quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Copom reforça que antevê outra alta de 1,5 ponto da Selic na próxima reunião

 


Em uma reunião que tratou principalmente dos impactos que os riscos fiscais podem ter sobre a condução da Selic, a taxa básica de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) debateu na semana passada “cenários com ritmos” de altas maiores do que 1,5 ponto percentual da taxa básica de juros. É o que mostra a mais recente ata do colegiado, divulgada nesta quarta-feira (3) e referente à reunião da semana passada. Na ocasião, o Copom elevou a Selic de 6,25% ao ano para 7,75% ao ano e sinalizou nova alta de 1,5 ponto para o último encontro de 2021.

“O Comitê avaliou, inclusive, cenários com ritmos de ajuste maiores do que 1,50 ponto percentual”, disse o colegiado do Banco Central (BC) na ata, ao discorrer sobre simulações que fez com diversas trajetórias para a taxa básica de juros e “sob diferentes cenários alternativos”. “Prevaleceu, no entanto, a visão de que trajetórias de aperto da política monetária com passos de 1,50 ponto percentual, considerando taxas terminais diferentes, são consistentes, neste momento, com a convergência da inflação para a meta em 2022”, afirmou.

Atualmente, para conduzir a Selic, o Copom mira com igual peso os anos de 2022 e 2023 – para os quais as metas de inflação são 3,5% e 3,25%, respectivamente. Já as projeções de inflação do cenário básico do Copom para cada um desses anos estão em 4,1% e 3,1%. Essas projeções foram descritas na ata, respectivamente, como “acima da meta” e “ao redor da meta”.

Segundo o BC, essa convergência da trajetória de preços para a meta no ano que vem já leva em conta inclusive “a atual assimetria no balanço de riscos” causada pelos riscos fiscais. No balanço de riscos, a autoridade monetária faz uma espécie de análise mais subjetiva dos fatores que podem impactar a inflação. Já a assimetria “altista” que o Copom enxerga significa que, na avaliação do colegiado, há mais chances de a inflação ficar acima do esperado do que abaixo.

“Esse viés de alta é agora maior do que o anteriormente considerado”, disse. Assim, houve a conclusão “que o grau apropriado de aperto monetário”, medido pela trajetória de elevação da Selic, “é significativamente mais contracionista do que o utilizado no cenário básico”, tirando ainda mais força da atividade econômica.

Para o comitê, as contas públicas têm “desempenho melhor do que o esperado”. Além disso, “supondo a manutenção dos marcos fiscais vigentes, em particular o controle do crescimento dos gastos, as projeções do Copom preveem trajetória cadente da dívida pública” como proporção do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas o colegiado reconheceu que entre as suas duas últimas reuniões surgiram “questionamentos relevantes em relação ao futuro do arcabouço fiscal atual”, que resultaram tanto em “em elevação dos prêmios de risco” quanto em maiores chances de “desancoragem das expectativas de inflação”. Por sua vez, esse movimento aumentou ainda mais a assimetria altista no balanço de riscos, de acordo com o BC.

“Isso implica atribuir maior probabilidade para cenários alternativos que considerem taxas neutras de juros mais elevadas”, disse, referindo-se à taxa que, de maneira simplificada, permite o máximo de crescimento da economia sem que isso acelere a inflação.

A autoridade monetária não detalhou quais questionamentos são esses, mas as mudanças propostas no teto de gastos pelo governo federal nas últimas semanas fizeram diversas instituições financeiras e consultorias revisarem para cima as suas projeções de inflação.

“Esmorecimento no esforço de reformas estruturais e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, afirmou também o Copom, reforçando que “reformas e ajustes necessários” são essenciais “para o crescimento sustentável” da atividade econômica no país. As informações são do jornal Valor Econômico.

O Sul

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