segunda-feira, 6 de junho de 2022

Ministro da Economia vai ao Supremo contra delegado da Polícia Federal

 


Após pedido da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ministro da Economia, Paulo Guedes, seja investigado em inquérito que apura irregularidades no fundo de pensão dos Correios, o Postalis, a defesa do ministro irá à Corte contra o delegado que conduz o caso. O inquérito tramita há cinco anos e já tem como investigado, entre outros, o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

“Vamos peticionar junto ao ministro, demonstrando ponto a ponto que lamentavelmente o delegado está tentando induzir o STF a erro”, disse o advogado de Guedes, Ticiano Figueiredo.

A defesa sustenta que não há elementos para investigar o ministro e que o delegado faltou com a verdade ao STF. Um dos pontos abordados é que o delegado disse ao STF que era o presidente do inquérito, quando na verdade o inquérito no Supremo é presidido pelo relator, o ministro Luís Roberto Barroso, que de fato foi acionado pelos advogados.

Mais cedo, em nota à imprensa, a defesa de Guedes afirmou que o objetivo do pedido é “expor o Ministro da Economia”. Os advogados também lembraram que já haviam pedido, anteriormente, acesso ao inquérito, mas que o pedido foi negado pela própria Polícia Federal, que justificou, à época, que Guedes não era investigado.

“O pedido do delegado é tão abusivo e irresponsável que tenta se aproveitar para fazer uma devassa de 6 anos na vida do Ministro”, diz a defesa do ministro.

Além disso, os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso lembraram que tanto a Justiça quanto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) “já destacaram que não houve qualquer indício de irregularidade ou crime relacionado ao Ministro Paulo Guedes no caso Postalis”.

Luciano Leiro, presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), disse que a entidade tem “plena confiança na qualificação técnica e jurídica do delegado federal Bruno Calandrini”.

“A ADPF tem plena confiança na qualificação técnica e jurídica do delegado federal Bruno Calandrini no comando das investigações que envolvem o ministro das Economia, Paulo Guedes. A Polícia Federal atua com isenção, equilíbrio e competência. A PF não persegue e nem protege qualquer pessoa, somente cumpre suas atribuições constitucionais como polícia de Estado e não de governo. E é sempre bom lembrar que ninguém está acima da lei. Portanto, é descabido qualquer tipo de ilação ou ataque contra o trabalho do responsável pela investigação. Não vamos admitir que nossas prerrogativas, independência e autonomia sejam questionadas ou ameaçadas por quem quer que seja”, disse.

Procurada, a Polícia Federal não se manifestou.

O Sul

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