quarta-feira, 13 de julho de 2022

Todos os nove réus do caso Ronei Jr são condenados em Charqueadas (RS)

 Terceiro júri sentenciou últimos três julgados pela morte do jovem em 2015



No segundo dia do terceiro julgamento dos acusados da morte de Ronei Júnior, ocorrida no início da manhã de 1º de agosto de 2015, em Charqueadas, na saída de uma festa, foram condenados todos os réus investigados. Com as sentenças de 35 anos e 4 meses para Jhonata Paulino da Silva Hammes, Matheus Simão Alves e Cristian Silveira Sampaio, os nove réus denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) foram julgados culpados por homicídio qualificado consumado, três tentativas de homicídio qualificado, associação criminosa e corrupção de menores.

O júri ocorreu no Foro de Charqueadas, presidido pelo juiz de Direito Jonathan Cassou dos Santos. O trio não será preso devido à concessão de habeas corpus preventivo. Outros seis réus foram julgados e condenados. 

Cristian foi o primeiro a ser interrogado. Ele disse que esteve na festa e saiu quando as luzes acenderam. Negou participação nos crimes. “Eu tenho certeza que não estava (na agressão). Sou inocente”, afirmou. O próximo a ser interrogado foi o réu Jhonata. Ele disse que, na festa, recebeu um empurrão pelas costas e quando se virou viu Richard, uma das vítimas.

Na saída da festa, o réu disse que ficou esperando por Richard e tentou lhe acertar um soco. Errou o golpe e caiu. “Quando levantei fiquei procurando ele. Como tinha muita gente na volta do carro, saí dali”, afirmou. Matheus recordou que lhe chamou a atenção o barulho de garrafas quebrando. O réu negou participação nos fatos e de conhecer o grupo Aba Reta. “Não presenciei (o ataque)”, garantiu.

Logo após, iniciaram-se os debates, abertos pela acusação. O Ministério Público teve até 2h30min para apresentar suas teses aos sete jurados – seis homens e uma mulher. Atuam os promotores de Justiça Anahi Gracia de Barreto, João Cláudio Pizatto Sidou e Eugênio Paes Amorim. “Estamos aqui para pedir a condenação dos três réus por todos os crimes a que eles foram pronunciados”, disse a promotora de Justiça. Amorim foi o último a falar pela promotoria. “A participação de todos (os réus) foi decisiva para o desfecho”, afirmou aos jurados. “Temos destruído o álibi das defesas.” 

As defensoras do réu Cristian, advogadas Paula Suso Kisner e Aline Hilgerd, foram as primeiras a falar aos jurados após a sustentação dos promotores. Paula ressaltou que “de 21 testemunhas e vítimas que nós tivemos nesse caso, nenhuma apontou o Cristian como partícipe”. Ela pediu que jurados votem pela absolvição em razão “de ausência de provas de que Cristian estava no local dos fatos”. O defensor de Jhonata, Fabiano Justin Cerveira, pediu aos jurados que reconheçam a não participação de Jhonata nos fatos ou a considerem de menor importância. “Não podemos comparar as condutas”, considerou. “Façam justiça”, pediu. 

“Esse processo não autoriza a condenação do Matheus”, afirmou o defensor público Eledi Amorim Porto, defensor de Matheus. O advogado citou depoimentos relatando que este não participou das agressões. “Matheus não estava no local do crime”. Eledi Amorim Porto pediu que o Conselho de Sentença absolva o réu.

Correio do Povo

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