletas que têm permissão para competir nos Jogos de Surdos não há classificações ou restrições, exceto a exigência de que tenha perda auditiva de pelo menos 55 decibéis no melhor ouvido.
Financiamento
A presidente da CBDS diz que a entidade não tem nenhum financiamento regular e sobrevive há 32 anos por meio do trabalho voluntário. “Às vezes, conseguimos algumas parcerias com entidades públicas ou privadas para a realização de competições e treinamentos, mas não são permanentes nem suficientes para atender a toda a demanda do surdodesporto brasileiro”, afirma.
Ela também critica o fato de que os benefícios do programa Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte, recebidos pelos surdos são em valores menores do que os recebidos pelos atletas ouvintes da mesma modadlidade , pois o Ministério considera o esporte de surdos como modalidade não olímpica. “ Dessa forma, por exemplo, um judoca medalhista em Surdolimpíada recebe bolsa pela categoria internacional, enquanto um judoca ouvinte medalhista na Olimpíada recebe bolsa pela categoria olímpica ou pódio”, diz a dirigente.
Por não ter patrocinadores, a maioria dos surdoatletas brasileiros não tem a opção de se dedicar exclusivamente ao esporte, tendo que trabalhar e prejudicando o treinamento. Também não recebemos prêmios de valor financeiro quando conquistamos alguma medalha”, acrescenta Deborah.
Os Jogos Paralímpicos 2016 serão transmitidos pela TV Brasil, em parceria com emissoras da Rede Pública de Televisão dos estados.
Fraude cometida há 16 anos em Paralimpíada ainda prejudica atletas
Sabrina Craide - Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - Escultura dos Agitos, símbolo dos Jogos Paralímpicos, é inaugurada na Praia de CopacabanaTânia Rêgo/Agência Brasil
Uma fraude cometida por atletas da delegação da Espanha durante a Paralimpíada de Sydney, em 2000, fez com que os atletas com deficiência intelectual ficassem de fora das disputas mundiais por 12 anos. A farsa, considerada um dos grandes escândalos do esporte mundial, até hoje prejudica esses atletas, que estarão disputando medalhas na Paralimpíada do Rio de Janeiro, mas com participação reduzida.
Em 2000, durante a Paralimpíada de Sydney, um grupo de pessoas se fez passar por atletas com deficiência mental para integrar a delegação de basquete da Espanha. A seleção ganhou medalha de ouro, mas a história foi revelada meses depois por um jornalista, que integrava o grupo. Em 2013, eles tiveram que devolver as medalhas e os prêmios recebidos.
Saiba Mais
Após esse episódio, o Comitê Paralímpico Internacional decidiu que não haveria mais provas para deficientes mentais nos campeonatos promovidos pela entidade. Por isso, esses atletas não participaram da Paralimpíada de Atenas, em 2004, de Pequim, em 2008, e tiveram seu retorno liberado nos jogos de Londres, em 2012 . Também não houve competição para deficientes intelectuais nos Jogos Parapan-Americanos realizados no período, inclusive nos do Rio de Janeiro, em 2007.
Neste ano, os atletas com deficiência intelectual vão participar de provas na natação, no atletismo e no tênis de mesa. O Brasil terá três atletas com esse tipo de deficiência disputando medalhas: Daniel Tavares, no atletismo, e Beatriz Borges Carneiro e Felipe Caltran Vila Real, na natação.
Ssegundo o coordenador técnico da Associação Brasileira de Desporto para Deficientes Intelectuais (Abdem), Roberto Di Cunto, mesmo agora que a situação já foi regularizada, a inclusão está sendo feita aos poucos. “Ainda é uma participação bem pequena, só liberaram quatro provas em cada modalidade”, diz. Segundo ele, há expectativa de que na próxima Paralimpíada, em Tóquio, haja mais provas no atletismo e na natação, mas isso só será conhecido mais tarde.
Para Di Cunto, a decisão de banir os atletas com deficiência intelectual de jogos mundiais foi injusta. “Foi uma decisão que a gente nunca vai concordar nem entender. A Espanha fez a fraude e o mundo inteiro pagou o pato”, lamenta.
