terça-feira, 21 de setembro de 2021

Bolsonaro discursa nesta terça na abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York

 


O presidente brasileiro Jair Bolsonaro será o primeiro a discursar no chamado “debate geral” da 76ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta terça-feira (21). Desde 1947, o representante do Brasil é encarregado de abrir oficialmente as falas dos líderes mundiais participantes. Somente em duas ocasiões  (1983 e 1984) o primeiro orador não foi um brasileiro. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, falará em seguida.

Na volta do evento (semi) presencial – em 2020 a Assembleia foi totalmente remota por causa da pandemia de covid-19 – Bolsonaro é, entre os 19 líderes do G-20 (composto pelas 19 principais economias mais a União Europeia) presentes, o único que declarou que não tomou e não iria tomar a vacina para ir ao encontro.

Em 2019, última vez que esteve na cidade para participar presencialmente do encontro, Bolsonaro encontrou à sua espera manifestantes a favor e contra o seu governo. Na ocasião, porém, ele entrou pela porta da frente do hotel.

A resposta dos países à pandemia e a necessidade de preservação do meio ambiente devem estar na pauta dos principais discursos da Assembleia-Geral deste ano.

O tema oficial do evento, divulgado pela ONU, é: “Construindo resiliência por meio da esperança – para se recuperar de Covid-19, reconstruir a sustentabilidade, responder às necessidades do planeta, respeitar os direitos das pessoas e revitalizar as Nações Unidas”.

Discurso

Por um lado, Bolsonaro tentará mostrar como seu governo avançou com a vacinação dos brasileiros e conteve a pandemia ao mesmo tempo em que irrigou a economia com um auxílio emergencial que beneficiou quase um terço da população e impediu uma recessão mais aguda em 2020.

Além disso, focará em realizações para, nas palavras de integrantes do próprio Itamaraty, “desarmar a bomba” da questão ambiental que o próprio governo ajudou a montar e que trouxe danos à imagem internacional do País.

Por outro lado, tentará caracterizar que o tom mais pragmático em certos assuntos não o afasta dos princípios que o elegeram — e que agradam sua base mais aguerrida. São esperadas citações a temas como o marco temporal (que limita a possibilidade de demarcação de terras indígenas àquelas ocupadas por eles em 1988), à liberdade de expressão da direita em redes sociais e a valores cristãos e conservadores.

Para o Itamaraty, que preferia que Bolsonaro evitasse menções a temas controversos — e fizesse um discurso mais ao sabor da fala dele na 13ª cúpula dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), há alguns dias, quando o presidente chegou a dizer que a parceria com a China tem sido “essencial” para o combate da pandemia por seu governo —, a expectativa é que a agenda positiva que o presidente vai apresentar solape eventual repercussão negativa dos aspectos mais ideológicos da apresentação.

No Itamaraty, a percepção é que o presidente “já surpreendeu positivamente em abril”, na Cúpula do Clima promovida pelo presidente americano, Joe Biden, e portanto a expectativa agora seria “positiva”.

O Itamaraty sabe, porém, que a Assembleia-Geral da ONU é uma plataforma valorizada pelo presidente e que ao menos trechos do discurso devem escapar ao tom discreto e pragmático que o chanceler Carlos França tem tentado imprimir à atuação do Itamaraty.

“Ele provavelmente vai apresentar algo mais moderado, mas não veremos uma versão ‘Bolsonarinho paz e amor'”, diz Guilherme Casarões, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas, em uma alusão ao Lulinha Paz e Amor criado pelo marqueteiro Duda Mendonça em 2002 para amenizar a imagem de radical do ex-presidente Lula.

“Agenda positiva”

Além de destacar que o Brasil é o país em desenvolvimento com metas mais ambiciosas, tanto no combate ao desmatamento (zerar até 2030) quanto à emissão de gases do efeito estufa (alcançar a neutralidade até 2050) e relembrar que o Brasil detém mais de 80% de sua matriz energética de fonte limpa, os diplomatas brasileiros querem que Bolsonaro anuncie em plenário o cumprimento de uma promessa que fez em abril, na Cúpula do Clima, a Biden.

As sinalizações são vistas como fundamentais para voltar a atrair o investidor estrangeiro. “Acredito que avançamos. Antes o presidente até negava que houvesse um problema, agora reconhecemos o desafio do desmatamento e estamos enfrentando”, afirmou um embaixador, em caráter reservado.

Em outra frente, França defende que Bolsonaro explore o bom momento do país na pandemia. O Brasil recém-ultrapassou os EUA em proporção de cidadãos vacinados com pelo menos uma dose (66,6% a 63%), embora esteja muito distante em relação à taxa dos vacinados com duas doses (38,05% a 54%).

Possivelmente pelo avanço na imunização, a média móvel de casos e mortes por covid-19 recuou para patamares inferiores ao verificado ao longo do último ano. A expectativa do Planalto é que até o fim de outubro o país tenha a maioria da população completamente imunizada.

O Sul

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