Com a ameaça do PSDB de deixar a base aliada, Centrão se reaglutinou
Com a ameaça do PSDB de deixar a base aliada, Centrão se reaglutinou e agora cerra fileiras em defesa de Temer | Foto: José Cruz / Agência Brasil / CP Memória
Depois do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a estratégia planejada pelo Palácio do Planalto é uma ofensiva contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e os rumos da Lava Jato. Para isso, o governo espera contar com o Congresso para impedir o avanço de denúncia que deve ser apresentada contra Temer - investigado em inquérito por corrupção passiva, obstrução de Justiça e participação em organização criminosa.
Um ministro próximo ao Planalto avalia que os deputados, com receio da Lava Jato, não vão querer fortalecer Rodrigo Janot. Se a denúncia contra Temer for apresentada, o governo precisará de pelo menos 172 votos, ou 1/3 da Casa, para impedir a acusação de ser aprovada.
Com a ameaça do PSDB de deixar a base aliada, o bloco conhecido como Centrão se reaglutinou e agora cerra fileiras em defesa de Temer, oferecendo-se como "alternativa" aos tucanos na Esplanada. O grupo - que reúne cerca de 150 deputados - pode ser o fiel da balança para salvar o presidente de uma eventual cassação de mandato.
Os tucanos parecem cada vez mais próximos do desembarque, mas a decisão final sobre a permanência ou não no governo será tomada somente na próxima segunda-feira, em reunião do Diretório Nacional. Formado por partidos de médio porte, como o PP, o PR, PTB e PRB e famoso por abrigar muitos parlamentares do chamado baixo clero, o Centrão enxergou nessa turbulência a oportunidade para oferecer um "ombro amigo" ao presidente e ampliar o espaço na equipe.
"Na crise, orai, na bonança, cantai louvores. E eu quero cantar louvores", disse o presidente do PTB, Roberto Jefferson, que na quarta-feira levou a bancada do partido para um encontro com Temer, no Planalto. "Eleição direta só para presidente, agora, não dá. Por acaso ele vai se ajoelhar para esse Congresso que está aí? Qualquer que seja o nome não terá força para impor nada", disse o senador Telmário Mota (PTB-RR).
Ministérios e cargos Grupo do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o Centrão praticamente se desintegrou após a prisão do peemedebista, na Lava Jato. Mas, com o cerco se fechando para Temer, o bloco ganhou importância e está de olho em vagas hoje controladas pelo PSDB.
É o caso, por exemplo, do Ministério das Cidades, ocupado pelo deputado licenciado Bruno Araújo (PSDB) e cobiçado pelo PP, que hoje comanda a Saúde. A garantia de governabilidade dada pelo bloco a Temer espera, ainda, recompensa do governo com diretorias de bancos e estatais. Mesmo que o PSDB não deixe a base agora, o Centrão promete ficar ao lado de Temer, à espera do melhor momento para ampliar o seu espaço.
Estadão Conteúdo e Correio do Povo
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