Segundo o dirigente, a classificação dos deficientes intelectuais no paradesporto exige laudos de psicólogos para comprovar a deficiência. “ São vários testes que têm de ser feitos para saber que ele é deficiente e uma parte descritiva, falando das dificuldades que a pessoa tem no dia a dia, de locomoção, cuidar de dinheiro, trabalho. É um laudo bem complexo, com documentos para comprovar isso”, diz.
A Paralimpíada será realizada entre os dias 7 e 18 de setembro, no Rio de Janeiro. Ao todo, 4.350 atletas de 160 países vão participar das competições em 22 modalidades. A delegação brasileira será a maior da história dos Jogos Paralímpicos, com 287 atletas.
Os Jogos Paralímpicos 2016 serão transmitidos pela TV Brasil, em parceria com emissoras da Rede Pública de Televisão dos estados.
Reforma da Previdência antecipada
O presidente Michel Temer vai enviar ao Congresso ainda em setembro a proposta de reforma da Previdência. Ele tomou a decisão aconselhado pela área econômica e pelo Ministério da Casa Civil.
Aliados do peemedebista defendiam que a reforma fosse levada aos parlamentares apenas depois das eleições, para evitar possíveis efeitos nas urnas de uma proposta considerada impopular. Mas segundo o ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, Temer avaliou que a reforma precisa ser enviada antes do processo eleitoral.Leia mais
A ex-presidente Dilma Rousseff deixou o Palácio da Alvorada, a residência oficial que ocupou durante quase seis anos. Dilma saiu às 15h30 da tarde de hoje, seis dias depois de o Senado aprovar o impeachment dela, e foi cumprimentada por manifestantes.
A petista vai voltar a morar em Porto Alegre, mas pretende passar temporadas no Rio de Janeiro, local mais estratégico para uma atuação política. Leia mais
O ex-presidente Lula (PT-SP) pediu que seja anulada a ação penal em que ele é acusado de tentar obstruir a operação Lava Jato. Lula também pede que seja invalidada a delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), em que ele é citado.
O ex-presidente é acusado de tentar comprar o silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras que na época negociava um acordo de delação premiada. Leia mais
Motorista de táxi será indiciado pela morte de técnico alemão de canoagem
Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil
A polícia vai indiciar por homicídio culposo o motorista de táxi que transportou o técnico alemão de canoagem slalom Stefen Henze, morto devido a um acidente durante a viagem, na Barra da Tijuca, durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.
Técnico alemão de canoagem Stephan Henze morre uno Rio após sofrer acidente de carroDivulgação/DOSB
A informação é da 16ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, onde corre o inquérito. De acordo com a Polícia Civil, as investigações estão avançadas. O acidente ocorreu no dia 12 de agosto último e resultou, além da morte do alemão Stefen Henze, em ferimentos em outras duas pessoas que também viajavam no táxi.
Saiba Mais
O laudo pericial do acidente concluiu que “houve inobservância das regras de trânsito por parte do motorista e este será indiciado por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar”. As diligências e análise de testemunhos e provas estão sendo realizadas para que o inquérito policial seja finalizado nos próximos dias e encaminhado à Justiça.
Henze foi submetido a uma cirurgia neurológica, no dia do acidente, no Hospital Miguel Couto, zona sul do Rio. Ele e Cristian Käding, outro integrante da equipe técnica de canoagem slalom, estavam no táxi que colidiu com outro veículo na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca. Käding foi levado para o mesmo hospital junto com o motorista de táxi. Os dois receberam alta após passar por exames clínicos.
Órgãos doados
A família de Stefan Henze, medalha de prata na Olimpíada de Atenas em 2004, autorizou a doação dos órgãos, após a confirmação da morte cerebral do técnico e ex-atleta olímpico. Uma mulher de 66 anos, cuja identidade não foi divulgada, recebeu o coração de Stefan Henze. A cirurgia foi feita no Instituto Nacional de Cardiologia (INC), em Laranjeiras, zona sul da cidade.
