domingo, 12 de junho de 2022

Projeto transforma casca de arroz em vidro

 Pesquisa da Unipampa, de Alegrete, que apresenta resultados promissores para o uso comercial do resíduo pela indústria de beneficiamento, foi selecionada por um programa de intercâmbio científico entre o Brasil e a Suíça

O uso das cinzas de cascas de arroz como substitutas à areia na produção de vidro começou a ser estudado por Weber e Valsecchi em 2018 


Por Camila Pessôa*

O que o mestre em Física e doutor em Engenharia Elétrica Jacson Weber e a doutora em Química Chiara Valsecchi, professores do Programa de Pós-graduação em Engenharia da Unipampa de Alegrete, poderiam buscar em uma reunião com integrantes do Poder Legislativo gaúcho? À primeira vista, somente estreitar a relação entre a academia e a sociedade, mas a visita, realizada no final de maio, teve um objetivo maior: buscar apoio legal e financeiro para ampliar os avanços já obtidos pelos experimentos acadêmicos que visam tornar as cinzas de cascas de arroz, provenientes da indústria arrozeira, em matéria-prima de uso comercial para a produção de vidro. “Se de fato o Brasil quer se preocupar com a sustentabilidade, precisamos de leis que favoreçam as empresas que utilizam material reciclável”, afirma Valsecchi, citando as possibilidades de desenvolvimentos trazidas pelo projeto. “A região Oeste é conhecida pela produção rural, mas a indústria também poderia ser trazida para cá”, propõe.

Os pesquisadores também buscam amparar o processo de convencimento das indústrias para que utilizem os resíduos do beneficiamento do arroz. “As indústrias não querem substituir as matérias-primas que já utilizam se não obtiverem vantagens, que poderiam vir de benefícios fiscais, por exemplo, mediante opção por insumos recicláveis”, diz Weber. 

O uso das cinzas de cascas de arroz como substitutas à areia na produção de vidro começou a ser estudado por Weber e Valsecchi em 2018. O projeto, intitulado “Produção de vidro transparente a partir da casca de arroz, e suas aplicações comerciais”, foi um dos dez brasileiros escolhidos pelo programa Academy-Industry Training (AIT), organizado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia da Suíça em parceria com o governo brasileiro. Segundo Valsecchi, o AIT seleciona pesquisas promissoras do ponto de vista da inovação tecnológica. Em duas semanas de evento, uma no Brasil, em 2021, e outra na Suíça, em abril deste ano, foram ministrados cursos e palestras para que os participantes entendessem como transformar a pesquisa em produtos comerciais. Além disso, o AIT traz possibilidade de contato com investidores.

Uma das principais aplicações para esse método estudada pelos pesquisadores é a produção de microesferas refletivas para mistura na tinta ou aspersão sobre a pintura usada na sinalização horizontal de rodovias. Weber explica que essas esferas são utilizadas para refletir luz à noite e que o vidro feito com cinzas da casca do arroz demonstrou resultados comparáveis aos vidros comerciais na intensidade da luz refletida. 

As cinzas, oriundas do processo de transformação das cascas de arroz em energia, contêm sílica, elemento mais importante na produção do vidro, e já são matéria-prima conhecida para a produção de materiais como concreto e borracha. 

O engenheiro de materiais Vinicius Franco trabalha com o desenvolvimento de aparatos refratários para a siderurgia e cita a qualidade da cinza da casca de arroz como isolante térmico, em especial na fabricação de aço. Segundo ele, o resíduo também tem utilidade na produção de cimentos e cerâmicas. 

*Sob supervisão de Thaíse Teixeira

Correio do Povo


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