domingo, 24 de abril de 2022

Saiba se usar máscara em ambiente fechado ainda é eficaz se você for o único

 


Mesmo com o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em diversas cidades, inclusive em locais fechados e transportes públicos, muitas pessoas preferem permanecer com a proteção facial em lugares mais movimentados ou considerados de maior risco, como ônibus e hospitais. No entanto, em um ambiente onde a maioria das pessoas dispensou o item, a máscara permanece sendo eficaz para prevenir a infecção pelo vírus causador da covid?

Esse questionamento ganhou força especialmente após o fim da lei federal que obrigava o uso da proteção durante voos e outros meios de transporte nos Estados Unidos, nesta semana, depois que uma juíza federal do país revisou a medida. No Brasil, a norma da Anvisa que torna obrigatório o uso das máscaras em aeronaves e aeroportos, tanto por viajantes, como por trabalhadores, segue vigente. Porém, o fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, anunciado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, pode eventualmente impactar a decisão.

Especialistas explicam que, mesmo com a melhora do cenário epidemiológico e o avanço na vacinação, utilizar a proteção facial ainda é eficaz para prevenir o diagnóstico de covid, uma vez que a circulação da doença ainda está em patamares considerados elevados.

“A máscara é importante sobretudo em lugares de aglomeração, como em transportes públicos e supermercados. São muitas pessoas, que você não conhece, que podem estar assintomáticas. São locais de mais risco”, explica Carlos Zárate-Bladés, pesquisador do Laboratório de Imunoregulação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Isso porque o objetivo principal da máscara é prevenir que a pessoa infectada libere o vírus no ambiente, elevando a carga viral em circulação e, consequentemente, o risco de contaminação de outras pessoas. Como em muitos casos não se sabe que o indivíduo está com a covid, quanto mais pessoas usando a proteção, menor o risco do agente causador da doença estar circulando naquele ambiente.

Porém, mesmo em locais em que ninguém aderiu ao item, e o risco de o vírus estar presente no ar é maior, utilizar a máscara continua a proteger a pessoa de ser contaminada. Isso porque o equipamento atua também como uma barreira para que agentes externos não entrem em contato com as vias respiratórias.

“Uma única pessoa usando máscara ela vai ter uma boa proteção especialmente se for uma máscara como a KN95. Obviamente essa proteção vai depender muito de como a pessoa faz o uso da máscara, se ela remove muitas vezes, se ela não troca a máscara com o tempo, são elementos que reduzem a efetividade do item”, ressalta Zárate-Bladés.

Essa eficiência é de fato reduzida também quando as pessoas ao redor não estão com máscara e, por isso, a concentração do vírus pode ser maior. Um estudo de pesquisadores da Alemanha, publicado na revista científica PNAS, analisou a probabilidade de transmissão após contato com uma pessoa contaminada com covid que não fazia o uso da máscara.

Depois de cerca de meia hora de proximidade, mesmo o indivíduo saudável com uma máscara cirúrgica, o risco de infecção foi de mais de 90%.

Porém, com o uso de uma máscara PFF2 bem ajustada ao rosto, as chances foram menores, de aproximadamente 20% mesmo após uma hora no local. Quando as duas pessoas utilizavam a PFF2, o risco foi de apenas 0,4% de infecção depois de uma hora.

“Se duas pessoas estão usando máscara, a proteção é maior já que há duas barreiras interpostas à propagação do agente infeccioso. No entanto, mesmo apenas uma pessoa usando, ela estará mais protegida que sem a proteção”, explica o infectologista Plinio Trabasso, professor da Unicamp.

O trabalho reforça a recomendação de especialistas para que, em casos com maior risco de contaminação – como em aviões devido à permanência em ambientes fechados, com contato próximo e durante longas horas –, a preferência seja por uma máscara PFF2 ou KN95 em relação ao modelo cirúrgico ou de pano. Nesse caso, o item de pano é o que oferece a menor proteção, ainda que seja melhor que nada.

“O sistema de ar condicionado de aeronaves comerciais é altamente eficiente; nessas situações, o uso da máscara tem importância devido ao longo de tempo em que ficamos ao lado e a menos de um metro de distância de outras pessoas. Em ônibus e trens, embora o tempo de exposição seja relativamente menor, não existe sistema de tratamento de ar, então o uso da máscara confere grande proteção”,reforça Trabasso.

Um estudo publicado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos mostrou que as máscaras PFF2, ou KN95, reduziram em cerca de 83% o diagnóstico positivo para a covid, as cirúrgicas em aproximadamente 66% e as de pano em 56%.

O Sul

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