sexta-feira, 17 de junho de 2022

Biden e o Brasil potência

 No contexto que envolve política e trabalho nas Américas, líder americano considera a importância do Brasil

Jurandir Soares



Tivemos a realização nesta semana da Cúpula das Américas, iniciativa do presidente americano, Joe Biden, que buscou reunir as democracias do continente. Sob esta condição, Cuba, Nicarágua e Venezuela ficaram fora, o que desgostou o presidente esquerdista do México, Andrés Manuel López Obrador, que se negou a participar do evento. O objetivo de Biden foi o de retomar o protagonismo dos Estados Unidos na região. Afinal, há algum tempo que o país está mais voltado para seus enfrentamentos com China e Rússia, assim como buscando alinhavar suas relações com a Europa, tendo deixado de lado sua vizinhança.

De repente, Washington se deu conta de que é preciso voltar o olhar para a região em função de dois fatores. Um deles é o crescente fluxo migratório de latino-americanos para os EUA. Outro, a guinada para a esquerda dada por alguns países da região como o Chile, por exemplo, e que pode ser seguida por outra potência regional, a Colômbia, que poderá ter na presidência do país um ex-guerrilheiro do M-19. Assim como há a possibilidade também de a esquerda voltar ao poder no Brasil. Isto sem falar em Argentina e Venezuela, dois países já há algum tempo dominados pela esquerda. Quanto ao fluxo migratório, Washington entendeu que a melhor forma de diminuí-lo é criar condições de emprego nos países de origem. Assim, está sendo traçado um programa no sentido de deslocar para cá algumas cadeias produtivas da Ásia. Para isto, Biden já alocou de imediato uma verba de 2 bilhões de dólares para os países da América Central. Com isto, além de diminuir o custo de produtos que têm que vir de longe, também se estaria gerando múltiplas oportunidades de trabalho.

Dentro deste contexto que envolve política e trabalho na região, a administração Biden considerou a importância do Brasil. Tanto que mandou um emissário especial para convidar o presidente Jair Bolsonaro para o encontro. O que se tornou mais relevante diante da ausência do México, que é o outro país de peso na região. O Brasil sob um governo liberal pode servir não só de exemplo, como também de impulsionador dos negócios na região. E, a propósito, o presidente Bolsonaro aproveitou muito bem a vitrine que se abriu para o mundo, ao se encontrar com Biden, para vender as potencialidades do Brasil e, ao mesmo tempo, tentar amenizar um pouco a campanha internacional que é feita contra o nosso país, principalmente no que toca à preservação do meio ambiente. Campanhas muitas vezes direcionadas por órgãos de países que têm interesse em explorar a biodiversidade da Amazônia. Mandam para cá ONGs que dizem atuar no auxílio às populações indígenas ou ribeirinhas, mas que nada mais estão fazendo do que explorar os recursos naturais da região para suas indústrias de medicamentos, de cosméticos, etc. Bolsonaro lembrou que o Brasil produz, de forma sustentável, produtos que alimentam uma quinta parte da humanidade. E que hoje estamos gerando, através das energias eólica e solar, o equivalente a 50 usinas de Itaipu. Num contexto em que 75% da energia que geramos são fontes renováveis. Ou seja, com ampla preservação do meio ambiente. Por tudo isto que o nosso país representa, não é sem razão que a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou na quarta-feira que o Brasil é o sexto país do mundo em atração de investimentos estrangeiros.

Correio do Povo

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