domingo, 24 de abril de 2022

Metaverso amplia experiências educacionais

 Para os especialistas no assunto, é importante que as iniciativas virtuais imersivas na Educação não sejam apenas transposições do mundo real, mas ambientes para criar, cocriar e inventar novas formas de ensinar e de aprender

No projeto Metaverso La Salle Sapucaia School são desenvolvidas atividades, como a produção cultural de HQs e Animes, Saraus Literários, encontros de Cosplay, além de contação de histórias para alunos do turno inverso 


Por Vera Nunes

As experiências da Educação no metaverso, como já foi abordado na edição passada do +Domingo, exigem esforços, especialmente dos professores, para que não se restrinjam apenas a reproduções do mundo real, transpostas para o virtual. “Uma coisa que nos preocupa do ponto de vista da ciência na educação e pesquisas na área é que os metaversos criados não sejam só reproduções, transposições de sala de aula, de instituições, de um espaço geográfico feito de átomo, materializadas no espaço digital, reproduzindo todos os problemas que a gente já tem”, adverte a professora dos PPGs em Educação e em Linguística Aplicada da Unisinos, Eliane Schlemmer. Ela alerta que “os metaversos têm a potência de se constituírem em espaços para experienciar, vivenciar, criar, cocriar e inventar novas formas de ensinar e de aprender, de organização e funcionamento das instituições educacionais, da sociedade, de novas formas de democracia, de governança e de novos conceitos e formas que possam contribuir para melhorar as instituições já existentes no espaço geográfico”.

Persistência

Coordenadora do Grupo Internacional de Pesquisa Educação Digital (GPe-dU), Eliane lembra que nos metaversos, as interações são provocadas por desafios, experiências imersivas, engajadoras, que vão instigar diferentes habilidades, tanto cognitivas quanto sensório-motoras. “É importante ressaltar que trata-se de sistemas dinâmicos, multiusuários e persistentes e que podem ser criados tanto em 2D como em 3D que vão se modificando em tempo real, à medida que os avatares vão interagindo. Para a educação, essa característica de persistência é fundamental, porque é essa persistência que permite que o metaverso exista e evolua permanentemente. Garante que o que foi criado pelo avatar ou pelo grupo de avatares continue a existir mesmo quando se desconecta e se desliga do computador”, salienta. 

A persistência pode ser uma das ênfases da proposta desenvolvida em Sapucaia do Sul. O Metaverso La Salle Sapucaia School surgiu dos próprios alunos no final de 2021. Neste ano, a experiência foi ampliada e está sendo vivenciada pelos alunos do Ensino Fundamental, que têm realizado diferentes atividades explorando esse novo recurso, que agora faz parte do processo de aprendizagem.

Ambiente simulado

A escola foi projetada dentro de uma plataforma virtual que possibilita a interação de usuários em tempo real: o Minecraft. Dentro desse ambiente simulado, foram estruturados os espaços e ambientes da instituição. Os alunos criaram seus avatares e trans-põem atividades do dia a dia e projetos que estão em andamento no ambiente escolar para dentro da plataforma. 

No projeto, as salas de aula passaram a ser universos dentro do Multiverso La Salle Sapucaia School e cada turma se tornou um universo diferente, com uma temática definida pelos próprios alunos, entre elas os universos Geek, SOS Planeta, Esportes Radicais e Super Humano. Nesses universos, os estudantes desenvolvem projetos entre si, de forma sistêmica, versátil e interativa. Atividades como a produção cultural de HQs e Animes, Saraus Literários, encontros de Cosplay, além de contação de histórias para os estudantes do turno inverso, são alguns exemplos de atividades desenvolvidas. Ao longo do ano letivo, os estudantes irão aperfeiçoar a proposta, podendo haver adaptações na ideia original. Com isso, o projeto estima que será possível proporcionar aos alunos uma experiência pedagógica que desenvolva não só a autonomia, mas que possa aproximar os temas trabalhados do contexto contemporâneo da comunidade local. 

Impactos

Em palestra para o Senac RS, o especialista em experiência do usuário (UX designer) e professor Franz Figueroa, alertou para a importância de as escolas estarem atentas às possibilidades do metaverso. “É difícil prever o impacto de uma tecnologia no seu começo, assim como ninguém conseguia prever o impacto real da Internet no seu surgimento, nem do iPhone quando foi lançado. Contudo, podemos prever duas coisas com absoluta certeza: o metaverso passará a fazer parte da vida das pessoas em inúmeras áreas e acima de tudo seu uso mudará o modelo mental das pessoas, a forma de pensar, analisar e resolver os problemas e com isto mudará muito os nossos alunos. E, também, que seu uso fará parte do dia a dia dos alunos muito antes das escolas ou instituições de ensino, como foi com o Facebook, celulares, Instagram, etc.; salvo que passe a existir um esforço concreto delas em inovar os processos educacionais”, afirma.

Ampliação do Acesso

Para quem estuda o surgimento da nova tecnologia, um dos maiores desafios, senão o maior, é a ampliação do acesso, como lembra o especialista em gestão educacional, César Silva, presidente da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT). Ele lembra que um fato que muita gente esquece – ou ignora – é a dura realidade da grande massa de estudantes, jovens ou não, que não é contemplada por essas necessárias ferramentas. “A tecnologia existe e está implantada em bolhas, clusters de estudos especializados, mas a realidade da escala de um país com dimensão continental e diverso é muito distante do metaverso. Nunca o virtual foi tão distante do real”, analisa. 

Correio do Povo


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