Mais um “Trambique” na politica brasileira!
Vídeo de Mundo Polarizado
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Mais um “Trambique” na politica brasileira!
Vídeo de Mundo Polarizado
Por Alexandre Garcia
Um ser bem formado jamais admitiria, como juiz, julgar causa de partido ou instituição a que houvesse antes servido, ou decidir em ação que tivesse envolvimento de alguém de sua própria família. Isso seria impossível num caráter bem-formado.
O ex-presidente do Supremo, ex-decano, Celso de Mello, escreveu no Estadão do dia de Natal: “A democracia começa pela ética de juízes”. E defendeu urgência por uma solução “que impeça qualquer aparência de favorecimento, dependência ou proximidade indevida com interesses privados e governamentais.” Ele defendia um código de conduta “moralmente necessário”. Gilmar Mendes não acha necessário. Nem eu, se a sabatina do Senado tivesse o dom que perscrutar o caráter do sabatinado, para saber se, de berço, a família tivesse lapidado na medula da então criança valores éticos que ficam gravados para toda a vida. Um ser bem formado jamais admitiria, como juiz, julgar causa de partido ou instituição a que houvesse antes servido, ou decidir em ação que tivesse envolvimento de alguém de sua própria família. Isso seria impossível num caráter bem-formado.
Imagine, então, um contrato de serviços advocatícios genéricos, indefinidos, que rendesse 3,6 milhões de reais por mês, com o escritório da família de um ministro do Supremo. Um contrato assim, por si, grita com eloquência sua impossibilidade ética. O presidente Edson Fachin percebeu a gravidade histórica dos desvios éticos e propõe um código de conduta que não deveria ser necessário. Um código que é mais para inglês ver, porque quem não segue à risca a Constituição e confunde ser intérprete com ser reescrevedor da Magna Carta, dificilmente seguirá o código. O Supremo, depois dos alertas de Fux sobre o envolvimento político, entregou-se ao ativismo na gestão Barroso; está acima do Conselho Nacional de Justiça, da Lei Orgânica da Magistratura, do Senado(por permissividade de seus presidentes) e da própria Constituição, que deveria guardar. Agora paga pelo risco de levitar, sem rede, como o trapezista que acha que pode voar.
Celso de Mello falou sobre afastar suspeitas, aparências de desonestidade. É como a lição da mulher de César. As mulheres de césares do Supremo faturaram muito, mas a que preço? Toffoli criou ação sem Ministério Público para investigar os investigadores da Receita Federal, que queriam saber sobre movimentações financeiras volumosas de mulheres de ministros. Depois, para calar a crítica a um ministro “amigo do amigo de meu pai”; quando o celular de Tagliaferro revelou abusos, ele foi denunciado em vez de investigar o modus operandi – foram saltando de trapézio em trapézio, reforçando a convicção de que poderiam voar, que não estavam sob o escrutínio da mídia nem da fonte do poder, o povo, e seus representantes. E desconsideraram que só o voto dá legitimidade para legislar. Esqueceram que são servidores do público com grave responsabilidade, porque guardam a Constituição.
Agora estranham que a mídia calada por tanto tempo resolveu voltar à sua missão original, alcançado o objetivo de anular Bolsonaro. Talvez os trapezistas tenham sido estimulados para essa missão, mas agora que Bolsonaro foi condenado e está inelegível, aquela mídia das omissões sente que precisa recuperar a credibilidade, assinantes e audiência. “Cortem-lhes a cabeça” - parece ordenar, todos os dias, a Rainha de Copas. O passado omitido é desenterrado e vira notícia do dia. E parlamentares de oposição interrompem as férias para começar as execuções. E, como cobri a Constituinte, registro como atual o discurso do presidente Dr. Ulysses, no dia da promulgação: “Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o maldito caminho: rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério.”
Fachin sugere uma rede para aparar o Supremo em queda. Talvez já seja tarde. A lei da gravidade não conseguem revogar.
Correio do Povo
Por Jurandir Soares
A derrubada do sistema na Venezuela sempre foi ansiada por setores internos e externos, mas a operação de Trump não encontra respaldo no Direito Internacional
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, com a captura do ditador Nicolás Maduro e de sua mulher, está sendo festejado interna e externamente no país. Internamente, por aqueles que votaram em Edmundo González Urrutia para presidente e se sentiram roubados na eleição pelo regime de Maduro. Externamente, por aquele contingente significativo de venezuelanos que teve que deixar o país para sobreviver. Um número de refugiados que se estima em 8 milhões de pessoas.
Externamente, também comemoram mundo afora aqueles defensores de um sistema democrático e que também perceberam que o resultado da eleição foi fraudulento. Afinal, o governo nunca conseguiu mostrar as atas da eleição. O regime vigente se tornou uma anomalia na região.
DERRUBADA
A derrubada do sistema sempre foi ansiada por todos esses setores que eram contra o regime. Agora, o que se esperava é que o regime viesse a cair em decorrência de movimentos internos no país, mas não por uma interferência externa. Ainda mais nas condições em que esta foi realizada. Claro que esta interferência não foi uma surpresa, pois, na medida em que Donald Trump mobilizou para a costa venezuelano uma frota de navios e aviões de guerra, composta ainda por submarino e o maior porta aviões do mundo, e mais 15 mil militares, era de se esperar que uma intervenção viesse a acontecer.
