terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Mais de 40 países barram viajantes do Reino Unido; Brasil só exigirá teste

 País ficará vulnerável por 10 dias, já que exigência só deverá ocorrer a partir do dia 30



Mais de 40 nações decidiram suspender voos, trens e interromper rotas comerciais com o Reino Unido desde domingo, 20, por causa de uma variante no novo coronavírus que surgiu no país. Com a medida, o país foi praticamente isolado do restante da Europa ontem.

Já o Brasil não deve adotar restrições - os britânicos e viajantes que saírem do Reino Unido poderão entrar e sair do território nacional nos próximos 9 dias sem precisar nem mesmo apresentar exame comprovando que não está doente. Só a partir do próximo dia 30 é que o documento será exigido, deixando o Brasil vulnerável por dez dias. Na América Latina, Colômbia, Peru, Chile e Argentina adotaram restrições como as dos europeus.

Depois de expressar frustração com a falta de resposta dos EUA à nova cepa de coronavírus, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, encarregou as três principais companhias aéreas que supervisionam as viagens entre o Reino Unido e Nova York - British Airways, Delta Air Lines e Virgin Atlantic - de exigir que os passageiros façam o teste antes de voarem para o Estado.

Os britânicos estão preocupados com a possibilidade de ficar sem alimentos frescos antes do Natal por causa dos bloqueios, além do impasse nas negociações com a UE sobre um acordo comercial pós-Brexit - uma ruptura sem pacto pode trazer ainda mais dificuldades ao país para comprar produtos da UE.

A agitação em torno da mutação do vírus ficou maior depois que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que ele era 70% mais contagioso do que outras cepas. A estimativa anunciada pelo líder britânico, no entanto, não foi confirmada por experimentos de laboratório, disse Muge Cevik, especialista em doenças infecciosas da Universidade de St. Andrews, na Escócia, e consultor do governo britânico. Autoridades britânicas disseram que não há razão para acreditar que a nova variante cause problemas graves ou seja mais letal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também minimizou o perigo da variante do coronavírus e pediu cautela ao que chamou de um "grande alarme" em torno da nova cepa ao argumentar que se tratava de um avanço normal do desenvolvimento da pandemia. "A situação não está fora de controle", Mike Ryan, principal especialista em emergências da OMS. Por causa da nova cepa do vírus, o Reino Unido adotou o nível 4 de restrições, o mais alto.

O Brasil não deve adotar restrições ao Reino Unido. A avaliação do governo federal é que uma portaria publicada no último dia 17, que exige apresentação do teste RT-PCR negativo tanto para brasileiros quanto para estrangeiros, é suficiente para barrar a entrada de infectados vindos do país europeu. No entanto, a medida só passará a valer no dia 30.

A norma determina que o viajante faça o teste com no máximo 72 horas de antecedência do embarque e só é autorizado a entrar com resultado negativo. O comprovante deve ser apresentado à companhia aérea antes do embarque. Será preciso ainda preencher a Declaração de Saúde do Viajante (DSV) concordando com as medidas sanitárias a serem cumpridas no Brasil. Segundo a portaria, quem descumprir a determinação pode ser responsabilizado nas formas civil, administrativa e penal.


Agência Estado e Correio do Povo

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