O Banco Central decidiu novamente por manter a Taxa SELIC em 6,5% a.a. e ressaltou que os riscos para a inflação são ligados à não aprovação das reformas e de piora no cenário internacional. Com a sinalização de cautela pelo Banco, há dois possíveis cenários e seus efeitos sobre a Renda Fixa.
No cenário 1, se você acredita que há boas chances de aprovar as reformas e isso ocorrer, os títulos públicos prefixados se tornarão mais atrativos. Por outro lado, se você não acredita que as reformas passam, o cenário brasileiro tende a se deteriorar e, ocorrendo, você verá os títulos públicos pós-fixados serem mais atrativos. Leandro Ruschel comenta esses efeitos para a Liberta.
Se preferir, leia abaixo a transcrição do vídeo:
Tivemos há pouco a decisão do Comitê de Política Monetária que manteve inalteradas as taxas de juros de curto prazo em 6,5%. O mercado esperava até alguma sinalização de flexibilização dessa política monetária, mas não foi o que trouxe a decisão do texto que fala sobre a diminuição de riscos na economia global, normalização de políticas monetárias ímpares envolvidas, ou seja, o fim da alta de taxa de juros em algum desses países e o risco, de maneira mais pessimista, de desaquecimento da economia global.
No cenário interno, o COPOM fala em riscos de quebra de expectativa em relação às reformas. Ou seja, se tivermos a falha do Governo Bolsonaro em produzir tais reformas, isso poderia mudar a percepção de risco nas palavras do Banco Central, com expectativas de aumento da inflação e prêmios de riscos maiores.
É uma decisão relativamente negativa para o mercado de ações, que esperava uma sinalização de corte mais clara, então não devemos ter uma reação muito positiva do mercado em relação a isso. Na verdade, hoje, o mercado talvez já estivesse precificando essa quebra de expectativa, já que a Bolsa caiu de maneira significativa.
Fica mais clara a importância das reformas para que nós tenhamos um ambiente que permita a redução adicional da taxa de juros. O que o COPOM sinalizou é a manutenção dessas taxas — um equilíbrio na taxa de juros por mais tempo — e a surpresa positiva melhoraria no caso da queda taxa de juros, se tivermos um bom andamento das reformas. Ainda, deve-se prestar atenção no mercado internacional.
Como é que isso se traduz na movimentação de preços de títulos de dívida, especialmente dívida pública? Bom, se você tem uma expectativa de diminuição da taxa de juros, os títulos atuais,especialmente os pré fixados, irão valorizar. O contrário vai acontecer se os juros subirem, então pra quem acredita uma melhora no cenário brasileiro, a expectativa seria de compra de títulos prefixados acreditando na sua valorização. Por outro lado, se a expectativa seria de alta nas taxas de juros, a aposta seria em pós fixados. Basicamente, é isso que nós tivemos de interpretação em relação a essa decisão.
Muito obrigado e até a próxima!

Leandro Ruschel
Sócio-fundador do Grupo L&S, com 15 anos de experiência no mercado financeiro do Brasil, Leandro atua com trader profissional há pelo menos 5 anos no mercado de bolsas do Estados Unidos da América.
Liberta
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