O problema é que a ação de Trump não encontra respaldo no Direito Internacional. Da mesma forma como é condenada a invasão da Ucrânia pela Rússia, tem-se que condenar esta invasão.
MANDADO
A condenação se dá porque Trump não tem um mandado da ONU para fazer este tipo de intervenção, como os EUA tiveram, em 1991, para comandar uma força internacional para tirar do Kuwait as forças invasoras do iraquiano Saddam Hussein. Trump tampouco obteve uma autorização do próprio Parlamento americano para tal intervenção, conforme houve em 1991.
Porém, o histórico de intervenções norte-americanas sem mandado das Nações Unidas não é novidade. Basta lembrar que, em 2003, George W. Bush atacou o Iraque em nome de armas de destruição em massa que nunca existiram. Um estudo da ONU e do Ministério da Saúde do Iraque, de 2004, estima entre 100 mil e 150 mil mortos em decorrência da guerra. Ou seja, Bush praticou ali crime contra a humanidade, mas nunca foi responsabilizado por isto.
AÇÃO
Agora, tem-se esta ação de Trump cujo desenrolar ainda está muito obscuro. Porém, alguns fatos chamam a atenção. E o principal deles é a captura de Nicolás Maduro e sua mulher. Para que isto viesse a acontecer era fundamental algum apoio do entorno de Maduro. Principalmente, dos militares. E isto pode ser possível porque, mesmo em meio às primeiras e desencontradas informações, já surgia o boato de que, sob novo governo, haveria uma anistia para os militares.
Esta possibilidade seria realizável, tudo indica, se a deposição de Maduro resultasse na posse de González. Mas Trump nem fala nisso. Tudo isto ainda é muito incipiente, porque, pela legislação atual do país, quem deve assumir é a vice presidente Delci Rodriguez, que teria a responsabilidade de convocar nova eleição.
PODER
O assunto da deposição deve ir, de imediato, a debate na ONU. A Colômbia, que ocupa um assento rotativo no Conselho de Segurança, convocou uma reunião de emergência para discutir medidas a adotar. Doce ilusão. Sabe-se que nada passa naquele Conselho que tenha a contestação de um dos cinco privilegiados que detém o poder de veto: EUA, Rússia, China, Reino Unido e França. Assim aconteceu várias vezes nos últimos tempos com relação às condenações à Rússia pela invasão da Ucrânia.
Assim é que, o que salta à vista, é que o mundo é dos poderosos. Trump já deixou Putin tomar conta da Ucrânia, na certeza de que ele irá chiar, mas não irá fazer nada com relação à sua atuação na Venezuela. E, com isto, a China vai se sentindo cada vez mais à vontade para sua determinação de tomar conta de Taiwan. Assim, o poder da lei é suplantado pelo poder das armas.
Correio do Povo
O opositor venezuelano Edmundo González Urrutia declarou neste domingo (4) que a captura de Nicolás Maduro representa “um passo importante” para a normalização da Venezuela, mas ressaltou que a medida “não é suficiente”. Em mensagem publicada no Instagram, o político exilado na Espanha reforçou o apelo para que seja reconhecida a vitória que reivindica nas eleições presidenciais de 2024.
A oposição afirma que González Urrutia venceu o pleito de julho de 2024 e denuncia como fraudulenta a reeleição de Maduro para um terceiro mandato.
O Conselho Nacional Eleitoral declarou Maduro vencedor sem apresentar provas, alegando um “ataque informático” que teria comprometido os dados. O site oficial segue inacessível 18 meses depois.
Segundo González Urrutia, a verdadeira normalização só ocorrerá quando:
Todos os presos políticos forem libertados.
A vontade majoritária do povo venezuelano expressa nas urnas for respeitada.
Maduro foi detido no sábado (3), junto com a esposa Cilia Flores, em uma operação militar dos Estados Unidos. Ele enfrenta acusações de narcotráfico e terrorismo na Justiça americana.
Após a captura, a Suprema Corte da Venezuela designou a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina, com apoio das Forças Armadas.
González Urrutia, que se apresenta como presidente legítimo, pediu às Forças Armadas que cumpram o mandato popular:
“Como comandante em chefe, lembro-lhes que sua lealdade é com a Constituição, com o povo e com a República.”
Fonte: Correio do Povo
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, ocorrido neste final de semana, gera preocupação em setores específicos do agronegócio brasileiro, especialmente no mercado de arroz. Segundo a Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), em 2025 o país latino-americano importou cerca de 165 mil toneladas do cereal brasileiro, ficando em segundo lugar em volume, atrás apenas do Senegal. No caso do arroz em casca, os venezuelanos são os principais compradores.
“Devemos ficar preocupados com essas instabilidades políticas. Nunca se sabe os danos que irão causar”, afirmou o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes.
Responsável por 70% da produção nacional de arroz, o Rio Grande do Sul acompanha com atenção os desdobramentos da crise. Nunes destacou que será necessário aguardar os próximos acontecimentos para avaliar medidas que possam minimizar eventuais prejuízos.
