sábado, 3 de novembro de 2018

Redução do consumo de energia no RS deve ficar em 0,99% com o horário de Verão

Valores vêm sofrendo queda ao longo dos últimos anos

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Consumo de energia no RS deve reduzir 0,99% com o horário de Verão | Foto: Divulgação / UPF / CP

A RGE e a RGE Sul, distribuidoras do Grupo CPFL Energia que atendem 373 cidades gaúchas, estimam que o horário de verão 2018/2019, que começa à meia-noite de domingo, trará economia de 7.159 MWh e 4.410 MWh, respectivamente, no consumo de energia elétrica das suas áreas de concessão.

Este volume representa uma redução de 0,18% no consumo total dos 255 municípios atendidos pela RGE, volume suficiente para atender uma cidade do porte de Caxias do Sul por um dia ou de Passo Fundo por quatro dias. Na RGE Sul, a estimativa é de uma redução de 0,13% no consumo de energia elétrica nas 118 cidades da sua área de concessão, o suficiente para abastecer uma cidade como São Leopoldo ou Santa Maria por dois dias.

Em geral, as pessoas chegam em casa a partir das 18h, início da noite. Logo, uma das primeiras ações é acender as luzes. Na mesma hora, entram em operação a iluminação pública e os luminosos comerciais, por exemplo. No período do horário de verão, as cargas das residências e de iluminação pública passam a operar após às 19h, quando o consumo industrial e dos edifícios comerciais começa a cair com o fim do expediente de trabalho.

“Ao se deslocar o horário oficial em uma hora, dilui-se por um período maior o momento em que estes equipamentos começam a funcionar. Dessa forma, o ganho do horário de verão, além da economia, está em afastar os riscos de sobrecarga no momento que o sistema elétrico atinge o seu pico de consumo”, afirma do diretor de Operações da CPFL Energia, Thiago Guth.

No período de pico, há expectativa de uma redução de 3% na demanda de energia na área da RGE e 3,40% na RGE Sul, o que contribui para reduzir a geração das termelétricas, mais caras e poluentes. Ainda com base nas estimativas de redução do consumo de energia no horário de pico, confira os municípios recordistas: na área de concessão da RGE poderia abastecer a cidade de Getúlio Vargas por mais de dois meses (83 dias) e na área de concessão da RGE Sul, a cidade de Ivoti, por quase um mês (23 dias).

Além da economia gerada por conta do horário de verão, a RGE e a RGE Sul repassam recomendações gerais para economizar energia elétrica como colocar o chuveiro na posição "verão" (o consumo será cerca de 30% menor); apagar a luz ao sair do ambiente; instalar lâmpadas LED, pois elas iluminam melhor, duram mais e gastam menos energia. Se, para iluminar uma cozinha, utiliza-se uma lâmpada incandescente de 100 Watts, a substituição por uma modelo a LED pode trazer uma economia de até 80%. A RGE é a distribuidora de energia elétrica da região norte-nordeste do Rio Grande do Sul, enquanto a RGE Sul tem atuação na Região Metropolitana, Centro, Vales e região Oeste do Rio Grande do Sul.

Por conta da redução no período de duração do horário de verão este ano, a estimativa da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) do Rio Grande do Sul é de 0,5%, o que equivale a 840MWh no período, enquanto nos últimos três anos as reduções foram de 0,6% em 2017, 0,7% em 2016 e 0,6% em 2015. A informação foi repassada pelo diretor de Distribuição da CEEE, Daniel Vargas de Farias. Ainda conforme Farias, não é possível chegar a um valor específico com base na economia da energia elétrica, pois as tarifas são divergentes para consumidores residenciais, comerciais ou industriais. Além disso, é possível afirmar que a medida não é mais indispensável para o setor.

"No passado o período que se propõe o horário de verão era realizado por conta de alguns problemas de fornecimento de energia no país e, como a medida gerava uma redução de consumo, era necessária. Nos patamares que temos hoje, com uma repercussão de 0,5%, não se trata de alto indispensável para o setor energético em termos de economia de consumo", explicou. Segundo ele, a alteração se soma como uma medida de eficiência energética, com relevância em termos de hábitos de consumo. "Não é uma medida que garanta o fornecimento, como foi no passado", afirmou.

Na RGE também foi registrada uma queda no montante economizado. A economia nos últimos anos foi de 0,42% em 2014 (15.655 MWh), 0,44% em 2015 (16.473 MWh), 0,36% em 2016 (13.905 MWh) e 0,22% em 2017 (4.570 MWh). De acordo com o coordenador do Programa de Eficiência Energética da RGE, Odair Deters, esta queda tem sido observada ao longo dos últimos anos. "O fato de os clientes buscarem aparelhos que apresentem uma eficiência superior como as lâmpadas de LED e equipamentos eletrônicos com consumo mais eficiente, além do próprio cenário econômico do país são alguns dos fatores que podemos identificar", ressaltou.

Conforme Deters, outra tendência identificada pelo setor é a crescente adesão aos sistemas de aquecimento solar nas residências. "É algo que está se popularizando bastante, logo, os clientes deixam de consumir parte da energia fornecida pela própria distribuidora", destacou. Entre os maiores "vilões" do consumo de energia, de acordo com Deters, está o chuveiro, especialmente no inverno e, no verão, os sistemas de climatização. Apesar de o horário de verão estar demonstrando queda no montante economizado, Deters enfatizou que "mesmo sendo uma economia pequena, não tem como dizer que não é positivo".

A Secretaria de Energia Elétrica (SEE) do Ministério de Minas e Energia (MME) realizou estudos em parceria com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que foram encaminhados à Casa Civil da Presidência da República sobre a economia do horário de verão do ponto de vista do setor elétrico. As conclusões foram que “a aplicação da hora de verão, nos dias de hoje, não agrega benefícios para os consumidores de energia elétrica, nem tampouco em relação à demanda máxima do sistema elétrico brasileiro, muito em função da mudança evolutiva dos hábitos de consumo e também da atual configuração sistêmica do setor elétrico brasileiro”. As análises foram feitas no âmbito do Governo Federal, tomando-se a decisão de manter a aplicação do horário para o Ciclo 2018/2019.


Correio do Povo

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