segunda-feira, 25 de abril de 2022

Eslovênia realiza eleições legislativas em meio a temores pelo Estado de direito

 São esperados 1,7 milhão de eleitores de uma população de dois milhões



Os eslovenos votam, neste domingo (24), em eleições legislativas nas quais o primeiro-ministro conservador Janez Jansa, acusado de autoritarismo, corre o risco de perder o poder.

O polêmico líder, de 63 anos, usando gravata amarela e azul - cores da bandeira ucraniana - votou em seu vilarejo de Arnace (nordeste), logo após a abertura das urnas, às 7h (02h no horário de Brasília), onde são esperados 1,7 milhão de eleitores de uma população de dois milhões.

Criticado tanto nas ruas de seu país quanto na União Europeia, Jansa, acusado de copiar o estilo autoritário do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, enfrenta um recém-chegado na arena política, o liberal Robert Golob, ex-executivo de uma empresa de energia solar.

As últimas pesquisas apontaram um resultado acirrado entre Jansa e Golob, de 55 anos, para quem as eleições são um "referendo sobre a democracia na Eslovênia".

Espera-se que o Movimento pela Liberdade, de Golob, obtenha 27,7% dos votos, podendo contar com o apoio de vários partidos de centro-esquerda para garantir a maioria no Parlamento de 90 assentos.

Por sua vez, o Partido Democrático Esloveno (SDS), de Jansa, que obteria 24% dos votos, teria dificuldade em construir uma coalizão.

Choque de visões

Jansa, que voltou ao poder em março de 2020, é acusado de repetidas violações do Estado de direito pela Comissão Europeia, que ele descreve como "burocratas pagos em excesso".

Durante esses dois anos, seu governo "realizou repetidos ataques contra o Estado de direito e as instituições democráticas", observou a influente ONG americana Freedom House em seu relatório anual publicado esta semana, citando "ataques" contra o judiciário e os meios de comunicação.

Admirador declarado do ex-presidente dos EUA Donald Trump e aliado do ultraconservador Orban, Jansa privou a agência nacional de notícias STA de fundos públicos por meses, considerando-a muito crítica.

Falando à AFP, Uros Esih, comentarista político do jornal Delo, disse que vê as eleições como "uma batalha entre forças liberais e não liberais" e teme que uma vitória de Jansa aproxime a Eslovênia da Hungria, onde Orban, reeleito no início de abril, amordaçou as instituições.

A Eslovênia, "uma vez considerada um modelo no Leste Europeu", tem visto "as liberdades cada vez mais cerceadas", segundo o analista Valdo Miheljak. Se eleito, Golob promete um retorno à "normalidade".

Em meados de março, Jansa, que é profundamente antirusso, viajou para Kiev com seus colegas da Polônia e da República Tcheca, na primeira visita de dignitários estrangeiros à capital ucraniana sitiada.

Mas a questão da guerra na Ucrânia foi rapidamente relegada a segundo plano e, para convencer, a mídia governista favoreceu o argumento da continuidade.

"Em dois anos fizemos muito. Imagine o que poderíamos fazer em quatro anos", disse o primeiro-ministro, gabando-se do forte crescimento econômico, apesar da pandemia, e do baixo desemprego.

AFP e Correio do Povo


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