sexta-feira, 17 de julho de 2020

Permissionários do Mercado Público reclamam da diferenciação de supermercados e hipermercados

Comerciantes não entendem por que, diferentemente de outros pontos de abastecimento, foram obrigados a fechar

Faixa de protesto colocada por permissionários foi retirada pela prefeitura

Os 106 permissionários do Mercado Público de Porto Alegre gostariam de ter recebido da prefeitura o mesmo tratamento concedido aos hipermercados e supermercados que podem receber clientes, desde que obedeçam todas as regras de prevenção e de distanciamento social em função da Covid-19. A avaliação foi feita pela presidente da Associação do Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc), Adriana Kauer, ao explicar que os comerciantes sempre defenderam o acesso limitado de pessoas a um dos mais tradicionais centro de compras da cidade.
"As regras feitas para os supermercados, hipermercados e armazéns que trabalham com alimentos não serviram para os permissionários que também atuam no setor de alimentação", lamentou. Na segunda-feira, dia 13 de julho, um grupo de fornecedores colocou um cartaz com a mensagem: "Se todos os mercados privados de Porto Alegre estão abertos, porque o Mercado Público não pode estar?". A faixa de protesto foi colocada nas quatro entradas do Mercado Público Central no Largo Glênio Peres, nas avenidas Borges de Medeiros e Júlio de Castilhos e na praça Parobé, no Centro Histórico. 
Segundo Adriana Kauer, o cartaz foi retirado por servidores da prefeitura depois de quase duas horas. Ela afirmou que tem receio que após o decreto que determinou o fechamento do estabelecimento comercial por 15 dias os permissionários não possam reabrir e retomar o atendimento presencial do público. "O cliente do Mercado Público é muito fiel e precisa haver esse contato com os comerciantes", ressaltou. Segundo ela, antes do decreto do dia 6 de julho, as pessoas aguardavam em uma fila de espera no portão e usavam máscara de proteção e seguiam as orientações de distanciamento social.
Na manhã de sexta-feira, o aposentado Valtair Magalhães, morador do bairro Teresópolis, criticou a decisão da prefeitura de fechar o local por duas semanas. "Poderia haver uma entrada controlada de clientes", ressaltou. De acordo com Adriana Kauer, o Mercado Público já vinha tratando de forma muito responsável a questão da Covid-19. “Tanto que os clientes não podiam entrar nas lojas externas ou internas, nem mesmo nas bancas, em todas elas também há disponibilização de álcool em gel, além de controle de temperatura dos funcionários”, reiterou. Conforme ela, a maioria dos permissionários trabalha com produtos perecíveis como carnes, peixes, legumes, verduras e laticínios. Os produtos foram doados para instituições assistenciais em Porto Alegre.
O secretário Extraordinário de Enfrentamento ao Coronavírus, Bruno Miragem, disse que é preciso registrar que é um momento crítico de ascensão da curva de ocupação de leitos nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) na Capital. "Nossa prioridade é a preservação da capacidade de atendimento do sistema de saúde. As atividades do Mercado Público se dão sob a forma de permissão pública, assim como o Mercado do Bom Fim. Trata-se de um ponto de aglomeração, tradicionalmente, inclusive com a forma de aquisição frente a muitas bancas", explicou. Segundo Miragem, a alternativa do controle de acesso não se revelou eficaz. "Por isso, se decidiu pela possibilidade do fornecimento por meio de tele-entrega. E para os serviços de alimentação como acesso externo também de pegue e leve", acrescentou. O secretário afirmou ainda que a prefeitura está sempre aberta a dialogar com todos os setores atingidos pelas medidas de enfrentamento da pandemia do coronavírus.

Correio do Povo

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