Petróleo e gás: governo pode licitar dez bacias sedimentares em 2017

O secretário adjunto de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, João Nora Souto, informou que está em análise no governo oferecer dez bacias sedimentares na 14ª Rodada de Licitação de Petróleo e Gás, em 2017. Entre elas estão Espírito Santo (mar e terra), Pelotas, Santos, Parnaíba, Paraná, Sergipe/Alagoas e Recôncavo. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) é que vai decidir quais blocos serão incluídos.

Além da 14ª Rodada, está previsto para o ano que vem um leilão de áreas unitizáveis, reservas que são interligadas com campos já leiloados e que podem ter produção unificada. Para a definição de como será a exploração dessas áreas o governo está preparando uma resolução que passará pelo CNPE.

De acordo com o secretário, a resolução vai abranger algumas áreas que já estão em produção e permitirá que possa continuar a exploração de uma área ainda não contratada, que são as unitizáveis.

“Sabemos que tem vinte campos passíveis de unitização, incluindo também as áreas internas e externas ao pré-sal. Existem alguns campos que já pertencem à União, então, quanto mais rápido tiver a definição dessa nova resolução, mais rápido o governo vai poder se apropriar dessa receita. Existe estimativa para o próximo ano em torno de US$ 120 milhões de receita, só por conta da produção dos campos que estão produzindo na área não contratada da União”, revelou Souto.

O secretário deu a declaração ao participar do Ciclo de Debates sobre Petróleo e Economia: Incentivos e Barreiras do Regime Tributário no setor de Petróleo, organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), no centro do Rio. João Nora Souto afirmou que ainda não é possível fazer uma estimativa de arrecadação do primeiro leilão de unitização: “Não temos ainda porque todos os parâmetros como bônus, excedente de óleo, conteúdo local, tudo isso ainda vai ser apreciado para decisão do CNPE. Ainda não tem o modelo fiscal definido”.

No encontro, o secretário-executivo de Exploração e Produção (E&P) do IBP, Antonio Guimarães, destacou que a agenda competitiva da indústria passa pela evolução do modelo de conteúdo local, pela multiplicidade de atores em operação, estabilidade tributária e regulatória, licenciamento ambiental, calendário de rodas de licitação e desenvolvimento de gás. “Com todo o potencial que nós temos na avaliação do IBP, olhando o que há de ativos no mundo e os investimentos globais, a nossa percepção é que o Brasil poderia atrair algo em torno de 10% do investimento global”, afirmou.

Guimarães indicou, ainda, a necessidade do governo decidir sobre a prorrogação do Repetro, que é um regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural e vence em 31 de dezembro de 2020.

“Se conseguirmos fechar uma resolução da unitização, conseguirmos a aprovação do PL que flexibiliza a operação única, bem como, a do Repetro são itens fundamentais para dar segurança para as empresas poderem comparecer nesta próxima rodada. É de fundamental importância saber que o governo está apoiando, que está vendo toda a questão regulatória a política de conteúdo local.

O CNPE já autorizou a criação de um grupo de trabalho com o objetivo de estudar uma nova política para o setor de exploração e produção do país
O secretário acrescentou que o governo avaliou as reivindicações do setor e tem interesse em resolver o mais rápido possível os pontos de entrave que impedem mais investimentos nas operações do Brasil.

“Acho a questão do Repetro é de fundamental importância para garantir que as empresas possam se programar no longo prazo sabendo que vão ter este regime em vigor e equilibrar o planejamento de todos os custos e investimentos”, o secretário do MME.

 

Agência Brasil

 

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Nice, a narrativa e a Lava Jato

Por Mario Sabino

O ataque em Nice é mais uma prova de que o governo francês é uma porcaria, assim como a polícia e os serviços de informação. Como jornalista, no entanto, eu não posso deixar de admirar o ritual narrativo que segue cada atentado.

Depois de descoberta a identidade do terrorista, ou terroristas, e esclarecidos o número de vítimas e as circunstâncias gerais do ataque, o procurador de Paris chama a imprensa para descrever tudo aquilo que as autoridades sabem a respeito do assunto até aquele momento, bem como o que não sabem.

O texto é cristalino e lido no tom certo — nem emotivo, nem monocórdio. A gramática também escapa completamente ilesa, como sói acontecer nestas latitudes. Tradição literária ajuda nessas horas.

A descrição do procurador de Paris confere sentido ao que parece não ter o menor sentido. Organiza a investigação policial que ganhará mais detalhes nas semanas seguintes, serve de ponto de partida para as interpretações políticas que tomarão o noticiário e esboça outro capítulo da história do país. Não menos relevante, dá início ao luto nacional e aos lutos individuais de quem perdeu familiares e amigos. De certa forma, é como o epílogo de uma tragédia grega.

Tudo é o exato contrário do que costuma ocorrer no Brasil. Quase não temos narrativas e, quando tecidas, elas pecam pela obscuridade ou mentira deslavada.

É na falta de tradição narrativa que Lula e os seus aliados apostam para deturpar o que a Lava Jato vem contando de maneira ainda demasiado técnica. Talvez seja o caso de a República de Curitiba contratar o procurador de Paris para lhe dar mais clareza. O nome dele é François Molins.

 

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