Irã e a reação russa

 


Rússia não gostou da ideia de os EUA atacarem o Irã porque o país persa está em sua área de dominação.

Por Jurandir Soares


Depois de ter provocado a ira de aliados em função de sua pretensão territorial sobre a Groenlândia, sem ter obtido sucesso, Donald Trump se volta agora contra o Irã. Já anunciou que a frota que estava nas cercanias do país dos aiatolás está sendo reforçada por mais navios e aviões de guerra, incluindo o porta-aviões Gerald Ford.


Há uma obsessão de Trump com relação ao programa nuclear do Irã, que os aiatolás dizem que é para fins pacíficos, de uso medicinal, mas os Estados Unidos, assim como Israel, dizem que é para produzir a bomba atômica. Trump quer que o Irã assine um acordo abrindo mão de seu programa nuclear.


BOMBARDEIO


É muito difícil que no atual contexto o Irã consiga levar adiante qualquer programa nuclear, tendo em vista que suas instalações atômicas foram destruídas nos bombardeios realizados, em junho de 2025, pela aviação americana. Naquela ocasião, em apoio à guerra que Israel travava contra o Irã, a aviação americana destruiu um complexo de três usinas iranianas. Foram atacadas a Usina de Enriquecimento de Combustível de Fordo, a Instalação Nuclear de Natanz e o Centro de Tecnologia/Pesquisa Nuclear de Isfahan.


Na ocasião, nenhuma radiação foi detectada após os ataques, o que serviu para o regime iraniano referendar que não havia material radioativo nos três locais que foram alvo.


REPRESSÃO


O problema do Irã hoje não é a ameaça nuclear que, pelo visto, não tem possibilidade atualmente de se concretizar. O grande problema gerado pela teocracia iraniana é a repressão que faz à sua própria população. Fator que tem sido objeto de periódicos protestos, como o ocorrido recentemente.


Pelo menos 5.858 manifestantes foram mortos no país desde que os protestos começaram no final de dezembro, segundo dados atualizados divulgados na terça-feira, 27, pela agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos. O grupo afirmou que o número de mortos inclui 100 menores de 18 anos. Outras 11 mil pessoas ficaram gravemente feridas e mais de 42 mil foram presas desde o início das manifestações, segundo a agência.


RESISTÊNCIA


Na manhã de quarta-feira, 28, Trump recorreu às redes sociais para ameaçar novamente o Irã, instando o país a negociar um acordo nuclear “equitativo” ou enfrentar outro possível ataque militar dos EUA. Uma continuidade da pressão, tanto em relação à repressão interna, quanto às ambições nucleares.


O problema que se estabelece é a resistência de países vizinhos do Irã a mais um conflito na região. A Arábia Saudita, que é um dos maiores aliados dos EUA na região e o maior inimigo do Irã, manifestou sua contrariedade a um conflito, afirmando que não autorizará nenhum ataque partindo de seu território. Há o temor também de que uma retaliação do Irã possa ser contra os aliados dos EUA na região.


GUARDA


A ação principal que precisa ser desenvolvida dentro do Irã é contra a chamada Guarda Revolucionária. Esta protege os altos comandos e é a principal responsável pela repressão, matando indiscriminadamente. A propósito, a União Europeia anunciou, nesta quinta-feira, 29, que considera a dita Guarda Revolucionária uma organização terrorista. No entanto, para provocar uma baixa sensível nessa força só com uma invasão por terra, o que não se apresenta viável, pelo menos neste momento.


REAÇÃO


Ocorre que a manifesta intenção do presidente Trump de atacar o Irã provocou reação adversa da Rússia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que ainda há espaço para negociações entre Irã e EUA e advertiu que qualquer uso de força contra o Irã teria consequências perigosas e geraria caos em todo o Oriente Médio.


A Rússia, possivelmente, está se baseando no acordo tácito estabelecido entre ela mais China e Estados Unidos, dividindo o mundo entre os três. Assim, Trump ficou à vontade para agir na Venezuela, sem intervenção de Pequim ou Moscou. A Rússia ficou à vontade na Ucrânia e seu entorno. E a China com luz verde para quando entender que deve atacar Taiwan. Mas qual seria agora a razão da reclamação russa? Simplesmente porque o Irã está na sua área de dominação.

Correio do Povo

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