sexta-feira, 15 de julho de 2022

Darcy Ribeiro - História virtual

 

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Vice-governador do estado do Rio de Janeiro
Período 15 de março de 1983
a 15 de março de 1987
Governador Leonel Brizola
Antecessor(a) Hamilton Xavier
Sucessor(a) Francisco Amaral
Ministro-chefe da Casa Civil do Brasil
Período 18 de junho de 1963
a 2 de abril de 1964
Presidente João Goulart
Antecessor(a) Evandro Lins e Silva
Sucessor(a) Getúlio Barbosa de Moura
Ministro da educação do Brasil
Período 18 de setembro de 1962
a 23 de janeiro de 1963
Presidente João Goulart
Antecessor(a) Roberto Lira
Sucessor(a) Teotônio Monteiro de Barros
Senador do Rio de Janeiro
Período 1 de fevereiro de 1991
a 17 de fevereiro de 1997
Antecessor(a) Jamil Haddad
Sucessor(a) Abdias do Nascimento
Dados pessoais
Nascimento 26 de outubro de 1922
Montes Claros, MG
Morte 17 de fevereiro de 1997 (74 anos)
Brasília, DF
Nacionalidade brasileiro
Alma mater FESPSP
Cônjuge Berta Gleizer Ribeiro
Partido PCB (1940-1964)
PDT (1979-1997)
Religião catolicismo

 

Darcy Ribeiro[a] (Montes Claros, 26 de outubro de 1922Brasília, 17 de fevereiro de 1997) foi um antropólogo, historiador, sociólogo, escritor e político brasileiro, filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) e conhecido por seu foco em relação aos indígenas e à educação no país.[1]

Suas ideias de identidade latino-americana influenciaram vários estudiosos latino-americanos posteriores. Como Ministro da Educação do Brasil realizou profundas reformas, o que o levou a ser convidado a participar de reformas universitárias no Chile, Peru, Venezuela, México e Uruguai, depois de deixar o Brasil devido à ditadura militar de 1964.

Foi casado com a etnóloga e antropóloga Berta Gleizer Ribeiro, até 1974.

Juventude

Darcy Ribeiro nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, em 26 de outubro de 1922. Filho de Reginaldo Ribeiro dos Santos e de Josefina Augusta da Silveira. Em Montes Claros fez os estudos fundamentais e secundário, no Grupo Escolar Gonçalves Chaves e no Ginásio Episcopal de Montes Claros.[2]

Foi para Belo Horizonte estudar Medicina, porém ao cursar disciplinas de Ciências Sociais, decidiu-se por esta área. Em 1946, formou-se em antropologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo e dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia (1946-1956).[3]

Carreira

Notabilizou-se fundamentalmente por trabalhos desenvolvidos nas áreas de educação, sociologia e antropologia tendo sido, ao lado do amigo a quem admirava Anísio Teixeira, um dos responsáveis pela criação da Universidade de Brasília, elaborada no início da década de 1960, ficando também na história desta instituição por ter sido seu primeiro reitor. Redigiu o projeto, como funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, do Parque Indígena do Xingu, criado em 1961. Também foi o idealizador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Publicou vários livros, vários deles sobre os povos indígenas.[3]

Darcy Ribeiro foi ministro da Educação durante Regime Parlamentarista do Governo do presidente João Goulart (18 de setembro de 1962 a 24 de janeiro de 1963) e chefe da Casa Civil entre 18 de junho de 1963 e 31 de março de 1964. Durante a ditadura militar brasileira, como muitos outros intelectuais brasileiros, teve seus direitos políticos cassados e foi obrigado a se exilar, vivendo durante alguns anos no Uruguai.[3]

Durante o primeiro governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro (1983-1987), Darcy Ribeiro, como vice-governador, criou, planejou e dirigiu a implantação dos Centros Integrados de Ensino Público (CIEP), um projeto pedagógico visionário e revolucionário no Brasil de assistência em tempo integral a crianças, incluindo atividades recreativas e culturais para além do ensino formal - dando concretude aos projetos idealizados décadas antes por Anísio.[3]

Entrega do Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília para Darcy Ribeiro em 1995

Nas eleições de 1986, Darcy foi candidato ao governo fluminense pelo PDT concorrendo com Fernando Gabeira (então filiado ao PT), Agnaldo Timóteo (PDS) e Moreira Franco (PMDB), mas foi derrotado nas urnas, com a eleição de Moreira.[carece de fontes]

Foi responsável pela criação e pelo projeto cultural do Memorial da América Latina, centro cultural, político e de lazer, inaugurado em 18 de março de 1989, no bairro da Barra Funda, em São Paulo, assim como foi responsável pelo projeto de lei que deu origem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), lei 9 394/96 aprovado pelo senado brasileiro.[3]

