(Guga Chacra – Globo-On, 07) Não é comum se falar no Brasil do cristianismo oriental. Muitos brasileiros não sabem que existem igrejas cristãs antigas e pensam que há apenas o catolicismo e as denominações protestantes e evangélicas. Mas centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo seguem o cristianismo ortodoxo, igrejas autocéfalas orientais e algumas igrejas em comunhão com o catolicismo, mas de rito distinto. Neste dia 7, algumas destas vertentes antigas do cristianismo celebram o Natal.
Primeiro, no entanto, vale dividir as igrejas orientais em três blocos. Primeiro, há as autocéfalas, sem comunhão com outras. São os coptas, os armênios, os siríacos e os etíopes. Todas igrejas antigas. Os primeiros se concentram no Egito, onde representam 10% da população. Os armênios, por sua vez, historicamente são da região onde se localiza hoje a Turquia e o país Armênia, mas com diáspora por países áreas do Oriente Médio como a Síria, Líbano, Israel e Palestina, além de países como EUA, Argentina, França e Brasil. Os siríacos se concentram na Síria e no Iraque, embora sejam minoritários mesmo entre os cristãos em ambos países. E os etíopes, claro, são da Etiópia e de algumas nações limítrofes. Eles ficaram independentes da Igreja Copta.
O segundo grupo seria o cristianismo Ortodoxo, que muitas vezes chamamos de grego-ortodoxo. Há diferentes patriarcados ortodoxos que são independentes entre si, mas estão em comunhão e consideram o patriarca de Constantinopla (Istambul) o primeiro entre os iguais. Alguns dos patriarcados ortodoxos ficam no Oriente Médio, como o de Alexandria (Egito), Jerusalém e o Antioquino, atualmente com sede em Damasco, na Síria. A Igreja Russa Ortodoxa, que é a maior de todas em número de fiéis, não sente mais que o patriarca de Constantinopla seria o primeiro entre os iguais e coloca o de Moscou em um patamar superior. A relação entre os dois se deteriorou ainda mais nesta semana quando Constantinopla reconheceu a Igreja Ortodoxa Ucraniana como um patriarcado independente em Kiev. Os russos não aceitaram a decisão e consideram a Igreja Ucraniana como parte da russa.
O terceiro grupo é composto por igrejas do Oriente em comunhão com o catolicismo, como a Caldeia (Iraque), Maronita (Líbano), além daquelas que seguiam as religiões do primeiro grupo, mas passaram a respeitar a autoridade papal, como os coptas e os armênios católicos, assim como os que mantém o rito ortodoxo, mas seguem o Vaticano, como os grego-católicos, também conhecidos como melquitas.
As Igrejas Armênia, Siríaca, Copta, Etíope e algumas ortodoxas, como a Russa e a de Jerusalém, celebram o Natal pelo calendário Juliano, em 7 de janeiro. Há algumas ortodoxas como a Antioquina, a de Alexandria e a de Constantinopla que adotaram o calendário Gregoriano para o Natal e celebram em 25 de dezembro. As em comunhão com o Vaticano seguem obviamente marcam a data no mesmo dia. Na Páscoa, porém, as Igrejas Ortodoxas de Constantinopla, Alexandria e Antioquina seguem o calendário juliano.
Em Jerusalém, onde há múltiplas igrejas, embora os grego-ortodoxos e os armênios oficialmente marquem o Natal no 7 de janeiro, eles concordaram em celebrar com os católicas e denominações em comunhão com o catolicismo no 25 de dezembro em Belém, uma cidade palestina cristã. Já os católicos cedem na Páscoa e esta é celebrada no calendário Juliano, seguindo a tradição armênia e a grego-ortodoxa e evitam assim que haja o risco de a data cair na mesma época da Páscoa judaica. Em Beirute, onde há o maior número de cristãos de diferentes denominações antigas, todos os Natais e Páscoa são feriados nacionais, inclusive para os muçulmanos – muitos sunitas e xiitas celebram de forma laica o Natal com ceia, árvores e até Papai Noel.
No Brasil, há muitos armênios e grego-ortodoxos. Os primeiros oficialmente têm o Natal no 7 de janeiro. Já os ortodoxos, por serem majoritariamente da Síria e do Líbano e portanto de rito antioquino, celebram no 25 de dezembro. Na cidade de São Paulo, há igrejas ortodoxas, armênias, armênia-católicas, siríacas e melquitas. Por ser neto de libanês cristãos grego-ortodoxo com uma cristã grego-católica (melquita), no meu direito à cidadania libanesa estou registrado como grego-ortodoxo, porque pela lei do Líbano deve sempre ser seguida a linhagem paternal – o país, por dividir o poder entre as diferentes religiões, coloca no documento à qual pertence o cidadão, ainda que este não seja religioso.
