terça-feira, 21 de junho de 2022

Diesel mais caro fortalece ofensiva de caminhoneiros sobre governo

 Líder da categoria, que já falou em greve, diz que o país "vai parar naturalmente, por não ter mais condições de rodar"



A ofensiva dos caminhoneiros contra o governo e a política de preços dos combustíveis da Petrobras ganhou força depois de declarações a respeito de uma CPI sobre a gestão da estatal, feitas pelo presidente Jair Bolsonaro e por Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados.

"O país vai parar naturalmente, por não ter mais condições de rodar", disse Wallace Landim, presidente da Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores), conhecido como "Chorão Caminhoneiro".

Em ato realizado em São Paulo nesta segunda-feira (20), em um posto, ele ficou ao lado da bomba de combustível, exibindo o preço cobrado pelo diesel, R$ 8,70 o litro. "Estou aqui em São Paulo, 300 litros de diesel são R$ 2.610. Categoria, vamos acordar! Precisamos, sim, se unir (sic), todos os Estados", disse Landim, que é um dos principais líderes dos caminhoneiros.

Ele afirma que o governo federal tem adotado medidas sem eficácia, norteado apenas por interesses eleitorais. Falou, ainda, que Bolsonaro descumpriu compromissos que teria assumido com os profissionais de transporte, como a alteração da política de preços usada pela Petrobras, que se baseia em oscilações do mercado internacional para definir sua tabela no país.

"Vamos acordar, se unificar (sic) e ir para cima da Petrobras. E quando eu falo ir para cima da Petrobras, é ir para cima do governo federal também. Quem nomeia o presidente da estatal é o senhor Jair Messias Bolsonaro, que fez um compromisso de mudar esse preço de paridade de importação. Por isso nós acreditamos no senhor".

Landim diz que a definição dos membros do conselho da empresa está nas mãos do governo e que, por isso, Bolsonaro poderia fazer mudanças estruturais. "Dos 11 membros do conselho, seis são indicações suas. Você pode fazer, sim. Vamos para cima da Petrobras, do governo, do Ministério de Minas e Energia. Não podemos mais ficar calados", declarou.

Lucro
Nesta segunda, a União também recebe mais uma parcela, de R$ 8,8 bilhões, referente ao lucro da estatal. A cifra faz parte de um total, já anunciado este ano, de R$ 32 bilhões em dividendos, que serão pagos até julho ao governo, maior acionista da companhia.

Entre 2019 e 2021, a União já tinha recebido outros R$ 34,4 bilhões em dividendos, em valores atualizados, segundo levantamento de Einar Rivero, da TC/Economática. Quando se somam impostos e royalties ao lucro destinado à União, o resultado é um total de R$ 447 bilhões, que entrou nos cofres federais, de 2019, início do governo Bolsonaro, a março deste ano.

Esse valor corresponde a, aproximadamente, cinco vezes o orçamento do Auxílio Brasil previsto para este ano, em torno de R$ 89 bilhões. Considerando estados e municípios, o montante dos dividendos pagos pela Petrobras chega a R$ 675 bilhões. Os dados estão em relatórios fiscais da companhia, revelados pelo Estadão em maio. 

Na semana passada, a associação dos condutores emitiu uma declaração criticando a atuação do ministro da Economia, Paulo Guedes: "por ironia do destino, o ministro apelidado de posto Ipiranga, que deveria resolver esse problema, é o grande culpado deste caos, e hoje chegamos neste ponto crítico, sendo que ainda temos sérios riscos de falta de combustível."

Paulo Guedes não comentou a declaração. A Abrava também afirmou que "muitos especialistas afirmam que esse problema tem soluções viáveis, mas está claro que essa não é a prioridade, o que vemos é um governo desesperado".

R7 e Correio do Povo


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