De acordo com o INC, a receptora do órgão transplantado tem um quadro de saúde estável. De acordo com o Programa Estadual de Transplantes, depois da morte encefálica do alemão, a família autorizou a doação de seus órgãos. Além do coração, foram captados os rins e o fígado de Henze. O destino dos rins e do fígado não foi informado pelo Programa Estadual de Transplantes.
Apreensão de adolescentes em manifestação foi ilegal, diz conselheiro
Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil
A apreensão feita pela Polícia Militar de oito adolescentes na última manifestação contra o presidente da República Michel Temer foi ilegal. A avaliação é do coordenador estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos e conselheiro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, Ariel de Castro Alves.
“A lei é muito clara: apreensão ou internação de adolescentes só pode ocorrer em caso de crime com violência ou grave ameaça. O que não se encaixa. O simples fato de serem acusados de associação criminosa não configura que tenham praticado efetivamente nenhuma violência ou grave ameaça a ninguém”, disse Ariel.
Os oito adolescentes foram apreendidos antes da manifestação ter início na Avenida PaulistaRovena Rosa/Agência Brasil
Os oito adolescentes foram apreendidos no domingo (4) sob acusação de associação criminosa antes da manifestação ter início na Avenida Paulista. Cinco garotos foram apreendidos nas proximidades do Centro Cultural São Paulo, na Avenida Vergueiro, e três garotas, no parque Trianon, na Avenida Paulista.
“A apreensão foi totalmente ilegal. O delegado deveria ter feito Boletim de Ocorrência e liberado os adolescentes na presença dos responsáveis ou conselheiros tutelares, para que depois fossem apresentados na Vara da Infância e Juventude. Daí os promotores analisariam o Boletim de Ocorrência e verificariam se seria necessário um processo de apuração de ato infracional”, disse.
Os adolescentes, no entanto, após serem apreendidos pela Polícia Militar, por volta das 16 h, foram levados para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), na zona norte da capital, onde permaneceram sem poder se comunicar com familiares ou advogados até as 23 h. Eles passaram a noite no Deic e só foram transferidos para unidades da Fundação Casa na tarde de ontem.
Saiba Mais
“Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA], o adolescente apreendido imediatamente deve ter acesso a advogados, conselheiros tutelares e aos familiares. Até as 23 h eles não tiveram. Depois, às mães e aos pais, foi permitido a entrada apenas para verem [os filhos], mas não podiam conversar”, disse Castro. “Os indícios são muito fortes de prisões políticas, de prisões arbitrárias e de abuso de autoridade”.
Soltos pela Justiça
Ontem, na Vara Especial da Infância e Juventude, no Fórum do Brás, a Justiça entendeu que não caberia a internação provisória aos jovens, que foram soltos por volta das 22h30 das unidades da Fundação Casa. Agora, o Ministério Público está analisando se vai entrar com representação para abrir um processo de apuração de ato infracional ou se pede o arquivamento.
Em entrevista coletiva ontem o comandante do Policiamento da Capital, coronel Dimitrios Fyskatoris, defendeu a atuação da Polícia Militar (PM) durante os protestos e disse não reconhecer nenhum excesso da PM durante os protestos. "A Polícia Militar tem expertise, tem preparo, treinamento e equipamento suficiente e vem dando conta de acompanhar manifestações, em sua grande maioria, sem quaisquer incidentes”.
Estado Democrático de Direito
Além dos oito adolescentes, a Justiça soltou ontem também os 18 jovens maiores de idade que foram detidos pela Polícia Militar antes do protesto, e indiciados por associação criminosa e corrupção de menores. Na decisão, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo destacou que o tempo de “prisão para averiguação” em um estado democrático de direito já passou.
“O Brasil como Estado Democrático de Direito não pode legitimar a atuação policial de praticar verdadeira 'prisão para averiguação' sob o pretexto de que estudantes reunidos poderiam, eventualmente, praticar atos de violência e vandalismo em manifestação ideológica. Esse tempo, felizmente, já passou. A prova do auto de prisão em flagrante é de que todos os detidos estavam pacificamente reunidos para participar de uma manifestação pública, nenhum objeto de porte proibido foi apreendido, sendo assim inviável sequer cogitar do crime de corrupção de menores”, disse na sentença.
Nenhum comentário:
Postar um comentário