Exerceu o mandato de senador pelo Rio de Janeiro de 1991 até sua morte em 1997 - anunciada por um lento processo canceroso que comoveu o Brasil. Darcy, sempre polêmico e ardoroso defensor de suas ideias, teve, em sua longa agonia, o reconhecimento e admiração até dos adversários. Publica O Povo Brasileiro em 1995, obra em que aborda a formação histórica, étnica e cultural do povo brasileiro, com impressões baseadas nas experiências de sua vida.[3] Foi sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.[4]

Ideias

As ideias de Darcy Ribeiro pertenciam à escola evolucionista de sociologia e antropologia, e suas principais influências eram os neovolucionistas Leslie White e Julian Steward, além do arqueólogo marxista V. Gordon Childe. Ele acreditava que os povos passavam por um "processo civilizatório", começando como caçadores-coletores. Este "processo civilizatório" teria sido marcado por revoluções tecnológicas e, entre elas, Darcy enfatizou as oito mais importantes:[carece de fontes]

Classificação dos países latino-americanos

Mapa da classificação de Darcy Ribeiro dos países de continente americano: "Povos Novos" (vermelho), "Povos Testemunha" (amarelo) e "Povos Transplantados" (azul)[5]

Ribeiro propôs também um esquema de classificação para os países americanos onde identificou:

Classes sociais no Brasil

Ver artigo principal: Classes sociais no Brasil

Em seu livro O Povo Brasileiro, Ribeiro apresenta uma divisão empírica das classes. Isto é, trata-se de uma divisão baseada não em níveis de renda, mas apenas na observação da sociedade.[7]

No topo da hierarquia, há três grupos. O patronato, cujo poder e riqueza vêm da exploração econômica. O patriciado, por sua vez, é composto por indivíduos que exercem altos cargos (general, deputado, bispo, etc.) Mais tarde, surgiu entre as classes dominantes outro grupo: o estamento gerencial das empresas estrangeiras.[7]

Os setores intemediários, por sua vez, são compostos por "pequenos oficiais, profissionais liberais, policiais, professores", entre outros. As classes subalternas englobam os indivíduos que, apesar de pobres, estão integrados no mercado. Possuem empregos estáveis, Também englobam pequenos empresários, arrendatários, gerentes de propriedades rurais, etc.[7]

A mais ampla classe é, contudo, as oprimidas, ou dos "marginais", composta principalmente de negros e mulatos. Estes não estão plenamente integrados na vida social, no sistema econômico, etc., e vivem de subempregos, ou de empregos instáveis. Para Ribeiro, a eles cabe a tarefa de reformar a sociedade.[7]

O que é o Brasil

Malha ferroviária do Brasil em 1910. Seu desenho pode ser entendido como uma evidência de que o Brasil tinha sua economia voltada para o mercado externo. Nota-se que as ferrovias não integram o território do país, mas apenas ligam o interior aos portos.[8]

Para Ribeiro, o Brasil é tanto um Povo Novo (no sentido explicado na seção mais acima), mas também é velho. Conforme O Povo Brasileiro, é velho "[...] porque se viabiliza como um proletariado externo. Quer dizer, como um implante ultramarino da expansão européia que não existe para si mesmo, mas para gerar lucros exportáveis pelo exercício da função de provedor colonial de bens para o mercado mundial, através do desgaste da população que recruta no país ou importa".[9]

Desculturação

Ver artigo principal: Desculturação

Ribeiro trabalhou com o conceito de desculturação, processo segundo o qual um povo ou uma etnia (como os negros e índios no Brasil) são despojados de seus elementos culturais originais para se aculturarem em um novo ambiente (no caso, a protocélula étnica brasileira). A desculturação é, para Ribeiro, a primeira etapa da aculturação.

Academia Brasileira de Letras

Darcy Ribeiro foi eleito em 8 de outubro de 1992 para a cadeira 11, que tem por patrono Fagundes Varela, sendo recebido em 15 de abril de 1993 por Cândido Mendes.[10]

Em seu discurso de posse, deixou registrado:

Obras

Com obras traduzidas para diversos idiomas (inglês, o alemão, o espanhol, o francês, o italiano, o hebraico, o húngaro e o checo), Darcy Ribeiro figura entre os mais notórios intelectuais brasileiros. Divididas tematicamente, foram elas:

