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quarta-feira, 3 de abril de 2024

Simers diz que superlotação das emergências de Porto Alegre é “sem precedentes” e reflete a crise na Saúde da região Metropolitana

 Conselho Regional de Medicina também manifesta preocupação e enviou ofício à Secretaria da Saúde do Estado cobrando providências



O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) avalia a situação em Porto Alegre como sem precedentes e avalia que a sobrecarga nas emergências da Capital é reflexo também da crise que assola a Saúde na Região Metropolitana.

De acordo com o presidente do Simers, Marcos Rovinski. Mais de 50% das internações hospitalares na Capital são de pacientes vindos do interior, sobretudo de Canoas, Viamão, Cachoeirinha, Alvorada e Gravataí. “Se Porto Alegre enfrenta uma superlotação histórica, que chegou a alarmantes 203%, é porque a desassistência nas demais cidades é uma triste realidade. Enquanto isso, o governo gaúcho diz que está tudo bem e que os aportes de recursos aos municípios não é um problema. Está na hora de algo a ser feito. É urgente”, afirma Rovinski.

O Simers alerta também para longas filas de espera para atendimento e a consequente sobrecarga dos profissionais. A entidade defende que tal situação foi gerada por problemas como a troca da gestão hospitalar em cidades vizinhas, restrições de atendimento a casos graves, falta de leitos, medicamentos e insumos, além da precarização das relações de trabalho, que resulta no afastamento dos médicos da atuação na saúde pública.

Entendimento semelhante tem o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers). Diante do que considera “um cenário preocupante e de ausência de condições técnicas para o exercício ético e adequado da Medicina, com risco de desassistência aos usuários do sistema de saúde da Região Metropolitana”, a entidade enviou ofício à Secretaria Estadual da Saúde (SES). O documento pede a tomada imediata de providências em relação aos Hospitais Nossa Senhora das Graças (Canoas), Pronto-Socorro (Canoas), Centenário (São Leopoldo), Dom João Becker (Gravataí) e Alvorada (Alvorada).

Segundo o presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, o Conselho tem recebido denúncias de restrições de atendimento relacionadas tanto às especialidades quanto aos serviços de emergência. “São relatadas diversas irregularidades envolvendo falta de escala completa de médicos especialistas”, explica.

Raio X da Saúde na Região Metropolitana:

  • Guaíba: em 2009, o município registrou o último bebê nascido na cidade. Hoje, não existem leitos de internação pediátrica e crianças do município e da região ficam desassistidas;
  • Gravataí: sem Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Pediátrica e Neonatal, casos de alta complexidade não podem ser atendidos no município;
  • Viamão: o fechamento da maternidade do hospital em 2022 levou pacientes a atendimentos em Alvorada. Com a precariedade do atendimento em Alvorada, gestantes dos dois municípios acabam se deslocando para Porto Alegre;
  • Canoas: problemas históricos de gestão refletem em carências de médicos especialistas para atendimento de trauma no Hospital de Pronto Socorro (HPS) e nas condições de trabalho no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG) e Universitário (HU);
  • Alvorada: a crise no Instituto de Cardiologia – Fundação Universitária de Cardiologia (IC-FUC) agravou os problemas enfrentados, como a falta de repasse aos médicos prestadores de serviços e escalas de plantão sem médicos, a exemplo da obstetrícia. Gestantes chegaram a ser encaminhadas para Cachoeirinha em transporte precário. O ponto alto da crise ocorreu na troca de gestão no único hospital da cidade, no dia 1° de abril, que revelou a inexistência de planejamento na transição, equipes incompletas e falta de transparência sobre o processo por parte do governo do Estado, conforme o Simers. Na UTI Neonatal, recém-nascidos eram apenas observados por técnicos de enfermagem. E os funcionários sem saber sobre como será feita a rescisão dos contratos.
  • Cachoeirinha: assim como em Alvorada, o Hospital Padre Jeremias (HPJ) vinha sofrendo com escalas de plantões sem médicos, devido à falta de pagamento pelos serviços prestados. A insegurança sobre como será feita a transição da gestão, marcada para 8 de abril, também gera protestos dos funcionários e população sem saber como fazer para ser atendida;
  • Porto Alegre: com a precarização da Saúde em toda a Região Metropolitana, a Capital sofre com serviços de hospitais e pronto atendimentos (PAs) superlotados. O secretário da Saúde, Fernando Ritter, chegou a afirmar que Porto Alegre está com 203% de ocupação das emergências. A sobrecarga de trabalho tem adoecido médicos e demais trabalhadores da Saúde que estão na linha de frente do atendimento.

Correio do Povo

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