Primeiro, no entanto, vale dividir as igrejas orientais em três blocos. Primeiro, há as autocéfalas, sem comunhão com outras. São os coptas, os armênios, os siríacos e os etíopes. Todas igrejas antigas. Os primeiros se concentram no Egito, onde representam 10% da população. Os armênios, por sua vez, historicamente são da região onde se localiza hoje a Turquia e o país Armênia, mas com diáspora por países áreas do Oriente Médio como a Síria, Líbano, Israel e Palestina, além de países como EUA, Argentina, França e Brasil. Os siríacos se concentram na Síria e no Iraque, embora sejam minoritários mesmo entre os cristãos em ambos países. E os etíopes, claro, são da Etiópia e de algumas nações limítrofes. Eles ficaram independentes da Igreja Copta.
O segundo grupo seria o cristianismo Ortodoxo, que muitas vezes chamamos de grego-ortodoxo. Há diferentes patriarcados ortodoxos que são independentes entre si, mas estão em comunhão e consideram o patriarca de Constantinopla (Istambul) o primeiro entre os iguais. Alguns dos patriarcados ortodoxos ficam no Oriente Médio, como o de Alexandria (Egito), Jerusalém e o Antioquino, atualmente com sede em Damasco, na Síria. A Igreja Russa Ortodoxa, que é a maior de todas em número de fiéis, não sente mais que o patriarca de Constantinopla seria o primeiro entre os iguais e coloca o de Moscou em um patamar superior. A relação entre os dois se deteriorou ainda mais nesta semana quando Constantinopla reconheceu a Igreja Ortodoxa Ucraniana como um patriarcado independente em Kiev. Os russos não aceitaram a decisão e consideram a Igreja Ucraniana como parte da russa.
O terceiro grupo é composto por igrejas do Oriente em comunhão com o catolicismo, como a Caldeia (Iraque), Maronita (Líbano), além daquelas que seguiam as religiões do primeiro grupo, mas passaram a respeitar a autoridade papal, como os coptas e os armênios católicos, assim como os que mantém o rito ortodoxo, mas seguem o Vaticano, como os grego-católicos, também conhecidos como melquitas.
As Igrejas Armênia, Siríaca, Copta, Etíope e algumas ortodoxas, como a Russa e a de Jerusalém, celebram o Natal pelo calendário Juliano, em 7 de janeiro. Há algumas ortodoxas como a Antioquina, a de Alexandria e a de Constantinopla que adotaram o calendário Gregoriano para o Natal e celebram em 25 de dezembro. As em comunhão com o Vaticano seguem obviamente marcam a data no mesmo dia. Na Páscoa, porém, as Igrejas Ortodoxas de Constantinopla, Alexandria e Antioquina seguem o calendário juliano.
Em Jerusalém, onde há múltiplas igrejas, embora os grego-ortodoxos e os armênios oficialmente marquem o Natal no 7 de janeiro, eles concordaram em celebrar com os católicas e denominações em comunhão com o catolicismo no 25 de dezembro em Belém, uma cidade palestina cristã. Já os católicos cedem na Páscoa e esta é celebrada no calendário Juliano, seguindo a tradição armênia e a grego-ortodoxa e evitam assim que haja o risco de a data cair na mesma época da Páscoa judaica. Em Beirute, onde há o maior número de cristãos de diferentes denominações antigas, todos os Natais e Páscoa são feriados nacionais, inclusive para os muçulmanos – muitos sunitas e xiitas celebram de forma laica o Natal com ceia, árvores e até Papai Noel.
No Brasil, há muitos armênios e grego-ortodoxos. Os primeiros oficialmente têm o Natal no 7 de janeiro. Já os ortodoxos, por serem majoritariamente da Síria e do Líbano e portanto de rito antioquino, celebram no 25 de dezembro. Na cidade de São Paulo, há igrejas ortodoxas, armênias, armênia-católicas, siríacas e melquitas. Por ser neto de libanês cristãos grego-ortodoxo com uma cristã grego-católica (melquita), no meu direito à cidadania libanesa estou registrado como grego-ortodoxo, porque pela lei do Líbano deve sempre ser seguida a linhagem paternal – o país, por dividir o poder entre as diferentes religiões, coloca no documento à qual pertence o cidadão, ainda que este não seja religioso.
Ex-Blog do Cesar Maia
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