“O comércio é feito por traders, algumas americanas. Acredito que tenham como negociar mais facilmente”, avaliou.
De janeiro a novembro de 2025, o RS exportou para a Venezuela mais de 186,2 mil toneladas de produtos do agronegócio, somando US$ 85,5 milhões, conforme dados da Farsul com base no sistema Comex Stat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Para o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, os efeitos imediatos da crise não devem impactar fortemente o agronegócio gaúcho. Ele acredita que, no longo prazo, a Venezuela poderá até ampliar suas compras do Brasil e do RS.
“É um país extremamente empobrecido. No curtíssimo prazo, não vejo vantagens, mas com reorganização econômica e garantias poderemos voltar a exportar alimentos. A Venezuela já foi um grande destino do arroz. Com seus recursos naturais, pode se tornar um mercado interessante novamente”, destacou.
Fonte: Correio do Povo
O Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) realizará nesta segunda-feira (5), às 12h (horário de Brasília), uma reunião extraordinária para debater a situação da Venezuela, após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro.
O encontro foi solicitado pela Colômbia, com apoio de Rússia e China, e contará com a participação do Brasil.
A reunião consta na agenda do CSNU sob o título “Ameaças à paz e segurança internacionais”.
O cronograma é definido pelo país que ocupa a presidência do Conselho, atualmente a Somália.
Representantes dos 15 membros do órgão participarão da sessão, que será transmitida pela TV da ONU.
O CSNU é composto por 15 países, sendo cinco membros permanentes com poder de veto (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) e dez com vagas rotativas.
A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, confirmou que o Brasil participará da reunião extraordinária para discutir os desdobramentos da crise venezuelana.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou estar “profundamente alarmado” com a ação militar americana na Venezuela. Segundo ele, independentemente da situação interna do país, tais acontecimentos representam um “precedente perigoso”.
Entre outubro e dezembro de 2025, o Conselho já havia se reunido duas vezes para tratar das tensões crescentes entre os Estados Unidos e a Venezuela.
Fonte: Correio do Povo
A presença de uma massa de ar seco e frio de alta pressão atmosférica continua determinando as condições do tempo no Rio Grande do Sul nesta segunda-feira (5). O sol predomina em grande parte do estado, com céu claro e poucas nuvens, especialmente na faixa Leste.
O tempo aberto, a atmosfera seca e o vento calmo favoreceram novamente o resfriamento noturno, resultando em amanhecer frio a muito frio para janeiro em diversas cidades gaúchas. Nos Aparados da Serra, especialmente em São José dos Ausentes, houve registro de geada pelo segundo dia consecutivo. A tarde, no entanto, deve ser de temperaturas agradáveis.
No domingo (4), o estado já havia registrado um amanhecer com cara de outono em pleno verão. Segundo levantamento da MetSul Meteorologia, os termômetros marcaram 2ºC nos Campos de Cima da Serra, com geada, e quase 70 cidades tiveram mínimas abaixo de 10ºC — cenário incomum para o mês de janeiro.
Na Grande Porto Alegre, as mínimas também foram baixas:
Gravataí: 10,8ºC
Viamão: 11,5ºC
Eldorado do Sul: 11,6ºC
Campo Bom: 12,7ºC
Cachoeirinha: 13,5ºC
São Leopoldo: 15,3ºC
Porto Alegre (Jardim Botânico): 15,9ºC
As temperaturas incomuns são consequência da forte massa de ar frio que chegou ao estado no sábado (3), acompanhada de rajadas de vento de até 80 km/h e ressaca no litoral gaúcho.
Fonte: Correio do Povo
A Dinamarca e a Groenlândia pediram neste domingo (4) “respeito à integridade territorial” da ilha, após uma publicação no X feita por Katie Miller, esposa de um assessor da Casa Branca, e declarações do presidente americano Donald Trump reforçando que Washington “precisa” do território para sua defesa.
No sábado (3), Katie Miller, esposa de Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca, divulgou uma imagem da Groenlândia com as cores da bandeira dos Estados Unidos e a legenda em letras maiúsculas: “SOON (em breve)”.
Desde seu retorno à Casa Branca em janeiro, Trump tem repetido que os EUA precisam da Groenlândia, rica em recursos naturais, por razões de segurança. Questionado pela revista The Atlantic, afirmou:
“Nós precisamos da Groenlândia, absolutamente. Precisamos dela para a defesa.”
O presidente não descartou o uso da força para controlar o território autônomo da Dinamarca.
As declarações ocorrem após a surpreendente operação militar americana que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Analistas avaliam que a ação na Venezuela serve como aviso aos aliados sobre a disposição dos EUA em se apropriar de recursos estratégicos, incluindo a Groenlândia.
O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, classificou a publicação como “desrespeitosa”, ressaltando que “a Groenlândia não está à venda e seu futuro não se decide nas redes sociais”.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, pediu que os EUA “cessem suas ameaças contra um aliado histórico” e considerou “absurda” a ideia de que Washington deveria assumir o controle da ilha.
Fonte: Correio do Povo