domingo, 17 de março de 2019

Artigo para 16.03.2019 – O Colapso da Moderação – Ruy Fabiano (E-mail recebido no RS Notícias) | Clic Noticias

De: manoel soriano <msorianoneto@yahoo.com.br>
Enviado: domingo, 17 de março de 2019 01:18
Assunto: Fw: ENC: Artigo para 16.03.2019 – O Colapso da Moderação – Ruy Fabiano
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Assunto: Artigo para 16.03.2019 – O Colapso da Moderação – Ruy Fabiano
Há quase 40 anos houve um general que alertou a sociedade para a “cólera das legiões” e foi muito criticado. Pois hoje eu alerto para a “cólera das multidões”, que é muito pior pois, ao contrário da primeira, que é ordenada, a segunda caracteriza-se pela desordem, pelo caos. Cuidado para não criarem aqui uma nova versão da Revolução Francesa…
            Que ninguém se iluda: está havendo no Brasil uma autêntica revolução, que veio para ficar. Melhor seria se ocorresse dentro da ordem democrática.
            É evidente que a sociedade brasileira está mais que saturada de tantos desmandos. Só não vê quem não quer. Chega de privilégios, de corrupção, de burocracia e, principalmente, de falsidades e cretinice. Chega de autoridades que dizem uma coisa e fazem outra. Chega de sacrifícios de classes que vêm se sacrificando há cem anos em benefício de outras que se locupletam às custas do erário. Chega de autoritarismo disfarçado de democracia. Chega de bandido solto. Chega de “politicamente correto”. Chega de Justiça que tarda e falha. Chega de Governo maior que a nação. Chega de atraso. Chega de luta de classes, com sociedade dividida entre homens e mulheres, pretos e brancos, ricos e pobres, militares e civis, etc. (A única divisão admissível é entre polícia e bandido). Chega de uma infinidade de nações dentro da nação brasileira. O Brasil não é um império, o povo é um só. Não há povos indígenas. Só há o povo brasileiro.
            Que parem de dizer que em tal ou qual país é assim ou assado. Lá é a Passárgada. Aqui é o Brasil, país rico, com povo honesto e trabalhador, que luta arduamente pelo dia-a-dia. Um país pacífico, que há mais de 70 anos não se envolve em guerras, graças a políticas que, embora com tropeços,  vêm sendo conduzidas acertadamente.
            O que queremos é ocupar nosso merecido lugar entre as nações mais ricas e respeitadas do mundo, em que a Lei seja cumprida; em que o analfabetismo, depois de cem anos de vãs promessas, seja finalmente erradicado; em que o Estado sirva à nação em vez de espoliá-la; em que se pare de dizer que o Estado é pobre e não tem como executar obras, enquanto a corrupção, evidente para todos, menos para os interessados, campeia e drena bilhões e bilhões de reais; em que deixem de existir astronômicas disparidades de renda, com salários mensais variando entre R$1.000,00 e R$300.000,00 ou mais. (Vide Portal da Transparência).
            É esse o Brasil que todos queremos e que iremos seguramente conquistar. É esse o objetivo do povo brasileiro e quem a ele se opuser será fatalmente amaldiçoado pela História e, talvez, tenha de enfrentar a cólera das multidões. Faz-se mister, pois, muita ponderação e seriedade no momento atual.
            Gen Div Refo Mário Ivan Araújo Bezerra
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O colapso da moderação
RUY FABIANO
O STF é a última cidadela de um establishment político-institucional que, embora moralmente arruinado, luta para sobreviver – mais que isso, manter seu status quo e as regras que o sustentam.
Esse establishment, sem a exceção de nenhum dos poderes, foi gradualmente desmascarado pela operação Lava Jato, que levou à cadeia figurões da política e do meio empresarial. Os maiorais.
Expôs as relações incestuosas entre o público e o privado e a transgressão contínua, quase rotineira, a uma cláusula pétrea constitucional segundo a qual “todos são iguais perante a lei”.
Millôr Fernandes, décadas atrás, dizia que alguns são mais iguais. Atualizando-o, pode-se dizer que lutam – e o STF é a trincheira final – para que essa igualdade desigual seja preservada.
A Lava Jato expôs as vísceras desse sistema e, ao fazê-lo, despertou o ânimo da população, que se insurgiu em sucessivas manifestações de rua – as maiores da história – denunciando sua índole corrupta e subversiva, clamando por sua remoção.
O impeachment de Dilma Roussef foi a consequência inicial e a eleição de Bolsonaro a continuidade desse processo (que não cessou). A população, em sua maioria, viu nele o candidato que melhor expressava o sentimento anti-establishment.
A hostilidade da mídia e do coronelato cultural a seu nome, que precede a posse e acompanha cada um de seus atos, apenas os inclui, na percepção do público, entre os que resistem às mudanças, merecedores, eles sim, do estigmatizado rótulo de reacionários.
Nada simboliza mais essa degradação institucional que o encarceramento, a partir de juízes de primeira instância, de um ex-presidente da República, Lula, ao lado de ex-governadores (quatro do Rio de Janeiro e um do Paraná), ex-deputados (inclusive um ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha), ex-senadores, ex-ministros.
Ao lado deles, os donos das maiores empreiteiras do país, algumas ostentando o rótulo de multinacionais, com tentáculos estendidos a outras nações e continentes. E a fila não acabou.
Aguardam nela, em face dos mesmos delitos, outros figurões, entre os quais, dois ex-presidentes – Dilma Roussef e Michel Temer -, parlamentares com mandato, banqueiros e… juízes.
O ex-governador Sérgio Cabral, condenado (até aqui) a mais de um século de cadeia (o que o obrigará a retornar a Bangu na próxima encarnação), resolveu abrir o bico e chegar ao pessoal da toga.
No Senado, prepara-se uma CPI para investigar o Judiciário e acaba de ser impetrado mais um pedido de impeachment contra Gilmar Mendes (há outros, contra Dias Toffolli, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski). No Congresso, há ainda um pacote anticrime, do ministro Sérgio Moro, que, entre outras coisas, fortalece o combate à corrupção nos altos escalões do Estado.
Diante disso, não surpreende a decisão do STF de remeter ao TSE os crimes de corrupção que possam, de algum modo, apresentar um viés eleitoral. Nocaute à Lava Jato: quase todos os enquadrados por ela alegam caixa dois para justificar propinas e superfaturamento de obras. Reduz-se assim (ou mesmo elimina-se) a fila dos réus e viabiliza-se a liberação dos já encarcerados, a começar por Lula.
Achou ruim? Cuidado: o presidente do STF, Dias Toffolli, anunciou que irá punir os que, inconformados, protestem contra esses atos. Em gesto inédito (quase tudo neste momento é inédito), o STF julgará em causa própria os que achar que o ofenderam.
Eis que o autointitulado Poder Moderador da República perdeu de vez a moderação.

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