quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Crise da Evergrande desafia a China, derruba mercados e impacta o Brasil

 


Com a perspectiva cada vez mais próxima de um calote da gigante do setor imobiliário chinês Evergrande, os mercados no mundo tiveram na segunda-feira (20) um dia marcado por expressivas quedas e pelo temor de uma crise financeira global. A Evergrande tem dívidas de mais de US$ 300 bilhões (ou R$ 1,6 trilhão, no câmbio de segunda, 20).

A percepção é de que o iminente colapso da segunda maior incorporadora da China indica um sinal de desaceleração da economia do país asiático, que tem no mercado imobiliário um de seus principais motores. Para o Brasil, o reflexo maior é no setor de commodities (produtos básicos, entre eles alimentos e petróleo), principalmente minério de ferro, que tem a China como a maior importadora. Na segunda, o preço do minério de ferro se desvalorizou quase 9%.

Como o mercado imobiliário é um dos principais motores da economia chinesa, com uma participação de quase um quarto do produto interno bruto (PIB), a apreensão é internacional. O Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira (B3), que na semana passada já havia tido quatro fechamentos em queda, na segunda despencou 2,33%, aos 108.843,74 pontos, o menor nível em quase 10 meses – desde 23 de novembro.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em queda de 1,78%; o S&P 500, de 1,70%; e o Nasdaq, de 2,40%. Na Europa, a Bolsa de Londres recuou 0,79%; Frankfurt, 2,31%; e Paris, 1,74%. A Bolsa de Hong Kong fechou em baixa de 3,3%, enquanto os mercados acionários da China, do Japão, da Coreia do Sul e de Taiwan não operaram em razão de feriados.

Efeito local

Para o Brasil, o reflexo maior é no setor de commodities (produtos básicos, entre eles alimentos e petróleo, cotados em dólar), principalmente minério, que tem a China como a maior importadora. O minério de ferro desvalorizou quase 9% ontem, descendo a US$ 92,98 por tonelada na China.

A série negativa foi iniciada no dia 8 e agravada a partir do dia 16, refletindo a piora de percepção sobre o país asiático, já debilitado por iniciativas regulatórias restritivas em setores como o do aço.

Outro impacto para o Brasil é a ameaça de perder investimentos. Roberto Motta, chefe da mesa de derivativos da Genial, considera o risco de que o colapso da Evergrande reduza o fluxo de recursos de investidores estrangeiros para os países emergentes, entre eles o Brasil, que ainda tem a crise política e o risco fiscal a resolver.

A Evergrande foi influenciada pelo boom imobiliário na China, mas não consegue entregar os imóveis para os clientes, o que tem multiplicado as ações judiciais contra a companhia. A empresa já avisou aos credores que não conseguiria cumprir os pagamentos de juros da dívida com vencimento.

Risco global

A Capital Economics diz, em relatório enviado a clientes, que as repercussões do “caso Evergrande” para o resto do mundo estão crescendo, mas avalia que a turbulência ainda não chegou à escala de “sustos” anteriores na China, como a guerra comercial com os Estados Unidos em 2018 e 2019 ou a desaceleração da economia do país asiático em 2015 e 2016.

Apesar dos temores, a agência classificadora de risco S&P Global Ratings afirma que um eventual calote não gerará uma onda de falências nem terá repercussões leves: gerará uma situação intermediária.

Os novos indícios de dificuldade da gigante chinesa colocaram em pauta se haveria o risco de uma eventual quebra provocar o mesmo efeito do colapso do Lehman Brothers na crise de setembro de 2008, que em efeito dominó levou o mundo a uma crise financeira profunda e duradoura.

O Sul

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