quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Especialistas mapeiam os lugares no mundo onde a pandemia pode estar perto do fim, mas fazem alerta

 


À medida que a onda provocada pela variante delta diminui em muitas regiões do mundo, cientistas estão mapeando quando, e onde, a covid-19 fará a transição para uma doença endêmica em 2022 e depois, apontam especialistas.

Eles acreditam que os primeiros países a emergirem da pandemia terão tido uma combinação de altos índices de vacinação e de imunidade entre pessoas que foram infectadas pelo coronavírus, como Estados Unidos, Reino Unido, Portugal e Índia. Mas os cientistas também alertam que o SARS-CoV-2, vírus causador da covid-19, permanece como um agente imprevisível que sofre mutações enquanto se espalha pelas populações não vacinadas.

Nenhum dos especialistas ouvidos descartam completamente o que alguns chamaram de “cenário do Juízo Final”, no qual o vírus passaria por mutações a ponto de conseguir escapar da imunidade duramente conquistada. Ainda assim, eles expressaram uma confiança crescente de que muitos países terão deixado o pior da pandemia para trás no próximo ano.

“Nós acreditamos que entre agora e o fim de 2022, esse é o ponto em que teremos controle sobre o vírus… em que podemos reduzir significativamente os casos graves e os óbitos da doença”, contou a epidemiologista que lidera a resposta à covid-19 da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove.

A visão da organização é baseada no trabalho com especialistas em doenças que estão mapeando o provável curso da pandemia nos próximos 18 meses. Até o final de 2022, a OMS busca que 70% da população mundial esteja vacinada.

“Se alcançarmos esse objetivo, nós estaremos em uma situação epidemiológica muito, muito diferente”, disse Maria Van Kerkhove.

Enquanto isso, Maria se preocupa com países suspendendo de forma prematura as medidas de precaução da covid-19:

“É impressionante para mim estar vendo pessoas nas ruas como se tudo tivesse acabado.”

Os casos e mortes de da doença estão diminuindo desde agosto em quase todas as regiões do mundo, de acordo com o último relatório da OMS de 26 de outubro.

A Europa tem sido uma exceção, com a delta causando novos estragos em países com baixa cobertura vacinal, como a Rússia e a Romênia, bem como em locais que eliminaram a obrigatoriedade do uso de máscaras.

A variante também contribuiu para o aumento de infecções em países como Cingapura e China, que têm altas taxas de vacinação, mas pouca imunidade natural devido a medidas de lockdown muito mais rígidas, que preveniram ondas maiores anteriormente.

“A transição será diferente em cada lugar porque será motivada pelos níveis de imunidade em cada população pela infecção natural e, é claro, pela distribuição das vacinas, o que varia de estado para estado e de país para país”, disse o epidemiologista da Escola de Saúde Pública T.H. Chan, da Universidade de Harvard, Marc Lipsitch.

Uma série de especialistas afirmaram esperar que a onda nos Estados Unidos provocada pela delta termine neste mês, e represente o último grande surto de covid-19 no país.

“Nós estamos transicionando da fase de pandemia para a fase mais endêmica do vírus, em que esse vírus se torna apenas uma ameaça persistente aqui nos Estados Unidos”, disse o ex-comissário da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos EUA, Scott Gottlieb.

Um especialista na área de previsão de doenças da Universidade de Washington, Chris Murray, também vê o aumento dos casos causado pela Delta nos Estados Unidos terminando em novembro:

“Nós teremos um aumento muito modesto durante o inverno. Se não houver nenhuma nova e relevante variante, então a Covid começa a realmente desacelerar em abril.”

Mesmo onde os casos estão crescendo, à medida que países suspendem as medidas restritivas, como no Reino Unido, as vacinas parecem estar mantendo as pessoas fora dos hospitais.

O epidemiologista do Imperial College de Londres Neil Ferguson afirmou que, para o Reino Unido, “o grosso da pandemia como uma emergência ficou para trás”.

“Evolução gradual”

Ainda se espera que a covid-19 permaneça como uma grande causa de doenças e mortes nos próximos anos, assim como outras doenças endêmicas, como a malária.

“Endêmica não significa benigna”, ressaltou Maria Van Kerkhove.

Alguns especialistas dizem que o vírus eventualmente terá um comportamento mais parecido com o do sarampo, que ainda causa surtos em populações que têm baixa cobertura vacinal.

Outros acreditam que a covid-19 pode se tornar uma doença respiratória sazonal, como a gripe. Ou que o vírus pode se tornar menos letal, afetando majoritariamente crianças, mas isso ainda pode levar décadas, destacaram alguns cientistas.

O virologista computacional do Centro de Câncer Fred Hutchinson, Trevor Bedford, que acompanha a evolução do SARS-CoV-2, vê uma onda de inverno mais amena nos Estados Unidos seguida por uma transição para doença endêmica em 2022 – 2023. Ele projeta um cenário de 50 a 100 mil mortes por Covid-19 nos EUA por ano, um número além das 30 mil mortes anuais já estimadas em decorrência da gripe.

O vírus também continuará provavelmente a sofrer mutações, o que irá exigir doses anuais de reforço da vacina adaptadas às últimas variantes em circulação, disse Bedford.

O Sul

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