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sexta-feira, 22 de março de 2024

Mauro Cid afirma em áudios divulgados por revista que inquérito da tentativa de golpe é “narrativa pronta”

 Defesa do delator relatou que manifestação é “desabafo”, que não “coloca em xeque honestidade de PF e STF”

Cid firmou delação premiada 

Áudios divulgados pela revista Veja, com declarações do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mostram o militar declarando que o inquérito da Polícia Federal (PF) sobre a tentativa de golpe de Estado é uma “narrativa pronta”. Conforme o publicado pelo periódico, Cid também diz que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes já tem a sentença dos investigados.
Os áudios, de curta duração, foram divulgados nesta quinta-feira pela revista Veja. Em uma das gravações, Cid diz que os investigadores da PF “não queriam saber a verdade” sobre a tentativa de golpe de Estado, e sim confirmar uma “narrativa pronta”. “Eles queriam só que eu confirmasse a narrativa dele. É isso que eles queriam, e toda vez eles falavam ‘olha, a sua colaboração tá muito boa’. Ele até falou, ‘vacina, por exemplo, você vai ser indiciado por nove tentativas de falsificação de vacina, vai ser indiciado por associação criminosa’, e mais um termo lá. Ele disse assim: ‘só essa brincadeira vai ser trinta anos pra você”, declarou o tenente-coronel.

Por meio de nota, o advogado Cezar Bittencourt, responsável pela defesa de Mauro Cid, admitiu que a voz nas gravações divulgadas pela revista são do militar. Mas alegou que as declarações são mero desabafo do investigado. “Mauro César Babosa Cid em nenhum momento coloca em xeque a independência, funcionalidade e honestidade da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República ou do Supremo Tribunal Federal na condução dos inquéritos em que é investigado e colaborador, aliás, seus defensores não subscrevem o conteúdo de seus áudios”, diz nota.

A defesa ainda sustenta que a gravação foi clandestina. “Referidos áudios não passam de um desabafo em que relata o difícil momento e a angústia pessoal, familiar e profissional pelos quais está passando, advindos da investigação e dos efeitos que ela produz perante a sociedade, familiares e colegas de farda, mas que, de forma alguma, comprometem a lisura, seriedade e correção dos termos de sua colaboração premiada firmada perante a autoridade policial, na presença de seus defensores constituídos e devidamente homologada pelo Supremo Tribunal Federal nos estritos termos da legalidade”, acrescenta a defesa.

Mauro Cid foi preso em maio do ano passado, durante a Operação Venire da PF, que investigou fraudes em cartões de vacina contra a Covid-19 da família de Cid e a de Bolsonaro. Em setembro, ele foi solto após acertar uma delação premiada, onde apontou o ex-presidente como o mandante das fraudes no sistema do Ministério da Saúde e revelou a existência de reuniões entre o ex-chefe do Executivo e comandantes das Forças Armadas para discutir uma forma de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Estadão Conteúdo e Correio do Povo

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