terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O passe livre para os presidiários no Ceará e o caviar do STF, por Lúcio Machado Borges*



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É impressionante, mas os brasileiros não gozam dos mesmos privilégios que a bandidagem no Brasil e por isso são marginalizados, por mais paradoxal que possa parecer. Veja você que no Ceará foi aprovado o passe livre para presidiários.
Segundo informações que foram divulgadas no último dia 5 de dezembro, presos em regime semiaberto e aberto terão gratuidade nas passagens de ônibus em Fortaleza. Segundo as informações divulgadas, “a medida beneficiará aqueles que apresentarem situação de extrema vulnerabilidade. Facilitará o cumprimento de atividades de ressocialização, como deslocamento de cursos do ensino fundamental e médio”. Na práticasabemos que isso tudo é balela e o que vai acontecer é que agora eles terão passe livre para poder assaltar e a praticar esses crimes.
Em Brasília, foi liberado o caviar e vinhos renomados para os ministros do STF. O STF vai gastar mais de R$ 1 milhão em lagostas, vinhos e comidas de luxo.
No dia 26 de novembro, o Supremo divulgou informações sobre um pregão eletrônico para “serviços de fornecimento de refeições institucionais”, com gasto estimado de R$ 1,134 milhão. O serviço se refere à contratação de um fornecedor para as refeições servidas pela Corte, conforme suas necessidades. Procurado, o Supremo disse que o edital segue padrão do Ministério das Relações Exteriores.
O menu inclui desde a oferta café da manhã, passando pelo “brunch”, almoço, jantar e coquetel. Na lista, estão produtos para pratos como bobó de camarão, camarão à baiana e “medalhões de lagosta com molho de manteiga queimada”. Exige ainda que sejam colocados à mesa bacalhau à Gomes de Sá, frigideira de siri, moqueca (capixaba e baiana), arroz de pato. Tem ainda vitela assada; codornas assadas; carré de cordeiro, medalhões de filé e “tournedos de filé”, com molho de mostarda, pimenta, castanha de caju com gengibre.
Os vinhos recebem atenção especial. Se for vinho tinto fino seco, tem de ser Tannat ou Assemblage, contendo esse tipo de uva, de safra igual ou posterior a 2010 e que “tenha ganhado pelo menos 4 (quatro) premiações internacionais”. “O vinho, em sua totalidade, deve ter sido envelhecido em barril de carvalho francês, americano ou ambos, de primeiro uso, por período mínimo de 12 (doze) meses.”
Se a uva for tipo Merlot, só serão aceitas as garrafas de safra igual ou posterior a 2011 e que tenha ganho pelo menos quatro premiações internacionais. Nesse caso, o vinho, “em sua totalidade, deve ter sido envelhecido em barril de carvalho, de primeiro uso, por período mínimo de 8 (oito) meses”.
Para os vinhos brancos, “uva tipo Chardonnay, de safra igual ou posterior a 2013”, com no mínimo quatro premiações internacionais.
A caipirinha deve ser feita com “cachaça de alta qualidade”, leia-se: “cachaças envelhecidas em barris de madeira nobre por 1 (um) ou 3 (três) anos.”
Destilados, como uísques de malte, de grão ou sua mistura, têm que ser envelhecidos por 12, 15 ou 18 anos. “As bebidas deverão ser perfeitamente harmonizadas com os alimentos”, descreve o edital.
Reportagem de janeiro do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o STF, por determinação do ministro Dias Toffoli, fez uma reforma no gabinete da presidência que incluiu a substituição de carpete por piso frio e até a instalação de um chuveiro. A obra custou R$ 443.908,43 aos cofres públicos.
Por meio de nota, o STF informou que “o edital da licitação do serviço de refeições institucionais em elaboração pelo STF reproduz as especificações e características de contrato semelhante firmado pelo Ministério das Relações Exteriores (que faz o cerimonial da Presidência da República)”.
A corte informou que seu conteúdo foi analisado e validado pelo Tribunal de Contas da União, “mas com redução de escopo: dos 21 itens contratados pelo ministério, 15 são objeto da licitação do STF”.
Sobre o custo, declarou que “o valor de R$ 1,1 milhão é uma referência, que será submetida à disputa de preços entre as participantes do pregão. Além disso, o contrato prevê que o STF pagará apenas pelo que for efetivamente demandado e consumido, tendo o valor global do contrato como um teto”.
Vejam que no Brasil o salário mínimo é de apenas R$ 998,00 e a aposentadoria receberá apenas um pequeno acréscimo em 2020. Mas a safadeza não para por .
TCU vai torrar 60.000 reais com viagem de ministros flamenguistasJustificativa oficial da viagem é evento sobre corrupção a 500 quilômetros do estádio onde o Flamengo poderá jogar a final contra o Liverpool.
Três dias após o Flamengo levar o título da Libertadores no Peru e garantir o passaporte para o Mundial de Clubes, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a viagem dos ministros Benjamin Zymler e Augusto Sherman para uma conferência de combate à corrupção em Abu Dhabi, nos arredores da grande final no Qatar.
A “coincidência” da escalação dos ministros — ambos flamenguistas — que viajarão em missão oficial com a saga histórica do time de Jorge Jesus está causando revolta entre servidores do tribunal.
A dupla rubro-negra vai participar da 8ª Conferência dos Estados Partes da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. O evento acontecerá entre os dias 16 e 21 deste mês. Mas, por algum motivo, Zymler e Sherman, acompanhados de um auxiliar do TCU — não se sabe, se flamenguista também –, decidiu antecipar a partida e postergar o retorno ao Brasil.
Sherman sai do Brasil dia 13, mesma data do embarque do Flamengo para o mundial, e só retorna dia 23 de dezembro, dois dias depois do jogo da final. Zymler sai dia 9 e volta dia 22. A campanha do Flamengo no Mundial começa dia 17, com o jogo da semifinal e pode fechar no dia 21, na final.
A excursão dos ministros será bancada com dinheiro público: 60.000 reais só em diárias — e ainda há custos de passagem e hospedagem. No evento das Nações Unidas, eles estarão a poucas horas de carro do Estádio Internacional Khalifa.
É um verdadeiro absurdo os privilégios que tem os ministros do TCU e do STFalém dos bandidos chineloque não estão no mesmo patamar dos primeiros. Os aposentados e os trabalhadores de um modo geral não gozam dos mesmos privilégios,
Não  problema algum dos ministros do TCU assistirem ao jogo do Flamengo no Catarnem nada contra os ministros do STF comerem lagostacaviar ou beber vinhos premiadosdesde que eles arquem esses custosO erro e a injustiça é fazer com que os pagadores de impostos banquem mais este privilégio para esses gigolôs do dinheiro público.
*Vendedor autônomo

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