segunda-feira, 28 de março de 2022

Putin busca controlar o norte e o sul e dividir a Ucrânia, diz general ucraniano

 General Budanov prevê sangrento confronto de guerrilhas



O presidente russo, Vladimir Putin, está tentando dividir a Ucrânia em duas, emulando a divisão pós-guerra entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Esta é a análise do chefe da inteligência militar ucraniana, general Kyrylo Budanov, em um comunicado distribuído à imprensa.

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Em comentários que levantam a perspectiva de um longo e amargo conflito, Budanov, que previu a invasão da Rússia já em novembro, alertou para um sangrento confronto de guerrilhas. "Embora Putin não tenha tropas para tomar todo o país, ele pode tentar dividi-lo consolidando território em partes da Ucrânia. Em outras palavras, ele tentará impor uma linha de distribuição entre as regiões não ocupadas e ocupadas do nosso país", disse Budanov. Autoridades ocidentais disseram estar determinadas a impedir que Putin consiga dividir a Ucrânia.

Segundo o chefe de inteligência, Putin teria repensado seu plano de ocupação total depois que não conseguiu tomar rapidamente Kiev e derrubar o governo do presidente Volodmir Zelenski. Recentemente, o líder da autoproclamada República Popular de Luhansk, no leste da Ucrânia, Leonid Pasechnik, disse acreditar "que em um futuro próximo um referendo será realizado no território da república, durante o qual o povo dará sua opinião sobre a adesão à Federação Russa".

Autoridades ucranianas disseram ontem que estão cada vez mais confiantes em sua capacidade de evitar ataques terrestres à capital. As forças ucranianas partiram para a ofensiva em áreas onde as linhas russas estão mais reduzidas. No entanto, as forças russas continuaram a bombardear vilas e cidades, ao redor da capital, incluindo Bucha e Irpin, onde trabalhavam para estabelecer posições fortificadas, segundo autoridades ucranianas e ocidentais. Elas também cercaram a cidade de Chernihiv, no norte, deixando milhares de civis presos.

Tendo sofrido pesadas perdas, uma grande formação de soldados russos voltou a se reagrupar no norte, especialmente em uma área ao redor da extinta usina nuclear de Chernobyl.

Ao longo da frente leste, que se estende por mais de 965 quilômetros de Chernihiv, no norte, até a cidade portuária de Mariupol, no sul, os combates continuam intensos. O Exército ucraniano - que impediu os russos de cercar Kharkiv - afirmou ontem que seus soldados recuperaram duas aldeias nos arredores da cidade.

As forças russas já cercaram Chernihiv, a cerca de 160 quilômetros de Kiev, de acordo com o prefeito da cidade, Vladislav Atroshenko. Dezenas de milhares estão agora presos. Aqueles que permaneceram nas cidades arruinadas de Mariupol, Sumy e Chernihiv - que abrigavam coletivamente mais de 2 milhões de pessoas antes da guerra - agora estão confinados em abrigos antiaéreos e porões com suprimentos cada vez menores de comida e água.

Agência Estado e Correio do Povo

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