Etnologia
  • Culturas e línguas indígenas do Brasil – 1957
  • Arte plumária dos índios Kaapo – 1957
  • A política indigenista brasileira – 1962
  • Os índios e a civilização – 1970
  • Uira sai, à procura de Deus – 1974
  • Configurações histórico-culturais dos povos americanos – 1975
  • Suma etnológica brasileira – 1986 (colaboração; três volumes).
  • Diários índios – os urubus-kaapor – 1996, Companhia das Letras
Antropologia
  • O processo civilizatório – etapas da evolução sócio-cultural – 1968
  • As Américas e a civilização – processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos – 1970
  • O dilema da América Latina – estruturas do poder e forças insurgentes – 1978
  • Os brasileiros – teoria do Brasil – 1972
  • Os índios e a civilização – a integração das populações indígenas no Brasil moderno – 1970
  • The culture – historical configurations of the American peoples – 1970 (edição brasileira em 1975).
  • O povo brasileiro – a formação e o sentido do Brasil – 1995.
Romances
Ensaios
  • Kadiwéu – ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza – 1950
  • Configurações histórico-culturais dos povos americanos – 1975
  • Sobre o óbvio - ensaios insólitos – 1979
  • Aos trancos e barrancos – como o Brasil deu no que deu – 1985
  • América Latina: a pátria grande – 1986
  • Testemunho – 1990
  • A fundação do Brasil – 1500/1700 – 1992 (colaboração)
  • O Brasil como problema – 1995
  • Noções de coisas – 1995
Educação
  • Plano orientador da Universidade de Brasília – 1962
  • A universidade necessária – 1969
  • Propuestas – acerca da la renovación – 1970
  • Université des Sciences Humaines d'Alger – 1972
  • La universidad peruana – 1974
  • UnB – invenção e descaminho – 1978
  • Nossa escola é uma calamidade – 1984
  • Universidade do terceiro milênio – plano orientador da Universidade Estadual do Norte Fluminense – 1993

Homenagens

Prêmio Darcy Ribeiro de Educação

Premiação anual instituída em 1998 pela Câmara dos Deputados do Brasil, que concede um diploma de menção honrosa e outorga uma medalha com a efígie de Darcy Ribeiro a três personalidades físicas ou jurídicas que se destacaram na defesa e promoção da educação brasileira. Entre os indicados, os três vencedores são escolhidos por um colegiado formado por membros do Congresso Nacional.[23]

Biografias

Notas


  1. O prenome foi alterado para "Darci" durante algumas décadas, em conformidade com regras ortográficas então vigentes no Brasil (Formulário Ortográfico de 1943), que eliminavam a letra "y" do alfabeto. Com a volta do "y" no Acordo de 1990, a grafia "Darcy" pode ser aceita.

Referências


  • Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «RIBEIRO, DARCI». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 1 de janeiro de 2021

  • Bomeny, Helena Maria Bousquet. Darcy Ribeiro: sociologia de um indisciplinado. Editora UFMG, 2001. pp. 39.

  • Grupo de Estudos e Pesquisas "História, Sociedade e Educação no Brasil" Faculdade de Educação - UNICAMP (ed.). «Darcy Ribeiro». Consultado em 27 de março de 2016

  • Corpo de Darcy Ribeiro é enterrado no Rio. Em Agência Folha 19/02/97 www1.folha.uol.com.br

  • RIBEIRO, D. As Américas e a Civilização. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1970, link.

  • Larraín, Jorge. Identidad chilena. 2001. Editorial LOM.

  • Ribeiro, Darcy (1995). O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. [S.l.]: Companhia das Letras

  • Galeano, Eduardo (29 de setembro de 2010). As veias abertas da América Latina. [S.l.]: L&PM Editores. p. 258

  • Ribeiro, Darcy (1995). «introdução». O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras. pp. 199–200

  • Academia Brasileira de Letras (ed.). «Darcy Ribeiro». Consultado em 27 de março de 2016

  • Academia Brasileira de Letras (ed.). «Darcy Ribeiro - Discurso de posse». Consultado em 27 de março de 2016

  • Juliana Andrade e Caroline Cintra. «Universidade de Brasília é o berço da educação superior na capital». Correio Braziliense. Consultado em 2 de dezembro de 2020

  • http://www.uenf.br/portal/index.php/br/historia-da-uenf.html

  • «Principais Operações - default». Petrobras

  • «Patronos». IHGMC

  • «Agraciados». Prêmio Anísio Teixeira

  • «Sambodromo - Passarela do Samba - Rio de Janeiro». www.riodejaneiroaqui.com

  • «CGU»

  • «Pavilhão da Criatividade». Consultado em 26 de abril de 2019

  • Ministério da Cultura. «Ordem do Mérito Cultural 2005». Consultado em 25 de maio de 2008

  • Diário Oficial da União. «MINISTÉRIO DA CULTURA, DECRETO DE 3 DE NOVEMBRO DE 2005.». Consultado em 20 de fevereiro de 2020

  • Revista Carnaval (10 de julho de 2019). «Darcy Ribeiro será homenageado no Carnaval 2020». Consultado em 13 de julho de 2019

  • «Prêmio Darcy Ribeiro de Educação». Portal da Câmara dos Deputados

    1. Sobre, acesso em 14 de julho de 2016.

    Ligações externas

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