sexta-feira, 17 de junho de 2022

Conselho da Petrobras autoriza nova alta nos preços dos combustíveis

 


Em reunião extraordinária realizada nessa quinta-feira (16), o Conselho de Administração da Petrobras deu sinal verde para um novo aumento de preços dos combustíveis. O reajuste deve ser só para o diesel e deve superar 10%. A empresa ainda vai definir o tamanho do aumento e a data para anunciar a decisão.

Durante a reunião, os conselheiros ligados ao governo tentaram convencer a empresa a segurar o aumento. Só que a diretoria relatou o teor das conversas realizadas com o governo nos últimos dias, quando a equipe do presidente Jair Bolsonaro não aceitou conceder um subsídio para a estatal e para importadores privados trazerem o diesel mais caro no exterior e vendê-lo no Brasil com um valor mais baixo.

Segundo a diretoria disse ao conselho, a única forma de evitar o aumento seria a concessão do subsídio, o que não foi autorizado pelo governo.

Sendo assim, o comando da estatal disse que, se segurasse o aumento, teria de importar diesel mais caro e causar prejuízo para a estatal, gerando risco de falta do produto ou ações contra a empresa na Justiça.

Em dado momento, a diretoria perguntou se o conselho iria autorizar essa operação que poderia gerar ações contra a diretoria e contra os próprios conselheiros. Diante da resposta negativa, um integrante da reunião disse que foi “restituído à diretoria o poder de decidir se dará ou não o aumento”.

O reajuste pode ser anunciado nesta sexta (17).

Segundo membros da diretoria, a defasagem entre os preços internacionais e o praticado pela Petrobras supera atualmente os 20% no caso do diesel. Já a defasagem no preço da gasolina caiu para cerca de 5%, depois de medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Insatisfação 

Bolsonaro, já há algumas semanas, decidiu apontar a Petrobras como a vilã pela disparada no preço dos combustíveis no País. Ele teme que a inflação, em especial de itens como gasolina e diesel, comprometam sua imagem junto ao eleitorado e a sua tentativa de reeleição.

Para ele, crítico dos lucros da Petrobras, a empresa deveria pensar nos impactos sociais da inflação e segurar os preços.

A estatal argumenta que é obrigada a praticar os preços internacionais. Se o preço do petróleo e seus derivados subir lá fora, ela deve reajustar os valores aqui dentro também. A empresa alega ainda que, se segurar os preços artificialmente, os importadores privados podem desistir de atuar no Brasil, o que pode levar à escassez de combustível.

O Sul

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