segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Israel usará "toda sua força para destruir" o Hamas, afirma Netanyahu

 Além dos bombardeios, há combates em 22 pontos do território israelense

Netanyahu: promessa de vingança ao ataque 

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu neste sábado (7) usar todo o poder de Israel para "vingar" o ataque lançado pelo movimento islâmico Hamas a partir da Faixa de Gaza.

O exército "usará toda a sua força para destruir as capacidades militares do Hamas", declarou Netanyahu na televisão. "Nós os atingiremos até o final e vingaremos com determinação este dia negro para Israel e seu povo", acrescentou.

Ataques do Hamas 

O movimento islâmico palestino Hamas atacou Israel neste sábado (7) "pelo ar, mar e terra" a partir da Faixa de Gaza e sequestrou soldados e civis, desencadeando bombardeios de retaliação em uma escalada que já deixou mais de 300 mortos - 70 deles em território israelense.

O exército indicou na noite de sábado que estava em combate em "22 lugares" do território israelense com "centenas de infiltrados" que haviam entrado no país. "Estamos em guerra", declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao ordenar "uma ampla mobilização" de reservistas.

"O inimigo pagará um preço sem precedentes", prometeu o líder em um vídeo, onde reconheceu que o Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde 2007, lançou "um ataque surpresa criminoso". O Ministério de Energia ordenou o corte no fornecimento de eletricidade para o empobrecido enclave de 362 km², onde vivem 2,3 milhões de palestinos submetidos a um rigoroso bloqueio israelense desde 2007.

A escalada do conflito deixou pelo menos 70 mortos e "centenas de feridos" do lado israelense, segundo o Magen David Adom (equivalente à Cruz Vermelha). Já em Gaza, pelo menos 232 pessoas morreram e cerca de 1.700 ficaram feridas, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave.

Os soldados palestinos reivindicaram e divulgaram imagens do sequestro de vários israelenses, uma ação confirmada pelo porta-voz do exército israelense. "Há soldados e civis sequestrados. Não posso dar números neste momento. É um crime de guerra cometido pelo Hamas e eles pagarão as consequências", declarou Daniel Hagari.

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, proclamou na televisão Al Aqsa, dirigida pelo grupo armado, que vislumbrava uma "grande vitória". Esta guerra, a sexta entre Israel e Gaza nos últimos 15 anos, colocou a comunidade internacional em alerta.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou a tentativa de "esforços diplomáticos para evitar uma ampliação do conflito". O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reunirá no domingo para abordar a situação.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, atual líder do Conselho de Segurança, pediu esforços internacionais para "retomar imediatamente" as negociações. A ministra alemã das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, condenou o "terrorismo" do Hamas e expressou preocupação com uma "escalada" que poderia arrastar "outros" atores para o conflito.

A ofensiva foi celebrada por dois inimigos de Israel na região: o movimento xiita libanês Hezbollah e o Irã. "Os esforços de resistência alcançaram até agora vitórias espetaculares durante esta operação", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica, Nasser Kananim, em referência ao movimento palestino.

Os Estados Unidos reafirmaram seu compromisso "inabalável" com Israel e prometeram garantir que seu aliado tivesse os meios para se proteger. A Rússia pediu um cessar-fogo "imediato" e a Turquia pediu que uma escalada fosse evitada.

Ajuda

A ofensiva começou com uma série de foguetes lançados da Faixa de Gaza às 06h30 (00h30 no horário de Brasília), no mesmo dia que as festividades judaicas de Sucot acabavam em Israel. O braço armado do Hamas reivindicou o ataque e Israel respondeu com bombardeios direcionados ao Hamas em Gaza.

Na cidade de Sderot, a poucos quilômetros do enclave palestino, um repórter da AFP viu corpos de civis caídos na rua. "Ajuda, por favor!", implorava uma mulher israelense ao lado de seu filho de dois anos, enquanto um grupo de milicianos disparava contra sua casa, descreveram os meios de comunicação israelenses.

Jornalistas da AFP viram palestinos armados ao redor de um tanque israelense em chamas e outros em um veículo militar israelense, em direção a Gaza.

Em Gaza, os bombardeios israelenses destruíram três prédios de dez andares que faziam parte de um conjunto residencial, relataram jornalistas da AFP que viram essas construções desabarem.

O exército israelense informou que bombardeou "dois edifícios de vários andares" e acusou o Hamas de abrigar infraestrutura militar no meio da população. O exército também afirmou que havia pedido aos moradores para "evacuarem o local" antes de bombardeá-lo.

As sirenes tocaram tanto no sul de Israel quanto em Jerusalém, e a polícia pediu à população que permanecesse perto dos abrigos antiaéreos. Várias companhias aéreas cancelaram seus voos neste fim de semana para Tel Aviv, de acordo com o quadro de chegadas online do Aeroporto Internacional Ben Gurion.

"As portas do inferno"

O general israelense Rassan Alian, à frente do órgão do Ministério da Defesa que supervisiona as atividades civis nos Territórios Palestinos, afirmou que o Hamas havia "aberto as portas do inferno" e que "pagaria as consequências".

A operação israelense de retaliação foi chamada de "Espadas de Ferro". O Hamas, por sua vez, batizou a operação como 'Dilúvio de Al-Aqsa' e explicou que o movimento havia decidido "encerrar todos os crimes da ocupação" israelense.

AFP e Correio do Povo

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